sábado, 31 de outubro de 2009
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
3 anos de cadeia por opinar e vender livros
A Audiência de Barcelona condenou por tres anos e médio de prisom aos responsábeis do Centro de Estudos Indo-europeus e da desaparecida Livraria Kalki de Barcelona.
A Fiscalía pedia até oito anos de cárcere, mas a Audiência rebaixou as penas. Para o camarada catalam Ramon B.F., presidente do grupo Nacional-Socialista(CEI), a pena é de tres anos e médio de prisom e 6.000 euros de multa pola difusom segundo a justiça do estado sionista espanhol, de ideias "genocidas", um delito "contra os dereitos humanos" e outro de "associaçom ilícita".
Oscar P.G., proprieário da livraria kalki em Catalunya, também foi condenado a tres anos e médio e a 3.600 euros de multa polos mesmos tres delitos. Carlos G.S., dirigente do CEI, condenaro-no polos mesmos delitos a tres anos de prisom e 3.240 euros de multa.
Esta é a liberdade de expresom do estado sionista espanhol.
A Fiscalía pedia até oito anos de cárcere, mas a Audiência rebaixou as penas. Para o camarada catalam Ramon B.F., presidente do grupo Nacional-Socialista(CEI), a pena é de tres anos e médio de prisom e 6.000 euros de multa pola difusom segundo a justiça do estado sionista espanhol, de ideias "genocidas", um delito "contra os dereitos humanos" e outro de "associaçom ilícita".
Oscar P.G., proprieário da livraria kalki em Catalunya, também foi condenado a tres anos e médio e a 3.600 euros de multa polos mesmos tres delitos. Carlos G.S., dirigente do CEI, condenaro-no polos mesmos delitos a tres anos de prisom e 3.240 euros de multa.
Esta é a liberdade de expresom do estado sionista espanhol.
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quarta-feira, 7 de outubro de 2009
A luita contra o lobby gai: um desafio do nosso tempo
Quando na actualidade falamos do tema da homosexualidade expom-se inmediatamente a umha suspeita geral. Trâ-la acusaçom de anti-semitismo, que acontece tras qualquer crítica às decisons ou às actuaçons de pessoas ou organizaçons judeas, vem no discurso público políticamente correcto o termo homicida da islamofobia.
Quem se posiciona críticamente contra as consequências da imigraçom de árabes no espaço racial e cultural europeu, teria presuntamente "medo do islam". Esta é umha cadeia argumentativa tam singular como habitual. Poderia-se também dizer que, quem nom queira comer peixe teria medo dos peixes. Argumentar dessa maneira é a tudas luzes fazê-lo de mala fé. Mas a honradez faz já muito tempo que desaparesceu da discusom política.
Precisamente é o que ocorre com a discusom sobre a posiçom dos homosexuais na sociedade. Tudo o que na actualidade está relacionado com a igualdade jurídica de direitos em tuda Europa nom pode ser criticado públicamente. Se um se manifesta contra a equiparaçom jurídica das parelhas dum mesmo sexo, entóm é um homófobo. Se um nom está dacordo que as parelhas do mesmo sexo adoptem crianças, entom se é um homófobo. Quando se inícia umha demanda judicial no estado alemam, que a DVU levou até o tribunal constitucional federal e que estava dirigida contra a equiparaçom jurídica de ditas parelhas, chegou umha dura crítica até desde as posiçons da direita: "nom debem falar assim contra gais e lesbianas"
Antes de expressar um juiço social geral sobre a homosexualidade deve deixar-se claro que evidentemente existe umha esfera privada num ámbito público. A esta esfera privada pertence também a sexualidade. Esta esfera privada tem os seus límites, por exemplo ali onde se vem afectados menores ou seja empregada a violência. Todavia faz quarenta anos nom estava permitida a homosexualidade como opçom sexual porque era considerada algo antinatural desde o ponto de vista do direito natural, ao igual que a zoofília. Com o transcurso dos trastornos esquerdistas do 68, a situaçom "liberalizou-se". Desde entom sucederom muitas cousas. Desde a "tolerância" da homosexualidade como umha desviaçom reconhecida polos normais, como o expressa Guillaume Faye certeiramente, passa-mos ao intento do lobby homosexual de "afirmar umha espécie de superioridade. Tras a igualdade de direitos chega, de seguido, a exigência de direitos especiais e, incluso, de privilégios. Fala-se já dum castigo da "homofóbia" (crítica da homosexualidade como opçom sexual), que, ao igual que a xenofóbia (para eles é o mesmo que racismo) e o anti-semitismo, deve ser penado. Noutras palavras: a homo-máfia já nom só pretende viver com liberdade senom também dominar" segundo o próprio Faye.
