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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A nossa simbologia


Gallaecia e o resto da Europa encaminha-se cara umha nova era. Um novo período histórico que precisará dumha nova simbologia. Nós queremos propor um símbolo milenário com o qual a nossa terra se poida abandeirar. Um símbolo que representa a origem celta do nosso povo e os seus valores espirituais: o trisquel.

O trisquel (trisquele ou triskel dependendo da escrita) é um motivo curvilíneo triplo utilizado polos celtas. Ténhem-se restaurado os trazes em moedas e jóias que datam a vezes de 450 ou 200 anos a.C, mais, em realidade, aparecem bastante antes dessa data. Os homens da Idade de Ferro já o utilizavam para enfeitar os seus megalitos.

Pero qual é o significado do trisquel? As opinions dos historiadores estám divididas sobre o tema: o trisquel significaria "as três pernas" em grego antigo. A forma espiral das ramas do trisquel som símbolo da vida, do dinamismo e do entusiasmo em contraposiçom a todo aquilo que está recto e semelha fijo. Significa por tanto o movimento da vida. Em bretom significa "os três raios". Certamente, assemelha-se ao Sol olhando cara os seus três braços, nas três direcçons, controlando o universo. Outros afirmam que representa o ciclo da vida (infáncia, madurez e velhez). Deste jeito também assemelharia ao que faz o Sol, que nasce e morre todos os dias. É possível que o trisquel represente as diferentes idades dum mesmo ser "a vigília", "o sono" e "o ensono". Pode representar também a passagem a través dos três mundos (céu, ar e terra) da cosmologia celta ou o que simboliza o passado, o presente e o futuro.

Os celtas codificárom os seus conhecimentos a través dos círculos: o círculo dos deuses, o círculo dos animais totêmicos, o círculo das cores, o círculo dos ventos, o círculo das árvores, o dos minerais... Três círculos som necessários para a conexom da consciência do humano e das diferentes formas do divino (terrestre e do ar). O trisquel é um dos círculos primários, um dos três círculos sem os que um nom pode começar umha aproximaçom da compreensom do mundo.

Por outra banda, volta-se de duas maneiras: um sentido positivo ou diurno e um negativo ou nocturno. Quando os círculos do trisquel se voltam cara a esquerda e cara abaixo é um símbolo bélico e maléfico anunciando umha guerra próxima. Quando os círculos se voltam cara a direita com sentido anticiclônico, simboliza a vitória e a paz. Topamos aqui o simbolismo das danças de guerra celtas que começam sempre por virar à esquerda, manifestaçom de desafio e hostilidade, pero que se rematam pondo à direita, símbolo da vitória.

A cifra três, como em muitas religions, é mui importante para os celtas. Também se topam três deuses fundamentais, três druidas primordiais, três deusas da guerra, três rainhas da Éire... O trisquel pode ser umha homenagem a todas essas personagens.



No passado da Gallaecia o trisquel tivo grande importáncia destacando o trisquel de Castromao que é um dos mais formosos por ser o único no mundo celta que é calado. Esta feito em granito. Ainda que existem outros com um desenho mais puro e geométrico, como o de Sam Cibram de Lãs, há-nos semelhantes ao de Castromao: dous no Castro da Tegra, dous em Briteiros, um em Armea, dous em Santa Luzia, …

Queremos que imagineis umha bandeira que num futuro nom mui afastado há desafiar ao vento na nossa terra. Um trisquel preto vai alojado no centro dum disco branco, à vez superposto sobre um fundo vermelho. O vermelho simboliza o socialismo, o branco o nacionalismo e o trisquel as tradiçons e os valores da naçom galaica.

Mentres tanto deixai-nos fazer umha sugestom. Prendedei-lhes lume a isses trapos que se ténhem por bandeiras galegas, levando no seu centro estrelas vermelhas ou coroas borbónicas, e içai umha vez mais os velhos estandartes nacionais. Já no 1932 o “Grupo Ultreia” utilizava a bandeira galega com o trisquel no meio. Assim, na “Carta da Organizaçom” descrevia-se do seguinte jeito: “4.- Cada Linha {doce dúcias -264- de rapazes} terá umha bandeira que será a galega azul e branca co trisquele no meio (...). A bandeira do Conselho é toda azul co trisquele cubrindo o campo da bandeira.”



terça-feira, 9 de agosto de 2011

KALLAIKIA (ATLÂNTIA - KÉLTIA): A CIVILIZAÇOM ANTERIOR A ROMA



Aproximaçom sobor a Kallaikia

As fontes históricas dizem-nos que foi o derradeiro país ocidental do continente europeu conquistado por Roma “Estrabóm”. E que era o mais poderoso dos povos ibéricos “Estrabóm”. Ou seja, que Kallaikia era um país muito rico, povoado, e cumha temível potência militar “Júlio Cesar”. Umha autêntica ameaça para o Império Romano.

Roma só se atreveu abertamente com o reino de Augusto, quem declara a guerra ao pais galaico no ano 29 a.C. (Paulo Orosio)-, umha vez consolidado políticamente o Imperio Romano. É dizer, quando Roma puido contar com a estabilidade necessária para emprender umha guerra de conquista que se prometia dificil e de muito longa duraçom. Umha guerra carísima, de desgaste, na que Roma contava cuns recursos económicos e humanos dos países sobre os que consolidava o seu domínio, ademais dos seus próprios recursos.

Os primeiros anos da guerra seriam desastrosos para Roma. A guerra ia tam mal que o próprio Augusto, na nossa opiniom é o melhor general romano de todos os tempos –pois era alumno nº1 da escola de Júlio César-, vem a dirigir pessoalmente as operaçons militares (Paulo Orosio, Diom Casio). Mas, a pesares da propaganda romana, intue-se que também ele mesmo tem revessos.

