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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O Samain


Compreender nom significa entender. Compreender é integrar-se numha cosmologia que nos achega, neste caso à maior Festividade do mundo celta. Nunca compreenderemos aos nossos devanceiros senom tentamos achegarmos a eles conhecendo, integrando as suas estruturas ideológicas às nossas do século XX. Porque o passado nom existe ilhado do presente e muito menos do futuro. Samain pode ser ou nom assimilado por nós, mas seguirá existindo, porque as tradiçons nom morrem. Formam parte do Mito. E lá onde vaia o homem estará o Mito. Este artigo tentara-nos aproximar ao mistério.

Nom é doado à mentalidade  actual, esquemática e racionalista,, explicar em 1987 o que era e o que é a principal Festa do mundo céltigo: e nom só isso: materialismo, escepticismo e agnosticismo sumam-se para fazer do homem de hoje um ser desligado da sua origem e identidade e polo tanto da Natureza... e os Deuses que lhe som próprios.

Cada Deus, cada Festa sempre simboliza e simbolizará  o estado espiritual (e polo tanto, externo, traduçom do interno) dum indivíduo e por extensom dumha comunidade. Se no primeiro de Fevereiro, a purificaçom e a preparaçom para o verám (luz, sol) chama-se Imbole é por algo, por um objectivo: para purificar-se, para manter o equilíbrio Deuses-Homem-Natureza necessário para a boa marcha da vida. Assim podemos dizer do Baltaine (1 de Maio) ou Lughasad (1 de Agosto). Porém, por cima de todas as festividades estava o Samain (hoje em gaélico irlandês, o mês de Novembro). As fontes das que nos valemos para poder falar disto, nom som abondosas e os riscis ceremoniais e rituais da Festividade perdem-se na memória dos tempos, sempre esperando que alguém  "sonhe" o que os devanceiros sonharom: um calendário descoberto em Coligny em 1987 (cujo escudo lingüístico ainda está sem completar) e as sempre ricas sagas irlandesas. É o único que temos mais coido que suficiente para afinar a importância que estudosos de Religions e arqueólogos estám a dar ao calendário céltigo.

A religiom celta é umha mitologia destinada à classe guerreira. A guerra é o rito sagrado e a comunhom com os Deuses e a terra de Tiv Már. Só há outra via alternativa: a ordem druida, em directo conhecimentos da Natureza e a sua magia. Mais a ela só se achegam os mais iniciados. E todo é retorno, sem princípio nem fim, desde a própria vida humana até as construcçons circulares das suas vivendas, como o Sol, como o Eterno retorno das almas dos guerreiros. Só neste contexto poderemos captar (e ainda assim parcialmente) o que o Samain nos di.

Diziamos antes as quatro Festividades célticas. Resumindo, os celtas dividiam às suas datas maiores em Metade Escura ou Samain e Metade Clara ou Beltaine (isto explica o contar os temos por noites e a divisom do calendário em dias fastos e nefastos).

Com o 1º de Novembro (hoje cristinizado em Festa de Todos os Santos Defuntos), o estio remata na sua totalidade e era tempo de recapitulaçom: Fim de contratos, Finais de guerra ou princípio delas. Tinha por tanto um valor dual, de fronteira, no sentido mais amplo da verba: estava fora do tempo, num tempo nom-terreal.

Chegamos ao segundo obstáculo a vencer para os nacionalistas: existem estados multiplos do Ser, existem vários mundos aos que se achegar, desde aqui e agora, sem ter que morrer. A alma é imortal para os celtas e o tempo terreal tem umha importáncia (de aí o ardor dos celtas nas batalhas, pois nom lhes importava morrer, se eram conscientes da sua missom sagrada).

Dito isto, no Samain as portas do "Sidh" (ou partes dos "Outros mundos", nos quais os mortais podiam viver alternativamente, graças ao Samain, ter filhos, mulheres, terras, etc) estavam abertas e aos "mundos" confundiam-se num tempo neutro.

Geralmente, os homens de além do Sidh nom eram beneficiosos, agás os Tuatha De Dannnan. Deuses e povoadores de Irlanda, antigos habitantes da Hiperbórea, que tiverom que fugir do troco e desviaçom do Polo, Tuatha era Dagda, Lug, Nuada, Ogme e outros.