No momento no que a própria homosexualidade com as suas exigências sai do ámbito do privado, deve ficar exposta à crítica pública. Porque com as manifestaçons gais- que cada vez som realizadas com maior frequência- o lobby homosexual reclama um poder que o situa no ámbito do público. Polo tanto, também deve ficar sometido a crítica.
Na era dum liberalismo- que todo o infecta- tudo é normal, nom existe nenhum límite, nenhuma norma, até que nom poida já existir nenhuma norma nem nenhum límite. Até o ponto de que a opiniom de que a homosexualidade é algo anormal, já nom será permitida. Nom é casualidade que a cidade hanseática de Hamburgo faz pouco tempo destacara-sepor umha iniciativa pola que se proibi-se tuda crítica à homosexualidade.
Esta ofensiva ideologia está alimentada pola teoria do Gender-Mainstreaming, que parte da ideia de que o ser humano pode determinar a sua própria identidade sexual. Desse modo, os jovens de ambos sexos nom som influenciados, e aspira-se a umha educaçom na que nom seja possível "a antiga identificaçom de roles". Os rapazes devem acostumar-se ao específico das rapaças e viceversa, com o que o "homem autodeterminado" pode decidir em qualquer momento a sua identidade sexual. Pronto chegara-se a que os plans de estudos das nossas crianças "ampliem-se" no campo da sexualidade. As crianças seram relacionadas com parelhas homosexuais, de modo que posteriormente poderám decidir que tipo de vida prefirem, sendo a homosexual- como dize Faye- a debuxada já como a melhor.
O actual Papa Benedicto falava faz alguns anos respeito à homosexualidade, polo contrário, dumha "nocividade" para o "sã desenrolo da sociedade humana". Hoje deve afirmar-se claramente: nom estamos em absoluto ante umha descriminaçom dos homosexuais. Estamos mais bem ante a questom de se umha cultura devia valorar todas as formas de vida como normais. E se afirma que algo nom pertence ao ámbito do normal, esta opiniom deve poder dizer-se sem curta-pistas legais. Ou algo é verdade ou nom o é. Se é verdade, entóm essa verdade deve poder dizer-se.
Esta decisom faze-se necesária porque estamos ante questons fundamentais relativas ao modelo familiar e educativo. Até o ponto de que existem homosexuais que se posicionarom veementemente contra umha homofília socialmente instituida e que persigue cuotas de poder. Cada cultura pode tolerar divergências e suportâ-las. Mas as divergências nom devem converter-se no normal. Isto é válido para o problema da imigraçom e para o problema da homosexualidade.
Umha família compom-se dum pai, umha nai e crianças. Para as crianças é bom e saudável medrar com a imagem do pai e nai. Que tais verdades absolutas devam-se sublinhar é síntoma do estado de depravaçom no que já se atopa o sistema occidental. Polo demais, é importante afirmar que as novas culturas imigrantes em Europa, especialmente a Árabe encontram despreciáveis essas concepçons decadentes e com elas a tudo povo que nom concebe o normal como norma. Fecundidade e vontade de ter filhos pertencem ao acervo fundamental de tuda cultura.
Guillaume Faye chama a esta vontade de supervivência germe: "Se num povo só é quebrada a cultura, é possível todavia a cura, o restabelecimento. Sem embargo, quando o germe biológico é destruido entóm já nada é possível". Ali onde a homosexualidade nom só se apresenta fundamentalmente como um "valor bem considerado" senom ademais realçado como o melhor e dotado com direitos especiais, esta-se a ponher baixo o machete a vontade de supervivência. O culto ao gai e o rejeitamento aos nascimentos som as duas caras da mesma moeda. O problema fundamental, o que em ambos delineia-se, é o mesmo.
Polo tanto, ninguem é homofobo se na actualidade defende-se com força fronte ao ataque do lobby gay. Nem nega-se a dignidade desses seres humanos nem se descrimina. Umha cultura vivente deve desenrolar mecanismos de defesa quando as leis da vida som atropeladas e tergiversadas. Umha cultura, que declara como princípio a igualdade total, afogara-se na sua arbitraridade. Tolerância ante os diferentes, sim; elevar a diferência a norma, nom. Igualdade ante a lei, sim (os membros da comunidade racial): privilégios, nom. A luita contra o lobby gai é umha exigência dos tempos, que também deve assumir-se se nom se está disposto a congraçar-se com a idade da transmutaçom de tudos os valores.