Essa retirada dum Augusto “enfermo” a Tarragona, tem um cheiro a que puido ser derrotado e gravemente ferido em combate (Diom Casio). Naturalmente, a propaganda só admite que o “divino” Augusto puxo-se enfermo. A começos do século I d.C. ainda continuam em guerra os dous países “Estrabóm”, Roma perde várias batalhas, ainda assim ganha a guerra tras longos anos de luita.

O investigador português Francisco Martins Sarmento (capo dos extraordinários descubrimentos na Citânia de Briteiros ) ao analizar o “Ora Marítima” da-se conta da censura dos textos realiza pelo Pro-Consule Avieno, mas impidem-lhe a ingenuidade dos historiadores da época denunciar publicamente isto. Transcreve o investigador: “... ubi Brigantia civitas Galleciae sita, antiquissimam pharum et inter pauca memorandi operis ad speculam Britanniae erigit” Adversum Paganos, Paulo Orosio

Esta é a pedra angular que empregará para estabelecer o ponto de partida do Periplo do Oestrymnis. Paulo Orosio, um kallaikoi natural de Braga e, ademais contemporâneo do Procónsule Avieno , dizia que na sua antiguidade, é dizer, na orde de 1.000 a 3.000 anos antes do seu tempo, já trabalha em Brigântia um Faro, isto quer dizer que os buques que se construiam na Europa Ocidental, já dispunham de ajudas à navegaçom na Kallaikia antes da chegada de Roma.

Na religiom celta, Brigântia era o nome dumha importante deusa, e a palavra Briga-, na antiga céltiga, significava “elevado” ou “sagrado”. Ademais da Brigantium galaica, no Atlântico também havia outros reinos de Brigântia na Eire e England. A antiga torre poderia ter mesmo o aspeito aos “Broch”.

Os investigadores dos países da Europa Atlântica ficarom sorprendidos polos resultados do seu trabalho. Sem embargo. No estado espanhol ocultam-se os seus descubrimentos, e ainda hoje retronam a passividade e o silêncio cobardes que mantenhem certos historiadores galegos da época perante aos novos dados disponíveis para a comprensom da História Pre-Romana da Europa Ocidental. Sarmento, ainda que adica o seu estudo empregando umha metodologia avançada para o seu tempo, à Real Académia das Ciências de Lisboa, em realidade prepara-o para a sua apresentaçom no “IX Congresso Internacional de Antropologia e Arqueologia Pre-Históricas”, que se celebrou no 1880 na sua casa de Guimarães. A este congresso acodem historiadores e investigadores germanos, franceses e destacados intelectuais do estado português, por desgraça o estado espanhol em plena restauraçom borbónica, envia a este evento a um triste delegado do governo.

Suspeitas de manipulaçom por parte de Roma

Quase nom chegarom até nós autores clássicos que trataram nas suas obras sobor das Guerras Kántabras, ou sobor da própria Kallaikia pre-romana. Chama poderosamente a atençom que, curiosamente, dumha guerra tam longa que durou mais de 40 anos, que nom haxa quase registros históricos. Os poucos autores clássicos que mais informam sobor dessa guerra contam pouco, pois a Censura do Império estava pendente.

Nom nos extranaria, nem é umha hipérbole pensar que o Emperador César Augusto tomara a decisom de apagar da História umha importante Cultura Atlântica à altura da Grega ou Romana, em vingança polas terríveis derrotas que os exércitos infligirom tanto a Júlio Cesar, nas suas falidas tentativas de invasom da Britânia, como ao próprio César Augusto durante as Guerras Kântabras.

Os Pioneiros

D. Fermim Bouza-Brey, historiador, arqueólogo e grande erudito, logo da péssima república e da trágica Guerra Civil, no 1947 salva da censura franquista, importates dados arqueológicos obtidos nas campanhas de excavaçons oficiais realizadas nas zonas de Bares nos anos: 1930, 1931 e 1932, baixo a direcçom do importante historiador e arqueólogo D. Federico G. Macinheira e Pardo de Lama.

Bouza-Brey foi um brilhante historiador que padeceu o infortúnio de realizar as suas investigaçons no entorno mais indesejável para um científico. Desenrolou umha boa parte da sua obra numhas épocas na que o estado espanhol estivo sometido a uns regímenes políticos jacobinos ,anti-étnicos e asfixiantes da cultura de toda a sua história: A II república e o Franquismo.

Como consequência disto, toda a sua obra científica -mais de mil trabalhos de investigaçom arqueológica, histórica, etnográfica e literária sobre Kallaikia- segue a ser totalmente desconhecida para o grande público desta pátria, onde hoje em dia só se sabe dele por escrever um par de livros de poesia na nossa língua -cuja circulaçom estivo proibida no estado espanhol no franquismo.

A atitude deste científico fronte ao Franquismo é um claro exemplo de como, ainda tendo a má sorte de viver suportando umha situaçom política lamentável onde todo o mundo era suspeitoso de ser “roxo”, foi capaz de resistir escamoteando à censura informaçom importantísima para a nossa História, ou evitando que seja destruida por ésta e perdam-se para sempre validísimos conhecimentos.

Actuando com grande inteligência – e nom sem risco- conservou para a posteridade a memória do historiador e arqueólogo D. Federico G. Mazinheira e Pardo de Lama, um dos historiadores mais importantes do primeiro terço do século XX -científico que sufriu por parte do Franquismo o sequestro e a destrucçom de tuda a sua extensísima obra, a defenestraçom, o silenciamento; e a condena ao esquecimento. Ademais, salvou todo o que foi possível da estrondosa obra científica do historiador, evitando que se perdesem para sempre os seus trascendentais descubrimentos para a História Antiga da Gallaecia e da Europa Ocidental.

Fermim Bouza-Brey Trillo de Figueroa

Nasceu em Ponte Areias (Ponte Vedra) o 31/03/1901. Passou a sua infância em Vilagarcia de Arousa, lar de nascimento do seu pai. Cursou os seus primeiros estudos em Ponte Vedra e Ourense e, no 1918, incía as carreiras de Filosofia e Letras e de Direito na Universidade de Compostela, de onde era originária a sua família materna.