Assim, todos os principais relatos míticos irlandeses ocorrem no Samain, festa controlada polos Druidas, devido à sua importância, festa guerreira e também umha justificaçom para borracheiras, que às vezes eram causa de que esta festa de goço rematara numha batalha literal.
Juntança (traduçom crimológica de "Samain", dia de portas abertas, para o Sidh, dia dos grandes acontecimentos e de precauçom para os druidas. Alguns feitos mitológicos acaecidos no Samain podem ilustrar a modo de exemplo e explicado.

1. Dia de negócios importantes, límite do ano, quando os filhos de Nemed tenhem que entregar o seu tributo aos Fomorianos.
2. Cita entra Dagda e Morrigam (segunda batalha de Moytura) para que este ajude aos Tuatha contra os Formorianos.
3. Começo da derradeira batalha de Cuchulainn (do Samain ao Imbole).

4. Festa das caveiras portadoras de fachos, para alumiar as muralhas o dia do Samain.
Hoje, o Dia de Todos os Santos e Dia de Defuntos ocupam o lugar que os Tuatha Dé e os guerreiros e povo celta ocupavam, cumha nota de melancolia e tristura que coidamos antes nom existia.
Aguardando as nossas festas iremos reconstruindo o Universo Céltigo. "Nation detita religionibus": assim definia César aos celtas: e por algo, na Gallaecia o dia dos mortos é das festas mais importantes no calendário cristiam, importância dificil de topar ao longo da geografia ibérica. O ano começa no Samain e nom era Janeiro.

Bibliografia:
- Rober Place. Los celtas. Edit. Molino
- Henri-Charles Pucch (direcçom), Las religiones antiguas III. Edit S.XXI
- Anne Ross. Druidas y Heroes de la mitologia celta. Edit. Anaya.
- M. Frntodona. Los celtas y sus mitos. Edit Bruguera-Libro ameno.
- Norman- Taylor. Los celtos. Edit. Time-Life.


sexta-feira, 6 de abril de 2012

Gallaecia: a Galtia, berço dos celtas



Segundo o Lebhar Ghabála Érenn (Livro das invasons de Irlanda, S II) a última vaga chegou a Irlanda desde o reino de Brigántia, a terra de Breogan e dos Milesianos, a atual Gallaecia. Foi Ith, filho de Breogan, quem alviscou a ilha desde umha Torre. Ith embarcou-se de cara aquela ilha, mas os nobres nativos decidiram assassiná-lo. Os Milesianos, celtas goidélicos de Brigántia (Bergantinhos), embarcaram-se rumo a Ilha para vingar a morte de Ith. Após chegar a Irlanda, encaminhar-se-ia a Tara para reclamar a soberania da ilha. Durante o caminho aparecem-se Banba, Fodla e Ériu; tríade divina que representa as deusa-nai da soberania, a mulher do rei celta. Os Milesianos, com a ajuda do seu druida Amergin, vencem finalmente aos Tuatha Dé Dannan. Por causa disto, os Irlandeses sempre acreditaram ser descendentes de galaicos.

Em 2006, Bryan Sykes ex-professor de Genética humana da Universidade de Oxford publicou o livro com o título de “The blood of the Isles”. O livro é o resultado dum estudo genético com o fim de pesquisar a origem da populaçom das Ilhas Britânicas. Os resultados avaliaram o dito pelo Lebhar Ghabála; os Irlandeses descem de “Galaicos”. Umha história conservada durante milénios pôde ser avaliada. Mas nom só isso.. A identidade de Breogan existiu entre os galaicos, tal e como evidenciaram os jazigos do Facho de Donom (Cangas do Morraço). Era o deus dos mortos, o hospedeiro do Além, o Dis Pater do que diziam descer os galos.



Faz mais de 2500 anos, um nobre da “viril” Treba ou Teuta (Tribo) galaica dos Nérios morreu em Tartessos. Lá se achou a sua lápide, e no epígrafe está a mençom mais antiga á Galalecia; a Gáltia. Quer dizer, a Céltia, o povo céltico genuíno, o berço dos celtas. Um povo que tinha umha “consciência nacional” e que tinha umha estruturaçom complexa comum aos outros povos celtas.

Mas este nome também têm a ver com a origem da sua linhagem de heróis fundadores da estirpe. É por isso que os galaicos se nomeavam a si próprios de Célticos, e é por isso que os autores do mundo clássico os identificaram como tais. Damos começo a umha viagem à génese mesma do nosso povo, da nossa origem; a “linhagem de celtiato”.