Quem se posiciona críticamente contra as consequências da imigraçom de árabes no espaço racial e cultural europeu, teria presuntamente "medo do islam". Esta é umha cadeia argumentativa tam singular como habitual. Poderia-se também dizer que, quem nom queira comer peixe teria medo dos peixes. Argumentar dessa maneira é a tudas luzes fazê-lo de mala fé. Mas a honradez faz já muito tempo que desaparesceu da discusom política.
Precisamente é o que ocorre com a discusom sobre a posiçom dos homosexuais na sociedade. Tudo o que na actualidade está relacionado com a igualdade jurídica de direitos em tuda Europa nom pode ser criticado públicamente. Se um se manifesta contra a equiparaçom jurídica das parelhas dum mesmo sexo, entóm é um homófobo. Se um nom está dacordo que as parelhas do mesmo sexo adoptem crianças, entom se é um homófobo. Quando se inícia umha demanda judicial no estado alemam, que a DVU levou até o tribunal constitucional federal e que estava dirigida contra a equiparaçom jurídica de ditas parelhas, chegou umha dura crítica até desde as posiçons da direita: "nom debem falar assim contra gais e lesbianas"
Antes de expressar um juiço social geral sobre a homosexualidade deve deixar-se claro que evidentemente existe umha esfera privada num ámbito público. A esta esfera privada pertence também a sexualidade. Esta esfera privada tem os seus límites, por exemplo ali onde se vem afectados menores ou seja empregada a violência. Todavia faz quarenta anos nom estava permitida a homosexualidade como opçom sexual porque era considerada algo antinatural desde o ponto de vista do direito natural, ao igual que a zoofília. Com o transcurso dos trastornos esquerdistas do 68, a situaçom "liberalizou-se". Desde entom sucederom muitas cousas. Desde a "tolerância" da homosexualidade como umha desviaçom reconhecida polos normais, como o expressa Guillaume Faye certeiramente, passa-mos ao intento do lobby homosexual de "afirmar umha espécie de superioridade. Tras a igualdade de direitos chega, de seguido, a exigência de direitos especiais e, incluso, de privilégios. Fala-se já dum castigo da "homofóbia" (crítica da homosexualidade como opçom sexual), que, ao igual que a xenofóbia (para eles é o mesmo que racismo) e o anti-semitismo, deve ser penado. Noutras palavras: a homo-máfia já nom só pretende viver com liberdade senom também dominar" segundo o próprio Faye.
No momento no que a própria homosexualidade com as suas exigências sai do ámbito do privado, deve ficar exposta à crítica pública. Porque com as manifestaçons gais- que cada vez som realizadas com maior frequência- o lobby homosexual reclama um poder que o situa no ámbito do público. Polo tanto, também deve ficar sometido a crítica.
Na era dum liberalismo- que todo o infecta- tudo é normal, nom existe nenhum límite, nenhuma norma, até que nom poida já existir nenhuma norma nem nenhum límite. Até o ponto de que a opiniom de que a homosexualidade é algo anormal, já nom será permitida. Nom é casualidade que a cidade hanseática de Hamburgo faz pouco tempo destacara-sepor umha iniciativa pola que se proibi-se tuda crítica à homosexualidade.
Esta ofensiva ideologia está alimentada pola teoria do Gender-Mainstreaming, que parte da ideia de que o ser humano pode determinar a sua própria identidade sexual. Desse modo, os jovens de ambos sexos nom som influenciados, e aspira-se a umha educaçom na que nom seja possível "a antiga identificaçom de roles". Os rapazes devem acostumar-se ao específico das rapaças e viceversa, com o que o "homem autodeterminado" pode decidir em qualquer momento a sua identidade sexual. Pronto chegara-se a que os plans de estudos das nossas crianças "ampliem-se" no campo da sexualidade. As crianças seram relacionadas com parelhas homosexuais, de modo que posteriormente poderám decidir que tipo de vida prefirem, sendo a homosexual- como dize Faye- a debuxada já como a melhor.