Já dende os seus primeiros anos universitários mostra as suas inquedanças pola cultura. Ao igual que muitos dos seus companheiros, participa na vida estudantil: é membro da tuna universitária, e funda umha associaçom de tertúlias e debate.

Em 1923 começa a carreira de História. O 12-10-1923 junto com outros companheiros, participa na sua visita à Casa de Castro de Ortonho, onde viviu parte da sua infância a escritora Rosalia de Castro. Depois da sua visita, os membros do grupo decidem a criaçom do Seminário de Estudos Galegos.

O 23/10/1923 o seminário passa a ser umha realidade, elabourano-se a acta fundacional no domicílio de D. Armando Cotarelo Valledor. Assinam a acta: Fermim Bouza-Brey, José F. Filgueira Valverde, Ramom Martins Lopes, Manuel Magarinhos, José Pena e Pena, W. Requejo Bouet, Franciso Romero Lema, Lois Tobio Fernandes e Alberte Vidam Freiria.

A funçom nasce tendo como objectivos o estudo científico de todos os aspeitos da realidade da Galiza, e a formaçom de investigadores para essa finalidade. Já desde começos o S.E.G. conta com o apoio dos intelectuais que participam na revista Nós, organo de expresom dos mais representativos membros da cultura galega da época. Estes integram no seminário e asumem a direcçom dalgumhas Secçons às que aportaram aportaram o seu prestígio e valiosos conhecimentos.

No curso 1926-1927 estam em funcionamente as seguinte funçons:

Bouza-Brey trabalha duro no S.E.G. Formando parte nas secçons de Artes e Letras, e História da Literatura; mas, especialmente, desenrolará umha extraordinária laboura de investigaçom nos campos de Pre-História, História, Arqueologia e Etnografia. Ali tem a ocasom de conhecer a Pardo de Lama, já consagrado e com grande prestígio internacional, com quem manterá umha estreita relaçom.

Levado polo seu interesse nesses campos da investigaçom, realiza algumhas viagens polo extrangeiro com a finalidade de efectuar estudos comparativos, porque algo muito importante foi descuberto na Galiza por Pardo de Lama, e há que fazer mutísimas verificaçons antes de lançar definitivamente ao mundo umha novísima e revolucionária proposta para a História Antiga da Europa Ocidental.

No 1929, pensioado polo Centro de Estudos Históricos, percorre Bretanha “Breizh”; e no 1933 realiza investigaçons no estado português, estabelecendo excelentes relaçons com historiadores portugueses, os quais conservou perante toda a sua vida.

Vencelhado ao galeguismo -é membro do Partido Galeguista- incluso escreve o hino da organizaçom juvenil nacionalista Ultreia -incluido na sua obra Nao Senelheira-, organizaçom de mocidades galeguistas ao estilo das Hitlerjugend, concevida e dirigida polo grande Alvaro das Casas.

Ingressa na Carreira Judicial no 1926. Destinado como juiz a Viella (Baskonia-Catalunya), povo do Pirineu, situado no Val de Arán, ali realiza os primeiros trabalhos que se fizerom sobor do folclore aranês. Logo dumha tentativa de “revoluçom intelectual” e passar por várias etapas desagradáveis no Franquismo, no 1973 morre levando-se à tumba o segredo de ter salvado para a História Europeia a memória e os importantes achados arqueológicos de Pardo de Lama.

No ano 1944 incorporou-se ao CSIC-Instituto Padre Sarmiento de Estudos Galegos com o fim de reiniciar as suas investigaçons. Fechado o S.E.G. Durante a guerra civil, dous sacerdotes, D. Jesus Carro e D. Paulino Pedret, atrevem-se a tratar salvar o que se poida do expólio que fixo a Censura Franquista com o património cultural da Galiza que se guarda nos seus locais do Colégio de Fonseca, cedidos ao Seminário no 1930 pola Universidade de Compostela com a autorizaçom, meiante decreto do Ministerio de Instrucción Pública. No 1940 por Orde do direitor geral de Ensinança, som confiscados os restos do património que fica no S.E.G. e entregados à USC.

No 1943 graças à laboura dalguns antigos membros do Seminário que forom aceitados polo Franquismo, tolera a criaçom do Instituo Padre Sarmiento, adscrito ao Patronato “José Mª Quadrado” do CSIC. No 44 quando se constitui o Instituto Padre Sarmiento, ao qual entregam-se os restos do expólio do S.E.G., aí está novamente Bouza-Brey ao fronte das Secçons de Arqueologia e Pre-História, e formando parte da primeira Junta Direitiva composta por: D. Francisco Javier Cantom (direitor), D. Abelardo Moralejo (vice-direitor), D. Felipe Carrete (secretário), D. Antonio Fraguas (bibliotecário), D. Jesús Carro (sonservador), e os Chefes de Secçom: D. Ramom Otero Pedrayo, D. Florentino Lopes Cuevillas, D. Paulino Pedret Casa, D. José Figueira Valverde, D. Fermim Bouza-Brey, D. Alfonso Zamora Vicente e D. Vicente Risco. Infelizmente nom se poderá fazer prácticamente nada para reeprender a laboura iniciada polo S.E.G.

A nova instituçom encarregara-se de re-escrever a História da Antiga Kallaikia, em sintonia com a História Moderna do Estado Espanhol desenhada polo aparelho de propaganda do Franquismo para favorecer os interesses políticos do nacionalismo espanhol, jacobino e anti-étnico. E a primeira tarefa que há que fazer é destruir ou desprestigiar aos historiadores e arqueólogos do S.E.G. , e as revolucionárias vias de investigaçom que abriram antes da guerra civil.