A Europa do Paleolítico final faz 20.000 anos apresentava um panorama muito distinto ao de hoje. O Último Máximo Glacial supus que as populaçons se vissem forçadas a ir para o sul pelo avanço do gelo. Isso fez com que procurassem refúgios glaciais, lugares onde o clima fosse mais benigno e permitisse a vida humana. O NW Peninsular foi um importante refúgio glacial que deu acolhimento a estas populaçons. Pelo outro lado da Europa, os Balcans e o Mar negro também foram refúgios glaciais similares mas os três estavam isolados e afastados. A populaçom do NW da P. Ibérica passa-se por um gargalo de garrafa demográfico, quer dizer, a populaçom sofre umha importante descida. É neste refúgio onde se origina o gene R1B do que falaremos a continuaçom. Ao Norte, a Europa estava sob umha grossa capa de gelo, e o nível do mar era 120m inferior ao atual, o que o mantinha afastado 12 km da costa atual.. Irlanda estava coberta pelo chamado Manto Fito-escandinavo, o qual empecia a vida humana. As capas de gelo puderam supor que o NW da P. Ibérica esteve unida as Ilhas Britânicas neste período.



Ao NW Peninsular chega umha populaçom procedente da actual Baskonia com o marcador genético Rox. Após milhares de anos produz-se umha mutaçom e surge o marcador Rory que só umha parte dos galaicos possuem. Portanto, nesta altura existiriam dous haplotipos: o Rox e o Rory. Deste último gene, o chamado “Haplotipo Modal Gaélico” é do que fala Oppenheimer no livro “The origins of the British”. Este gene está fortemente vinculado a homens irlandeses com nomes gaélicos.



18.000 anos atrás chega a fim este máximo glacial, o gelo começa a fundir-se e o nível do mar vai em aumento. A populaçom do NW Peninsular dá começo a repovoamento dos territórios do N.

Parte desta populaçom desloca-se às Ilhas Britânicas por via marítima. A colonizaçom pelo continente nom é possível por umha razom simples: Citando ao professor Manuel Díaz Regueiro (In Labirinto. Revista galega de divulgaçom científica) “A história, ainda na atualidade, está contada de tal jeito que se obvia a climatologia, determinante nos movimentos das populaçons europeias. Os grandes rios Europeus do noroeste de Europa confluíram num super-rio no Canal da Mancha há 20.000 anos, segundo nos contam na Universidade de Cambridge”. É por isto que as populaçons teriam grandes dificuldades para atravessarem a pé este rio por via continental.

Também por via fluvial, já que a corrente e a amplitude do rio faria impossível o seu trânsito com tecnologia da época. Temos de ter também em conta que a corrente marítima chamada hoje Gulf Stream favorecia esse trânsito da península às Ilhas. Esta migraçom está portanto bem definida como resultado dos estudos genéticos Acrescentamos ao dito o resultado do projecto National Geographic/IBM Genographic Project dirigido por Spencer Wells: “DNA analysis shows that the ancestors of most Irish people came from the Iberian Peninsula, who moved north after the last Ice Age, which had depopulated Ireland”. Portanto, esta populaçom do NW Peninsular levou até as Ilhas a sua cultura, a sua língua céltica (precedente do gaélico) e a sua religiom. Sendo esta a origem dos povos que denominamos de celtas cuja populaçom foi-se expandindo desde o nosso Fisterra até o N e L de Europa.



A recente Teoria da Continuidade Paleolítica aponta a esta evidência. Citando novamente ao Professor Manuel Díaz Regueiro (Labirinto. Revista galega de divulgaçom científica p. 41-40): ”Nos anos 90, três arqueólogos e três linguistas, apresentaram independentemente uns dos outros, umha nova teoria das origens do indo-europeu -semelhante á Teoria da Continuidade Urálica-, na que se reclama a ininterrupta continuidade paleolítica também dos povos e das línguas indo-europeias. Os três arqueólogos e pré-historiadores som: o americano Homer L. Thomas, o belga Marcel Otte, um dos maiores expertos do mundo do Paleolítico Meio e Superior, e o germano Alexander Haurler, um especialista na pré-história da Europa Central. Os linguistas som: Mário Alinei, Gabriele Costa e Cicerone Poghirc. “A ‘misteriosa chegada’ dos Celtas ao ocidente de Europa, obrigatória tanto do ponto de vista da Teoria Tradicional como da Teoria da Discontinuidade Neolítica (TDN), é substituída pelo panorama dumha mais primitiva diferenciaçom dos celtas, entendido como grupo indo-europeu mais ocidental da Europa. É evidente que a Europa Ocidental deve ter sido sempre celta e a recente pré-história do Ocidente Europeu -desde a cultura megalítica, atravessando pela cultura do vaso campaniforme, até colonizar La Téne- deveu ser celta. Em consequência, a duraçom da expansom colonial dos celtas foi muito mais alargada do que se tem pensado e cresceu de oeste para leste, e nom ao invés”.