O actual Papa Benedicto falava faz alguns anos respeito à homosexualidade, polo contrário, dumha "nocividade" para o "sã desenrolo da sociedade humana". Hoje deve afirmar-se claramente: nom estamos em absoluto ante umha descriminaçom dos homosexuais. Estamos mais bem ante a questom de se umha cultura devia valorar todas as formas de vida como normais. E se afirma que algo nom pertence ao ámbito do normal, esta opiniom deve poder dizer-se sem curta-pistas legais. Ou algo é verdade ou nom o é. Se é verdade, entóm essa verdade deve poder dizer-se.
Esta decisom faze-se necesária porque estamos ante questons fundamentais relativas ao modelo familiar e educativo. Até o ponto de que existem homosexuais que se posicionarom veementemente contra umha homofília socialmente instituida e que persigue cuotas de poder. Cada cultura pode tolerar divergências e suportâ-las. Mas as divergências nom devem converter-se no normal. Isto é válido para o problema da imigraçom e para o problema da homosexualidade.
Umha família compom-se dum pai, umha nai e crianças. Para as crianças é bom e saudável medrar com a imagem do pai e nai. Que tais verdades absolutas devam-se sublinhar é síntoma do estado de depravaçom no que já se atopa o sistema occidental. Polo demais, é importante afirmar que as novas culturas imigrantes em Europa, especialmente a Árabe encontram despreciáveis essas concepçons decadentes e com elas a tudo povo que nom concebe o normal como norma. Fecundidade e vontade de ter filhos pertencem ao acervo fundamental de tuda cultura.
Guillaume Faye chama a esta vontade de supervivência germe: "Se num povo só é quebrada a cultura, é possível todavia a cura, o restabelecimento. Sem embargo, quando o germe biológico é destruido entóm já nada é possível". Ali onde a homosexualidade nom só se apresenta fundamentalmente como um "valor bem considerado" senom ademais realçado como o melhor e dotado com direitos especiais, esta-se a ponher baixo o machete a vontade de supervivência. O culto ao gai e o rejeitamento aos nascimentos som as duas caras da mesma moeda. O problema fundamental, o que em ambos delineia-se, é o mesmo.
Polo tanto, ninguem é homofobo se na actualidade defende-se com força fronte ao ataque do lobby gay. Nem nega-se a dignidade desses seres humanos nem se descrimina. Umha cultura vivente deve desenrolar mecanismos de defesa quando as leis da vida som atropeladas e tergiversadas. Umha cultura, que declara como princípio a igualdade total, afogara-se na sua arbitraridade. Tolerância ante os diferentes, sim; elevar a diferência a norma, nom. Igualdade ante a lei, sim (os membros da comunidade racial): privilégios, nom. A luita contra o lobby gai é umha exigência dos tempos, que também deve assumir-se se nom se está disposto a congraçar-se com a idade da transmutaçom de tudos os valores.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Usos e costumes dos celtas
Usos e costumes dos celtas
Para conhecer bem aos nossos antergos celtas, temos que saber dos seus contumes, do seu jeito de vê-la vida, da organizaçom da sua sociedade etc. Agora vamos saber como viviam e como pensavam, baseando-nos na informaçons que davam deles os historiadores e geógrafos clássicos.
Para gregos e romanos, o nosso povo de soldados, segundo Strabón, os celtas galaicos, “eram os mais maus de vencer de toda Hispania”. E Justiniano dize: “Na Gallaecia só as mulheres cuidam dos negócios da casa e da agricultura, por estarem os homens entregados ao ofício de soldados”. Sílio Itálico, confirma estas verbas quando exclama: “Entre os galaicos, o homem passaria por um covarde se sementara no sulco ou afundira na terra e relha dum arado. Tudo o que é alheio à guerra está nas mãos das suas infatigáveis companheiras”.
Nos poucos momentos de paz, nom esquecem as batalhas. Usam, conta Estrabón: combates gínmicos, carreira, luita e simulacros em cohortes instruídas. Também as danças tenhem um forte carácter guerreiro: “O som de cantos bárbaros, batendo a compás com as espadas nos escudos, e tal é a diversom mais querida destas gentes, tal o seu melhor prazer”. Como os demais celtas, os da Gallaecia, amarom a guerra e fizeram dela um ofício.Luitarom entre si, luitarom contra os invasores do seu cham,e por luitar, formarom mais tarde nas suas filhas. Combaterom pela liberdade da sua terra como heroes, e combaterom póla paga como mercedários.