No 47, decidem editar um livro prepardo cum “popurrí” de materiais extraidos de vários trabalhos de Pardo de Lama, com a finalidade de desacreditar a sua pessoa, o seu grandísimo prestígio e a sua estrondosa obra científica. Entre os trabalhos do historiador que som empregados na preparaçom do “popurrí” atopam as memórias das excaçons oficiais que dirigiu na Estaca de Bares nas campanhas de 1930, 1931 e 1932. Por sorte, Bouza-Brey, quem obedecendo aparentemente, rebela-se e decide conservar no “popurrí” os importantísimos dados para a História antiga da Gallaecia e da Europa Ocidental – descubertos em ditas excavaçons.

Durante as escavaçons, Pardo de Lama puido comprovar que o quebra-mares do porto Pre-Romano de Bares foi construida com um desenho do mais sofisticado. Proporcionava-lhe serviço de auga na darsena aos buques, por meio dumha conducçom de auga instalada no seu interior. Também descubriu que muitos séculos antes da existência do Império Romano, empregavam um morteiro de construcçom -opus signium- de bastante melhor qualidade que o empregado durante o Império Romano. O dique foi construido muitos séculos antes da existência do Imperio, porque o estrato do período da dominaçom romana está a mais de 4,5m por cima do estrato da época da construcçom do quebra-mares de Bares. O próprio Bouza-Brey mostra como Pardo de Lama datou a construcçom do quebra-mar do Porto Pre-Romano de Bares na época megalítica galaica.

Mentres que outras culturas europeias e mediterrâneas ainda estavam no neolítico, já existia na Kallaikia umha civilizaçom que, tendo o desenrolo social, cultural e tecnológico necessários, e os recursos económicos suficientes, tinha criado umha indústria de construcçom naval que fabricava frotas comerciais e militares; e que dispunha dumha poderosa indústria de construcçom civil capaz de realizar obras públicas ciclópicas como os quebra-mares dos portos de Bar-es e Bur-ela, para guarecer aquelas frotas dos temporais do Mar Kantâbrico.

Que classe de história antiga da Gallaeciae e da Europa Ocidental nos ensinarom durante as derradeiras sete décadas?

AS OBRAS MARÍTIMAS QUE CONSTRUIA KALLAIKIA

A existência dum país estruturado pre-romano que ocupava o norte e a metade ocidental da Península Ibérica antes das Guerras Kântabras, denunciada por: O Timeo e o Kritias de Platóm; A geografia de Estrabom, e a sua Ora Marítima -cuja autoria tratou de arrebatar-lhe séculos mais tarde o Procónsul Avieno; A Guerra das Gálias de Júlio César; O Adversum Paganos de Paulo Orósio, A História de Heródoto,...

Devia poder verificar-se por meio dos restos da sua cultura material que tiveram supervivido à destrucçom sistemática que contra ella efeituou o Império Romano, tras a ocupaçom dos seus territórios. Mas, onde procurar quando as investigaçons som carísimas? Para um primeiro trabalho de campo -e pensando num custo baixo- , as provas mais sinxelas de atopar para verificar a sua existência deviam ser as obras marítimas portuárias que Kallaikia construiu; porque, segundo as obras clássicas citadas, essa naçom era umha poderosa Talasocrácia na época Pre-Romana. Ademais, como os portos davam serviço as suas cidades marítimas, pronto atopariam sítio por onde começar com as suas piquetas os arqueólogos, para sacar à luz as cidades da Talasocrácia galaica Pre-Romana.

Como as obras marítimas som práticamente impossíveis de destruir, e de grandísima duraçom -se bem é verdade que Roma ocultou algumhas à posteridade por meio dos recheios, como denunciam as obras clássicas-, existe umha grande probabilidade de que se tiveram conservado até o presente as obras marítimas dos kallaikoi, e que seja relativamente sinxelo efeiturar a sua localizaçom. Todas as costas e rias galaicas abondam em obras marítimas Pre-Romanas; mas as mais doadas de descubrir, pola sua obviedade, forom os quebra-mares dos portos pre-romanos de Bar-es e Bur-ela.

PORTO DE BAR-Es

Pardo de Lama, fo primeiro investigador que se deu conta de que o Quebra-Mar do Porto de Bar-es foi construida em tempos pre-romanos; e que ademais, puido comprovar que a sua construcçom fizo-se muitos séculos antes da existência do Império Romano, nas Excavaçons Oficiais que dirigiu nos anos 30, assim como a cidade à que dava serviço o porto.

Tal e como nos transmitiu o historiador e arqueólogo Bouza-Brey nas Memórias das Excavaçons citadas -as quais, como é lógico, nom se cinhirom única e exclusivamente à zona do porto de Bar-es , contenhem a informaçom de que umha parte da cidade estava ubicada na zona baresa da Condominha, chapada que desemboca na ponta de Cabo da Estaca de Bar-es.

Como desenharom os kallaikoi o quebra-mar do Porto de Bar-es?

Pardo de Lama conheceu o quebra-mar de Bar-es com anterioridade às obras de reparaçom que o Estado Espanhol realizou nela entre os anos 1898 e 1900. Antes destas obras, como pode ver-se no plano adjunto preparado polo arqueólogo, o quebra-mar conservava umha forma mais semelhante ao seu desenho original, ainda que nessa época já estava bastante afetado polos embates do mar ao longo de milheiros de anos, razom que ocasionou a decisom de proceder a sua reparaçom.

Nos derradeiros anos do século XIX via-se mais claramente que o traçado do quebra-mares seguia umha linha poligonal, a qual constava de quatro tramos de 95, 80, 25 e 100 m, respeitivamente, contando dende terra firme, sendo a totalidade da sua longitude de 300 m. Estimava Pardo de Lama que quando os Kallaikoi finalizarom a construcçom, a secçom típica da mesma era de forma triangular, e teria sido duns 30-40 m de ancho na base e mais de 8 m de altura, contando dende o nível da baixa-mar máxima até o vértice superior. Trata-se, polo tanto, dum quebra-mar do tipo de clarabóia, um desenho dos mais apropriados para amortigueirar os impactos da ondagem. Com motivo das citadas obras de reparaçom, rebaixou-se o vértice supeior, com a fim de criar umha espécie de caminho pola parte alta do quebra-mar em tuda a sua longitude.