Durante milhares de anos as populaçons dos países celto-atlânticos continuariam interagindo após a migraçom por causa do seu posicionamento “geo-estratégico”. Esta evidencia é salientável no transcurso dos milénios, o qual deu lugar ao que o prof. André Pena Granha denomina Direito Celta Comum ou “Celtic Common Law”.

Temos de salientar o facto de os Irlandeses conservarem em forma de lenda esta realidade histórica. Mas nom só isso, pois em certo modo os galaicos viviam na genuína céltica: a Gáltia. Temos a prova num epígrafe Tartéssico da Idade do Bronze.

O linguista e especialista em estudos celtas John T. Koch decifrou a língua tartéssica como língua celta. Um interessante epígrafe pertencente a umha lápide, decifrado por Koch diz o seguinte:
“A invocaçom dos Lúgoves da gente Néria, por um nobre da Kaltai/Galtai(=Celtia =Gal(i)tia) descansa ainda dentro. Invocando todos os heróis, o sepulcro de Tasionos recebeu-o”

Com curiosidade sinala o Professor Moralejo "...que Callaecia tendría sus allegados etimológicos en latín callus ‘callo” y collis ‘colina, en el (pre)griego colofón… Y Celtae también podría entrar en la opción etimológica *kel-. Serían algo así como los ‘altivos’(…)”. (Juan J. Moralejo Álvarez. In Callaica Nomina)



Os Nérios, etimologicamente “os viris” eram umha treba galaica. Plínio IV,111” Celtici cognomine Nerii et Supertamarci, quorum in paeninsula tres arae Sestianae Augusto dedicatae” (Os célticos ditos de Nérios e Além-Tamâricos, em cuja península há três aras Sestianas dedicadas a Augusto). Mela III,11. “Cetera Supertamarici Nerique incolunt in eo tractu ultimi” (aliás, Além-Tamáricos e Nérios moram nessa regiom última). Para o professor Higino Martins, Nérios e Supertamâricos eram os mesmos.



Todo isto quer dizer que nesta altura já existia umha complexa estruturaçom na sociedade galaica, a qual tinha portanto umha “consciência nacional”. As relaçons eram próprias dumha sociedade estratificada, partindo desde os castros que se agrupavam em filiaçons de reinos tribais até grandes reinos ou confederaçons, chegando a ter um centro real como em Irlanda. Em certas datas do ano, principalmente Samhain (Sâmanos galaico), Beltaine (Beltónios), Imbolc (Ambíwolka) e Lughnasad (Lugunastada) reuniam-se nas Óenach (Oinaikoi); assembleias políticas, religiosas, judiciarias mas também com características festivas. Estas assembleias realizavam-se em lugares com carácter sacro e nom habitado onde confluíam distintas tribos ou até grandes reinos. A mais importante, o umbigo da Gáltia, a qual poderia estar vinculada o Rei Supremo era Nemetóbriga. O equivalente galaico de Tara.

Um ônfalon (umbigo) é um centro desde o qual se acha que foi criado o mundo. Neste caso o mundo dos Galaicos: a Gáltia. Este lugar, este Axis Mundi, era um eixo de comunicaçom entre o mundo dos homens e o mundo superior dos deuses. Mas também era umha volta ao centro, às origens, ao vínculo com os devanceiros e aliás por que isso, neste ponto central celebrava-se o grande Óenach, Oinaikos em galaico) da Gáltia. Citando a Manuel Almendro: “A Óenach representava assim o retorno à unidade original e à recriaçom da orde. Servia para manter os simbolismos e o “Status quo”(…).” Era um regresso às origens, ao principio de todas as cousas, umha comemoraçom e umha representaçom do acontecimento mitológico que deu origem á sacralidade do lugar. Era um velório ao defunto fundador e as carreiras e competiçons de jogos funerários. Na Óenach, em presença de reis, nobres e povo em geral, o completo passado mitológico e cronológico da naçom era conjurado ao presente pelos druidas (na Gáltia chamados de Durbedes”. Este Ómphalos era Nemetóbriga (Situado em Trives) onde à sua vez convergiam as três grandes confederaçons: Os Oinaikos dos Ártabroi, dos Gróbioi e dos Austúroi que com a chegada do Império Romano deram lugar aos Conventos (=Oinaikos/Óenach) Lucense, Bracarense e Asturicense.