Os escritores antigos falarom das suas virtudes guerreiras, mais pouco dizerom do seu caracter moral. Fora das suas habilidades de metalúrgicos e forjadores. Disto desprende-se póla democracia que poderia ser umha sociedade matriarcal, já que mentres os homens adicavam-se à guerra, as mulheres cuidavam da fazenda e a família. Nembargantes o papel do homem é quase dictatorial, porque se bem a base social estaba constituída pola família, quase sempre monogâmica. Também conhecem-se casos de várias mulheres legítimas e concubinas. O pai tinha umha autoridade total, incluso com direito de vida e morte sobre os filhos. O matrimónio efectuava-se meiante contrato e também pola compra da mulher; a esposa aportava no casamento um dote que o homem tinha que duplicar, se um deles morria a propriedade passava ao outro. A pesares do anterior dito a mulher tinha também relevância na sociedade celta, chegando a fazer de arbitro nas disputas, ires com o seu homem à guerra ...etc.
Afondando nos costumes podem-se estabelecer diferenças entre os que viviam nas ribeiras, e os que habitavam as montanhas, dize dos primeiros: “Os que vivem nas ribeiras tenhem costumes lacônicas. Untam-se duas vezes o corpo, usam vários vasos cozidos com pedras quentes e lavam-se com auga fria, comem frugalmente dum só alimento. Os da montanha, bebem auga, deitam-se no cham, fazem caer longamente o cabelo das mulheres, fazendo ademais que a faziana seja-lhes velada pola mitra. Comem sobre todo castrons. Alimentam-se duas partes do ano com a landras dos carvalhos, secas e esmagoladas; logo moêndoas, fazem pam desta farinha, assim garda-na para o resto do ano. Usam também cerveja, tenhem pouco vinho e gasta-no logo com os amigos em ledos banquetes. A manteiga faze entre eles o uso do aceite. Comem sentados em roda, e tenhem à beira das paredes asentos para este uso. Ao comerem dam os primeiros lares à idade e à dignidade; à hora de beberem, levam bailarins que dançam com música de flautas e trompetas, choutando, ageolhando-se e inclinando o corpo lentamente. Usam vaixelas de madeira. Os que vivem no interior das terras, usam de câmbios no canto de dinheiro, ou dam anacos de folha de prata. Aos condenados à morte botam-nos atados entre penedos; aos fracticidas, sacam-nos fora dos limites, ou matam-nos a cantaços.
Ciquais umha das melhores maneiras de conhecer a um povo seja a travesso da religiom. Os celtas practicavam a mágia, o culto aos antergos e aos deuses. Havia deuses tribais e gerais, a sua origem é problemática: alguns dizem que correspondem a antigos deuses indoeuropeus. Deste jeito, Taranis seria o deus da luz, outros seguramente eram tomados de povos conquistados, e dos povos com os que tiveram algumha relaçom. Davam culto aos seus deuses em: bosques, terras pantanosas, estes lares eram sagrados e nalguns casos fechavam-se com valados. Faziam sacrifícios humanos e de animais; criam na inmortalidade, e o ano tinha carácter ritual, os meses eram lunares e contabilizavam-se as noites no canto dos dias.
Nom há sinais de templos nem de ídolos. Havia os lares sagrados antes ditos, estes lares semelha ser que levavam o nome celta de NEMET ou NEMETON.
Os druidas na Galiza eram umha classe sacerdotal, herdeira e custodiadora das tradiçons religiosas celtas. Nom eram umha classe fechada, os seus membros reclutavam-se por eleiçom. Escolhiam a pessoas muito sábias e de grandes conhecimentos, froito dumha longa aprendizagem; umha vez que eram escolhidos recebiam a consagraçom e misturabam-se com os demais e participavam nas suas opinions.

Bibliografia:
- Ediçom em tomos da revista “Nós”. Tomo I. – Vários
- España y los españoles hace dos mil años. – Antonio García Bellido
- Historia de Galicia – Vicente Risco
- Enciclopedia galega. – Vários
- Enciclopedia Larousse. - Vários
Para conhecer bem aos nossos antergos celtas, temos que saber dos seus contumes, do seu jeito de vê-la vida, da organizaçom da sua sociedade etc. Agora vamos saber como viviam e como pensavam, baseando-nos na informaçons que davam deles os historiadores e geógrafos clássicos.