Os Kallaikoi construirom o quebra-mar logo de de recolectar, transportar e colocar -de maneira planejada- muitas dezenas de milheiras de pedras ciclópicas esferoidais de diorita, material obetido na zona. A técnica com o que foi construida revela a perícia e experiência dos Kallaikoi na construcçom deste tipo de obras marítimas. Ao igual que se faze na actualidade, colocarom na parte inferior externa e no morro do quebra-mar as rochas ciclópicas da maior volume -algumhas pesam umhas 7 toneladas; mentres no lado que da à dársena, excluido o morro, colocarom-se rochas de menos peso, devido a que o mar está mais tranquilo no interior da doca.

Baseando-se nas dimensons citadas, o arqueólogo que os Kallaikoi teriam depositado uns 50.000 m³ de pedras ciclópicas esferoidais de diorita. Este cálculo, tendo em conta as dimensons que estima o historiador , e que o ángulo do talude natural é duns 38º, damo-lo por válido para dar-se umha ideia bastante aproximada do alcance do trabalho realizado. Tendo em conta o peso específico da diorita é dumhas 2,8 Ton/m³, o anterior implica que Kallaikoi recolherom, transportarom e colocarom umhas 140.000 Toneladas de pedras.

QUEBRA-MAR DO PORTO DE BUR-Ela

Nom é Bar-es o único porto de abrigo Pre-Romano que se conserva no norte de Gallaecia, criado a base de construir um quebra-mar ciclópico. Também em Bur-ela existe um. Devido à acçom das augas do Mar Cantâbrico durante milheiros de anos, gerou-se a actual Praia de Marosa, o grande atrativo turístico do povo de Burela. Este quebra-mar também trata-se dum quebra-mar de tipo de clarabóia. As pedras ciclópicas nom som esferoidais, como no caso das de Bar-es, senom que forom empregadas para a construcçom do quebra-mar rochas ciclópicas obtidas em canteiras da zona. O peso médio que estimamos para as pedras ciclópicas que constituim a parte visível do quebra-mar, nom é inferior às 3 toneladas. O traçado é rectilíneo, sendo a sua longitude duns 100m. Estimamos que forom empregadas na sua construcçom 40.000 toneladas de pedras. Um custe estimado a dia de hoje para a construcçom de 20.000.000 de €uros.

Conclusons

Numha primeira aproximaçom, a mera existência dos portos Pre-Romanos de Bar-es e Bur-ela descalifica a história aceitada hoje em dia para Gallaecia. Pom no mais absoluto des-credo à descripçom histórica de que o noroeste da Península Ibérica estava habitada por povos que viviam em castros, num estado de alta barbárie, com anterioidade à conquista romana. Considerando que hoje em dia fariam falha 60.000.000 de €uros para a ingenharia, os materiais, a logística, os medios técnicos, e a mam de obra necessária para a construcçom do Porto Pre-Romano de Bar-es; e uns 20.000.000 de €uros para o de Bur-ela, nom faze falha disfrutar dumha grande cultura para darem-se conta de modo imediato, de que foi muitísimo maior o esforço económico e humano dos Kallaikoi para levar a cabo a construcçom destes quebra-mares num praço razonável, tendo em conta que nom dispunham duns meios técnicos tam poderosos como os que temos hoje em dia para acometer umha obra desta dimensom.

Só um país estruturado tem a capacidade de construir obras públicas da categoria dos quebra-mares de Bares e Burela. Ou seja, que séculos antes da existência do Império Romano, já existia no N.O. Peninsular um pais estructurado, o qual, dispondo do capital, a ingenharia, a logística, e os meios técnicos e humanos necessários, construiu em Bar-es e Bur-ela uns quebra-mares de abrigo que teriam um valor actual conjunto duns 80.000.000 de €uros.

Para que construiu Kallaikia portos de abrigo?

Evidente: para res-guardar as suas frotas mercantes e as suas frotas de guerra dos temporais do Mar Cantâbrico. Como corresponde a um pais estruturado contemporâneo do Império Romano. Nom para barcos de coiro como menciona o Pro-consule Avieno na Ora Marítima, senom para frotas compostas por buques de grande tonelagem para a época, cuja existência testemunhal deixou Júlio Cesar no livro III da sua Guerra das Gálias. E como nom poderia ser doutra maneira, pois estamos a falar dum país estruturado, há muitas mais obras marítimas e nom marítimas Pre-Romanas nas costas ,rias e interior (castros pre-históricos, cidades enteiras, dolmens, circulos lícitos) da Gallaecia. E para saber algo mais sobor disso, só há que botar-lhe umha olhada à obra enteira do grande Pardo de Lama, da sua grande actividade investigadora e obra publicada, serva como botom de mostra este brevísimo resumo de seu curriculum:

1893 Começa a investigaçom, com arranxo aos métodos mais modernos da época, dos jacimentos pre-históricos da comarca de Ortegal-Bares.

1895 Escreve: Investigaçons prehistóricas da Galiza, A ilustraçom Artística, Barcelona, Nós.684 e 687

1897 Escreve: Os castros pre-históricos da Galiza I, e II, Revista Crítica de História e Literatura espanhola, portuguesa e hispano-americanas; Ano II, Nos 4, 8-9.

1900 Escreve: Os castros pre-históricos da Galiza III, IV e V, Revista Crítica de História e Literatura espanhola, portuguesa e hispano-americanas; Ano IV, Nós. 7, 11 e 12.

1902 É nomeado Membro Numerário da Real Académia da História

1902 Escreve: Exemplares galegos e portugueses da escritura hemiesférica, Boletím da Real Académia da História do 15 de Maio

É membro da delegaçom de historiadores que representa ao Estado Espanhol no Congresso Internacional de Antropologia e Arqueologia Pre-Históricas que se celebra em Mónaco.