Em Nemetóbriga deveu existir umha mâmoa fundacional, ao igual do que em muitos campos sacros da nossa terra. Estas mâmoas puderam pertencer a famílias das elites dirigentes. Eram umha referência para justificar o seu poder proveniente legitimamente do devanceiro ou herói fundador. É o caso dumha mâmoa fundacional calcolítica de Cela-Nova cuja estela dizia “Aqui jaze Lateron, filho de celtiato” ou mesmo um epígrafe provavelmente vinculado ao guerreiro de Rubians que diz “Latronus Veroti Filius”: ”Ladron (de Lateronus, que anda ao par do príncipe da treba), filho de Veroto, c.f Proto-celta *U(P)ERO>UERO>VERO “alto”, ”elevado”, ”importante mais o sufixo latino –tus- veja-se comparativamente Uero Breo “Senhor da Alta Casa”( André Pena Granha: Narom, um concelho com história de seu I. pág 38). Temos de ter em conta que as magníficas estátuas galaicas estiveram originalmente sobre grandes mâmoas dizendo: Esta é a nossa terra porque aqui descansam os nossos devanceiros.

E quem será o “herói fundacional” da Gáltia (=Céltia) e dos Celtas (os altivos)? Qual será a origem da linhagem galaica?. Os gauleses diziam ser descendentes de “Dis Pater”. E se os celtas eram os altivos e a Gáltia era a altiva…todos seriam filhos do “Altíssimo”, do “Dis Pater” do senhor da elevada fortaleça, da Bero-Briga da que falam as aras do Facho de Donom. Como diriam os cristãs “todos somos filhos de Deus”.



No Facho de Donom (Cangas do Morraço) acharam-se mais de 170 aras votivas dedicadas a um Deo Lari Bero-Breo ou Bero Breogoco, quer dizer, “O Senhor da Alta Casa (dos mortos)”, o senhor de Bero-briga…a elevada fortaleça. É o deus Hospedeiro, relacionado com a palavra Irlandesa Briugú e que aparece num epígrafe galaico como “Vestio Allonieco” (O Hospedeiro do Além(?)). Mas este deus têm outros epítetos, entre eles Cernunnos. O deus cornudo, soberano do Além. A cornamenta, como a do cervo, é também umha promessa de regeneraçom, de nova vida.



É, como sustém o prof. André Pena Granha, “O deus do terceiro passo (do sol)”. Mora lá onde se oculta o Astro-Rei, na ilha paradisíaca a onde se dirigem as almas: Tír na nÓg, Tir Na Ambam, Ávalon, Beróbriga...

Lateron dizia ser filho de Celtiato (o altivo) para justificar a sua linhagem e Latronus dizia ser filho de Veroto (o alto, elevado ou importante). É por isso que os celtas, entre eles os gauleses que diziam descer do Dis Pater, eram filhos do “Senhor da Alta Fortaleça” criador da estirpe, da linhagem da Gáltia.

E esse Senhor…Bero-Breo ou Bero Breogoco nom é outro que ao que o Lebhar Gabhála Érenn é que se refere como Breogan.

Com razom o Hino galego, escrito por Eduardo Pondal, é que se refere à Nossa Terra como “Fogar de Breogan” ou “Nazón de Breogan”.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Usos e costumes dos celtas

Usos e costumes dos celtas

Para conhecer bem aos nossos antergos celtas, temos que saber dos seus contumes, do seu jeito de vê-la vida, da organizaçom da sua sociedade etc. Agora vamos saber como viviam e como pensavam, baseando-nos na informaçons que davam deles os historiadores e geógrafos clássicos.