Para gregos e romanos, o nosso povo de soldados, segundo Strabón, os celtas galaicos, “eram os mais maus de vencer de toda Hispania”. E Justiniano dize: “Na Gallaecia só as mulheres cuidam dos negócios da casa e da agricultura, por estarem os homens entregados ao ofício de soldados”. Sílio Itálico, confirma estas verbas quando exclama: “Entre os galaicos, o homem passaria por um covarde se sementara no sulco ou afundira na terra e relha dum arado. Tudo o que é alheio à guerra está nas mãos das suas infatigáveis companheiras”.
Nos poucos momentos de paz, nom esquecem as batalhas. Usam, conta Estrabón: combates gínmicos, carreira, luita e simulacros em cohortes instruídas. Também as danças tenhem um forte carácter guerreiro: “O som de cantos bárbaros, batendo a compás com as espadas nos escudos, e tal é a diversom mais querida destas gentes, tal o seu melhor prazer”. Como os demais celtas, os da Gallaecia, amarom a guerra e fizeram dela um ofício.Luitarom entre si, luitarom contra os invasores do seu cham,e por luitar, formarom mais tarde nas suas filhas. Combaterom pela liberdade da sua terra como heroes, e combaterom póla paga como mercedários.
Os escritores antigos falarom das suas virtudes guerreiras, mais pouco dizerom do seu caracter moral. Fora das suas habilidades de metalúrgicos e forjadores. Disto desprende-se póla democracia que poderia ser umha sociedade matriarcal, já que mentres os homens adicavam-se à guerra, as mulheres cuidavam da fazenda e a família. Nembargantes o papel do homem é quase dictatorial, porque se bem a base social estaba constituída pola família, quase sempre monogâmica. Também conhecem-se casos de várias mulheres legítimas e concubinas. O pai tinha umha autoridade total, incluso com direito de vida e morte sobre os filhos. O matrimónio efectuava-se meiante contrato e também pola compra da mulher; a esposa aportava no casamento um dote que o homem tinha que duplicar, se um deles morria a propriedade passava ao outro. A pesares do anterior dito a mulher tinha também relevância na sociedade celta, chegando a fazer de arbitro nas disputas, ires com o seu homem à guerra ...etc.
Afondando nos costumes podem-se estabelecer diferenças entre os que viviam nas ribeiras, e os que habitavam as montanhas, dize dos primeiros: “Os que vivem nas ribeiras tenhem costumes lacônicas. Untam-se duas vezes o corpo, usam vários vasos cozidos com pedras quentes e lavam-se com auga fria, comem frugalmente dum só alimento. Os da montanha, bebem auga, deitam-se no cham, fazem caer longamente o cabelo das mulheres, fazendo ademais que a faziana seja-lhes velada pola mitra. Comem sobre todo castrons. Alimentam-se duas partes do ano com a landras dos carvalhos, secas e esmagoladas; logo moêndoas, fazem pam desta farinha, assim garda-na para o resto do ano. Usam também cerveja, tenhem pouco vinho e gasta-no logo com os amigos em ledos banquetes. A manteiga faze entre eles o uso do aceite. Comem sentados em roda, e tenhem à beira das paredes asentos para este uso. Ao comerem dam os primeiros lares à idade e à dignidade; à hora de beberem, levam bailarins que dançam com música de flautas e trompetas, choutando, ageolhando-se e inclinando o corpo lentamente. Usam vaixelas de madeira. Os que vivem no interior das terras, usam de câmbios no canto de dinheiro, ou dam anacos de folha de prata. Aos condenados à morte botam-nos atados entre penedos; aos fracticidas, sacam-nos fora dos limites, ou matam-nos a cantaços.
Ciquais umha das melhores maneiras de conhecer a um povo seja a travesso da religiom. Os celtas practicavam a mágia, o culto aos antergos e aos deuses. Havia deuses tribais e gerais, a sua origem é problemática: alguns dizem que correspondem a antigos deuses indoeuropeus. Deste jeito, Taranis seria o deus da luz, outros seguramente eram tomados de povos conquistados, e dos povos com os que tiveram algumha relaçom. Davam culto aos seus deuses em: bosques, terras pantanosas, estes lares eram sagrados e nalguns casos fechavam-se com valados. Faziam sacrifícios humanos e de animais; criam na inmortalidade, e o ano tinha carácter ritual, os meses eram lunares e contabilizavam-se as noites no canto dos dias.