1909 É membro da delegaçom de historiadores que representa ao Estado Espanhol no Congresso Internacional de Antropologia e Arqueologia Pre-Históricas que se celebra em París.

1912 Publica: Arros, Boletim da Real Académia Galega do 20 de Janeiro

1928 Escreve: Novos achados arqueológicos no porto de Bares, Boletim da Real Académia Galega 1 de Maio.

1929 É membro da delegaçom de historiadores que representa ao Estado Espanhol no Congresso Internacional de Antropologia e Arqueologia Pre-Históricas que se celebra em Barcelona, com motivo da Exposiçom Universal. Ler o seu trabalho “Relaçons entre Galiza e Inglaterra nas épocas pre-históricas”, o qual presenta acompanhado de copioso informaçom gráfica.

1930 Pola Real Orde do 25 de Março de 1930, é nomeado Delegado Direitor das Excavaçons Arqueológicas no Porto Pre-Romano da Estaca de Bares, dotadas dum orçamento de 5.000 pesetas.

1930 Dirige a primeira campanha de Excavaçons Arqueológicas no Porto Pre-Romano da Estaca de Bares.

1931 Dirige a segunda campanha de Excavaçons no Porto Pre-Romano da Estaca de Bares.

Dirige a terceira campanha de Excavaçons no Porto Pre-Romano da Estaca de Bares.

1933 Como consequência dos trabalhos e achados, a Estaca de Bares é declara Sítio de Interesse Nacional.

1935 Escreve:A Estaca de Bares declarada Sítio de Interesse Nacional, La Voz de Galicia, 11 de Outubro.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Gallaecia sem Galaicos




Aqui também havia "máfias" e "efeito chamada"

É terrível ver aos emigrantes que venhem morrer diante da nossa porta mediática mentres ignoramos os milheiros deles que morrem de fame e enfermidades nos seus países. Falamos de "máfias" e mais do "efeito chamada", quando a nossa própria história, aí atrás, a volta do século passado, podia-nos explicar, se quixése-mos, muitas cousas.

Na galiza a emigraçom foi além mar. Só aqueles que podiam pagar a pasagem, bem com dinheiro das suas famílias, bem pedindo-lhe o dinheiro a amigos ou conhecidos, com a promesa de mandar-lhos de volta, bem empenhando as terras num banco, podiam emigrar.

Os pobres de verdade tiverom que aguardar até que foi posível emigrar ao resto de Europa ou a outras cidades do Estado. Temos assim que os mapas da emigraçom na Galiza variam considerabelmente ao longo do século XX.

Nom é casualidade que, no primeiro terço dos anos novecentos, os partidos judiciais que mais emigrantes mandarom cara América fosem Betanços e Chantada. Ambos estavam muito por cima da média de riqueza galega. Tanto que contavam cumha pujante banda local, a Echevarria e a de Soto, respectivamente. Os empréstimos destas bancas eram os que lhes permitiriam a muitos emigrar, empenhando as terras.

Encargabam-se de mercar a maleta, pasagem, viagem ao porto, comida e aluguer até que marcha-se o barco. Sobre duas mil pesetas nos anos vinte desde Chantada.

Nos anos cinquenta e sesenta, a emigraçom concentrou-se, sobre tudo, nos concelhos mais pobres, maiormente nas montanhas de Ourense e Lugo, que, tradicionalmente ja emigravam temporalmente a Castilla.

Efeito chamada

Fala-se agora das "máfias" africanas, algumhas em conexom com as "ibéricas", que som as que arranxam e incentivam a emigraçom ilegal. Esquecem que a banca galega medrou quase exclusivamente a começos do século XX graças a prestar-lhes o dinheiro aos emigrantes e, mais tarde, com as remesas de divisas que estes enviavam. Desde o Banco Pastor ao Banco Echevarria, o de Soto, o de Vigo, o de Crunha... Mais tarde as caixas de aforro que investiam este dinheiro em industrias e negócios de Euzkalerria e Catalunya. Os nossos trabalhadores iam detrás do dinheiro dos seus vizinhos.

Outras muitas famílias, consignatarias de buques ou prestamistas (ponhiam o dinheiro das leiras que aqui vendiam na emigraçom, mercavam aqui as leiras e traiam o dinheiro de fora sem passar por alfándegas e bancos...), amasarom também inmensas fortunas com o negócio da emigraçom. Nom há mais que olhar o ensanche vigués para comprovar o negócio e as fortunas, algumhas começadas como fundas ou casas de comidas. Os seus descendentes falam agora de "máfias".

Para acentuar ese "efeito chamada", criarom-se meios de comunicaçom ao efeto que gabavam a oportunidade de abrirse caminho e fazer-se ricos nos paises americanos. Assim funda-se Faro de Vigo. La voz de Galicia quando passou a ser sociedade anónima deu um giro editorial e começou a pular também pola emigraçom como panacea para Galiza.

Os outros jornais que forom saindo a rua seguirom mais ou menos idéntica linha editorial de apoio a emigraçom, em consonáncia com os intereses dos seus donos. Só A Nosa Terra e alguns voceiros locais forom críticos com esta política incentivadora da emigraçom.

Muito ao contrário do que ocorria polas mesmas datas na península itálica e nas ilhas mediterráneas, onde se produzia um auténtico debate sobre o feito em si da emigraçom: era negativo ou beneficioso para o país. Mas os jornais que estavam em contra da emigraçom também alertavam das dificultades que se iam atopar ao chegar a Argentina ou aos EEUU. Citavam casos de emigrantes que o estavam a passar mal e ainda faziam ver os perigos da travesia oceánica.

As mortes na mar

Certamente que os nossos emigrantes nom iam em pateiras ou caiucos, senom em buques da carga preparados para levar gente, ou em transatlánticos com ínfimas condiçons. As travesias de mais de quince dias eram penosas nos solhados de terceira, polo amoreamento, as malas condiçons higiéncias, a pouca água e comida e ao nom estar afeitos a viaxar pola mar. Tudo isto agravado por umha situaçom mental que os conduzia à depresom que muitos confundirom com a morrinha.