Para gregos e romanos, o nosso povo de soldados, segundo Strabón, os celtas galaicos, “eram os mais maus de vencer de toda Hispania”. E Justiniano dize: “Na Gallaecia só as mulheres cuidam dos negócios da casa e da agricultura, por estarem os homens entregados ao ofício de soldados”. Sílio Itálico, confirma estas verbas quando exclama: “Entre os galaicos, o homem passaria por um covarde se sementara no sulco ou afundira na terra e relha dum arado. Tudo o que é alheio à guerra está nas mãos das suas infatigáveis companheiras”.
Nos poucos momentos de paz, nom esquecem as batalhas. Usam, conta Estrabón: combates gínmicos, carreira, luita e simulacros em cohortes instruídas. Também as danças tenhem um forte carácter guerreiro: “O som de cantos bárbaros, batendo a compás com as espadas nos escudos, e tal é a diversom mais querida destas gentes, tal o seu melhor prazer”. Como os demais celtas, os da Gallaecia, amarom a guerra e fizeram dela um ofício.Luitarom entre si, luitarom contra os invasores do seu cham,e por luitar, formarom mais tarde nas suas filhas. Combaterom pela liberdade da sua terra como heroes, e combaterom póla paga como mercedários.
Os escritores antigos falarom das suas virtudes guerreiras, mais pouco dizerom do seu caracter moral. Fora das suas habilidades de metalúrgicos e forjadores. Disto desprende-se póla democracia que poderia ser umha sociedade matriarcal, já que mentres os homens adicavam-se à guerra, as mulheres cuidavam da fazenda e a família. Nembargantes o papel do homem é quase dictatorial, porque se bem a base social estaba constituída pola família, quase sempre monogâmica. Também conhecem-se casos de várias mulheres legítimas e concubinas. O pai tinha umha autoridade total, incluso com direito de vida e morte sobre os filhos. O matrimónio efectuava-se meiante contrato e também pola compra da mulher; a esposa aportava no casamento um dote que o homem tinha que duplicar, se um deles morria a propriedade passava ao outro. A pesares do anterior dito a mulher tinha também relevância na sociedade celta, chegando a fazer de arbitro nas disputas, ires com o seu homem à guerra ...etc.

Afondando nos costumes podem-se estabelecer diferenças entre os que viviam nas ribeiras, e os que habitavam as montanhas, dize dos primeiros: “Os que vivem nas ribeiras tenhem costumes lacônicas. Untam-se duas vezes o corpo, usam vários vasos cozidos com pedras quentes e lavam-se com auga fria, comem frugalmente dum só alimento. Os da montanha, bebem auga, deitam-se no cham, fazem caer longamente o cabelo das mulheres, fazendo ademais que a faziana seja-lhes velada pola mitra. Comem sobre todo castrons. Alimentam-se duas partes do ano com a landras dos carvalhos, secas e esmagoladas; logo moêndoas, fazem pam desta farinha, assim garda-na para o resto do ano. Usam também cerveja, tenhem pouco vinho e gasta-no logo com os amigos em ledos banquetes. A manteiga faze entre eles o uso do aceite. Comem sentados em roda, e tenhem à beira das paredes asentos para este uso. Ao comerem dam os primeiros lares à idade e à dignidade; à hora de beberem, levam bailarins que dançam com música de flautas e trompetas, choutando, ageolhando-se e inclinando o corpo lentamente. Usam vaixelas de madeira. Os que vivem no interior das terras, usam de câmbios no canto de dinheiro, ou dam anacos de folha de prata. Aos condenados à morte botam-nos atados entre penedos; aos fracticidas, sacam-nos fora dos limites, ou matam-nos a cantaços.

Ciquais umha das melhores maneiras de conhecer a um povo seja a travesso da religiom. Os celtas practicavam a mágia, o culto aos antergos e aos deuses. Havia deuses tribais e gerais, a sua origem é problemática: alguns dizem que correspondem a antigos deuses indoeuropeus. Deste jeito, Taranis seria o deus da luz, outros seguramente eram tomados de povos conquistados, e dos povos com os que tiveram algumha relaçom. Davam culto aos seus deuses em: bosques, terras pantanosas, estes lares eram sagrados e nalguns casos fechavam-se com valados. Faziam sacrifícios humanos e de animais; criam na inmortalidade, e o ano tinha carácter ritual, os meses eram lunares e contabilizavam-se as noites no canto dos dias.

Nom há sinais de templos nem de ídolos. Havia os lares sagrados antes ditos, estes lares semelha ser que levavam o nome celta de NEMET ou NEMETON.

Os druidas na Galiza eram umha classe sacerdotal, herdeira e custodiadora das tradiçons religiosas celtas. Nom eram umha classe fechada, os seus membros reclutavam-se por eleiçom. Escolhiam a pessoas muito sábias e de grandes conhecimentos, froito dumha longa aprendizagem; umha vez que eram escolhidos recebiam a consagraçom e misturabam-se com os demais e participavam nas suas opinions.

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Bibliografia:
- Ediçom em tomos da revista “Nós”. Tomo I. – Vários
- España y los españoles hace dos mil años. – Antonio García Bellido
- Historia de Galicia – Vicente Risco
- Enciclopedia galega. – Vários
- Enciclopedia Larousse. - Vários