Segundo alguns autores, com dados nom bem difundidos ainda, as mortes de galegos na viagem ou nos primeiros dias no novo destino superavam o 20%. Um número maior, fam ver, que o dos escravos, pois essa mercadoria tinha dono e valia dinheiro, mentres que a mao de obra galega saia debalde.

Olhamos assim como o número de mortes dos galegos era ainda maior que o dos imigrantes actuais que se disponhem a conquistar a nossa Europa.

E aqui também habia picaresca. Nom todos iam legais. Seguiam a marchar cara a paises que fechavam as suas portas à emigraçom por mor das crises mais ou menos pontoais. Existirom emigrantes que marcharom a Venezuela em pesqueiros. Alguns nom chegarom. Outros sim, como se recordam ja nalgumha placa conmemorativa.

Outros nem sequera chegarom a alta mar. Forom enganados. Saiam à nuite do porto vigués. Davam voltas sem afastarse muito das Cies e eram abandonados nestas ilhas ou, algumha nuite na ilha de Sam Simom.

Nom sabiam os nossos emigrantes ao que se expunham daquelas. Nom. Desconheciam o perigo. Aos cánticos de serea dos meios de comunicaçom e do próprio governo alentando a emigraçom, habia que unir-lhe o efeito chamada dos familiares e vizinhos que se asentavam noutros países.

Se olhamos as cartas que mandavam, podemos comprovar que nunca falavam das penalidades ou minguábanas consideravelmente nos seus relatos. Por raçons óbvias. Nom queriam intranquilizar os seus familiares e amigos e tampouco dar a ideia de fracasados.

Os que vinham de vacaçons espalhavam a propaganda de emigraçom igual a progreso. Eram os que podiam vir. Os outros nom vinham. Alguns nem sequera escribiam. Dos mortos nom havia novas... Até que nunca aparecia o dinheiro para pagar a pasagem ou redimir os foros pero si os bancos que se faziam com as terras.

Mas das misérias a penalidades ninguem se lembra. A versom oficial, ainda instaurada, fala de que os galegos emigrarom por afám de aventura e se fizerom ricos vivendo muito melhor que aqui. E também o que contam os que podem contâ-lo.

É o que lhes está a passar agora a muitos subsaharians. Hoje em dia vende-os o mesmo, tanto no nosso estado como no dos imigrantes, a soluçom nom é apoiar a imigraçom e emigraçom e a perda da identidade das naçons , se nom lutar contra as máfias e caciques dos estados em questom.

GALLAECIA SEM GALAICOS

Com esta introduçom queremos denunciar o desequilíbrio dentro do Estado, entre as diferentes CC.AA do estado, que longe de ser salientado, cada dia agrava-se mais e mais, sem agravar-se as grandes diferenças que cada vez percebem-se de maneira mais nítida.

As diferenças entre a “Iberia atlânto-cantábrica” e a “Iberia mediterrânea”, nom só é circunscrita à paisagem e ao paisanagem. A alguns “marxista-liberal” deviase-lhes cair a cara de vergonha nas suas reivindicaçons fronte a comunidades mais pobres, com maiores “dévedas históricas”, quando graças a elas, bem por importaçom de mam de trabalho galega, astur, castellana do sul etc., bem por incentivos às burguesias locais, fomentou-se em tempos do denostado Sefardi Franco os plans de desenrolo na década dos anos 60. Por ponher um exemplo, a indústria textil em Catalunya. E a ninguem se lhe escapa que a “produçom textil incentivada” de Catalunya na época franquista, cambiou as suas factorias por outros lares de produçom. Polo contrário, Inditex, com o seu buque insígnia, a multinacional Zara, nasceu na Galiza, benefício à ideia dumhas poucas pessoas e graças ao trabalho -“como chinos”- de muitas cooperativas de mulheres galegas e do norte de Portugal (Gallaecia Sul). E nom tivo o grandiloquo apoio dos plans de desenrolo do franquismo, nem do felipismo, nem do aznarismo, a diferença das burguesias catalana ou basca.

Entom atopamo-nos cum estado espanhol cum eixo claramente orientado com o seu peso cara o Este do estado, onde a Iberia mediterrânea foi objectivo preferente já dende tempos do Antergo Regime, fronte à Iberia atlanto-cantábrica, agás a excepçom do caso Bascom.

A ninguem se lhe escapa, que o problema “grosso” actual da imigraçom, concentra-se claramente nesse denominado eixo centro-este, a Iberia mediterrânea que vai desde o Barcelona, València e Murcia, até Madrid, passando por Euskadi e Nafarroa. Na economia de mercado, lógicamente o maior desenrolo e maior crescimento económico, maior fluxo de imigrantes na procura de oportunidades.

Mentres , as zonas do noroeste ibérico, como Gallaecia (Galiza, Asturies, Llión ou Zamora), que venhem sufrindo umha devaluaçom planejada desde ministerios centrais das suas autárquicas economias, recebem com a entrada na UE em 1982 enormes recurtes dos seus tezidos produtivos, dando-lhes à sua definitiva pancada.

A crise da mineira asturiana e leonesa, os recurtes da frota pesqueira galega assim como o feche dos asteleiros, a imposibilidade de produçom da asfixiante quota láctea para os pequenos e medianos gandeiros, derom como resultado que a povoaçom activa do seitor rural paulatinamente fosse mermando e marchando às urbes, cumha conseguinte perda demográfica alarmante. Nalguns povos, pessoas em idade de trabalhar, vive das pre-jubilaçons (mineira astur-leonesa). Noutros, só ficam os maiores ao coidado das suas casas e as suas terras. Os jovens tenhem que emigrar a outras zonas do estado. Em Asturies ou Galiza a sangría já se vinha produzindo desde princípios e meiados do século XIX e prolongando-se durante todo o XX. Semelha que no seculo XXI, com a progressom aritmética que levamos, nom só o oso pardo ou o lobo estaram em perigo, cecais os galaicos seram “espécie em perigo de extinçom”.

Cecais soe a alarmismo o a catástrofe, mas os dados, as cifras e as prediçons nom as inventa quem isto escreve. Som os dados oficiais e nom agochados, recolhidos de organismos oficiais e publicados na prensa. Semelha que nom preocupam em excesso aos nossos políticos, sejam do PSOE como um Touriño o Areces, como tampouco semelha que preocuparom em excesso aos do PP, como a um Manuel Fraga, porque a dia de hoje o problema segue sem soluçom, sem incentivos nem nada que se lhe asemelhe. Ao sumo mendos de “cheques-bebé”, autênticos sucedâneos dumha política real a favor do aumento da natalidade. Semelha que há medo ao incentivo e fomento da natalidade, a umha protecçom real da família. Medidas reais existem em diversos países da Comunidade Europeia, (Irlanda, Suecia, Finlandia, por exemplo) autênticamente progressistas. Onde está a conciliaçom da vida laboral e familiar dos pais, ajudas em tramos de idade, etc.? Para alguns desses privilegiados que como deziamos antes, “almorçam dos vezes ao dia"?. É precisa a justa causa da conservaçom da povoaçom autóctona na nossa terra de origem. É o que necessitamos na Gallaecia Norte, de maneira urgente e iminente. O nosso maior capital som as nossas gentes, os nossos filhos, que queremos recebam a sabia herdança ancestral dos seus avós.

Os nossos antergos fizerom este país. Os galaicos, que trabalharom na sua terra e os que sairom das suas aldeias para melhorar as suas condiçons de vida, reinvirtirom novamente a sua prosperidade entre os seus, sem necessidade de ajudas dos de fora.

Lia-mos no “La Voz de Asturias”: No caso do Principau d´Asturies, a alerta demográfica nom é nengumha novidade e tampouco o é que o Principado registre a taxa de natalidade mais baixa de todo o estado, mas as projeçons e estimaçons do Instituto "Nacional" de Estadística (INE) començam a arroxar outras explicaçons para a sostida perda de povoaçom que todos vaticinam para a regiom. As estimaçons de povoaçom actual realizadas polo INE para o período 2002 ao 2007 reflexam que no derradeiro ano 5.215 jovens de 20 a 30 anos marcharo-se do Principado. As projecçons sobre índices da natalidade ratificam ao Principado como a comunidade com a taxa de nascimentos mais baixa de todo o país (0,97 filhos) e ademais situa às asturianas dentro das nais mais tardias porque a media de idade para dar a luz ao seu primero filho situa-se em 31,46 anos.

Também apareceu a nova, de características análogas, no diário “La Voz de Galicia” (23.04.07). Podiamos ler que na derradeira década, a povoaçom galega só aumentou em 29.211 habitantes, passando dos 2.742.622 censados em 1996, aos 2.772.533 recolhidos em Padróm do Instituto "Nacional" de Estadística (INE) a 1 de Janeiro de 2007. E se a isso descontamos a afluência de imigrantes tanto na Galiza como a Asturies, diremos que o nosso crecimento é deficitário. Se os nossos jovens emigram a outras zonas da península ou da UE, e em falsa compensaçom, é dizer, em detrimento dos galaicos, recebemos imigrantes, semelha que os nossos políticos querem desviar a nossa atençom tirando da chisteira que a nossa demografia nom é tema em excesso preocupante. A imigraçom para eles é a soluçom. E nada mais falso e longe da realidade. As soluçons a esta crise demográfica passam por vários factores, complexos desde logo, mas em absoluto irrealizábeis. Falta sobre tudo vontade política de incentivo empresarial tanto no eido rural, como no industrial. Falta o fazer justiça cumhas comunidades agraviadas com a entrada na UE, com o seu tezido produtivo desestruturado polas políticas de curto alcance e eleitoralismo galopante. Falta a revitalizaçom do eido rural, com quotas lácteas injustas. Lembremos que mentres que a gandeiros galaicos, nom se lhes deixa produzir leite, ficamos obrigados a comprar excedentes do Esdado Francês, Dinamarca ou o Estado Holandês. Entom que é o que fica à povoaçom rural do norte? Se abandonam as terras e nom produzem, se nom se pode produzir qualidade e competir com o nosso eido gandeiro? Qual é o futuro do tezido social do rural? Simplesmente o turismo do silêncio e natureza, o turismo rural?

“Galicia y Asturias organizan un frente común de autonomías envejecidas”. Baixo este título "espectacular e propagandístico" como é costume, lia-mos no diario “El País” (20.04.08) que dado o carácter de comunidades envelhecidas, dispersas e orograficamente complicadas, os presidentes autonómicos Emilio Pérez Touriño e Vicente Álvarez Areces, reunirom-se. Para que era a reuniom que dizia o titular de “El País”? Reunierom-se para ver como vai a autovia trans-cantábrica, para concretar e impulsar a Reserva da Biosfera de Terras de Buróm-Oscos-Eo. Mas nem rastro de abordar o problema do envelhecimento, da crise demográfica. Nom se molharom em criticar aos seus companheiros de partido. Isso sim, sesmelha que comerom a bom mantel no Hostal dos Reis Católicos em Compostela. E nom sabemos se almorçarom duas vezes.

Na actualidade galega com o PP de Feijo mais do mesmo, pois incrementou da aportaçom de fundos públicos do governo da Junta da Galiza em plena crise capitalista com 1.300 000 euros em apoiar aos imigrantes no canto de apoiar aos galegos e fomentar o emprego e natalidade na Galiza. Outra clara política anti-galaica.

FRONTE À POLITIQUEIRA! O SANGUE!

GALLAECIA AOS GALAICOS!