Nom há sinais de templos nem de ídolos. Havia os lares sagrados antes ditos, estes lares semelha ser que levavam o nome celta de NEMET ou NEMETON.
Os druidas na Galiza eram umha classe sacerdotal, herdeira e custodiadora das tradiçons religiosas celtas. Nom eram umha classe fechada, os seus membros reclutavam-se por eleiçom. Escolhiam a pessoas muito sábias e de grandes conhecimentos, froito dumha longa aprendizagem; umha vez que eram escolhidos recebiam a consagraçom e misturabam-se com os demais e participavam nas suas opinions.
Bibliografia:
- Ediçom em tomos da revista “Nós”. Tomo I. – Vários
- España y los españoles hace dos mil años. – Antonio García Bellido
- Historia de Galicia – Vicente Risco
- Enciclopedia galega. – Vários
- Enciclopedia Larousse. - Vários
sábado, 26 de setembro de 2009
A fidalguia galega de Otero Pedrayo
A FIDALGUIA GALEGA DE OTERO PEDRAYO

Sermos mais nós passa por umha profunda reflexom do ser galego na sua integridade como naçom e reflectando no indivíduo heterogêneo. A idade de Fidalguia em O.Pedrayo plasma-se na sua narraçom “O Fidalgo” mas vivem na sua pessoa até a sua morte. Se extraímos a essência da obra oteriana, veremos a trifuncionalidade como algo a reconstruir na sociedade galega, vista por fim desde o ponto aristocrático.
No século XIV, a nobreza galega debatia-se, faustica, numha guerra civil peninsular: Pedro O Cruel e Henrique de Trastamara atrairom a atençom da Hispania Baixo Medieval. E os galegos jogarom também, e perderom. Os partidários de D. Pedro I tiverom longas e duras persecuçons das quais sairiam beneficiados as casas castelans maioritáriamente, (além de tudo nacionalismo fácil e demagógico) que iriam sustituindo à já feble aristocracia galega medieval, ensombrecida pelo poder eclesiástico no recanto norocidental. Logo vinherom as revoltas dos Irmandinhos a meiados do século XV, que luitariam contra essa nova nobreza e parte da galega supervivente (já fidalguia). Por se fosse pouco, o bando que jogamos a finais do mesmo século por Joana a Beltraneja contra a Rainha Católica acabou por sepultar a elite social, que históricamente toca-lhe viver como facheira da harmonia dessa mesma sociedade: Igreja-Nobreza- -Campesinhado/Homem productor. Rachado o cordom umbilical desse entremeio social, Galiza houvo de agachar a cervical entre umha nobreza “alheia” e em franca decadência e umha Igreja que se ia isolando e desgaleguizando (unificaçom das Ordes desde Valladolid ao longo so século XV-XVI). Só o campesinhado mais ilhado ainda guardou o que a sua forte memória podia armacenar: essa é a Galiza na qual vivemos hoje. Cumpria, no século XIX, voltar às raigames espirituais e materiais que nos afirmam e diferenciam como naçom. Dentro dumha reconstrucçom total como povo, a trifuncionalidade social é um facto do qual os galeguistas ainda nom somos conscientes da sua verdadeira dimensom histórica e político-social.
O tempo de Otero Pedrayo, é em parte semelhante ao nosso: umha repressom da tarefa e protagonismo do agro como fonte de producçom e cultura tradicional, umha pujante revoluçom industrial que favoresce a criaçom dumha forte burguesia urbana que conleva irremisívelmente a umha sustituçom de valores sociais e espirituais entre o novo (o que já está) e a resistência do “Ancient Régime” com as suas próprias hierarquias de valores sustantivizadas no caso galego com a miragreira supervivência dumha caste fidalga nom completamente galega mas si galega- que serve de referência meta-histórica a umha funçom guerreira e heróica, cavaleiresca no seo dumha sociedade em franca crise integral.
Otero Pedrayo parte da corrente do seu intre histórico: O nacionalismo historicista do século XIX que vivia na terceira funçom e no Campesinhado, sobre-tudo, a arca onde se guardava a sabiduria dos nossos antergos, as tradiçons mais puras que ainda nom podiam restar. Penso que esta actitude está justificada perante a pirrica presença da nobreza “de segunda”, galega e diante da monstruosa “dictadura” do ambiente capitalista, social, cultural, econômico e político. A cidade vence à aldeia, é mais, vence ao paço. Hoje, derrotado o campesinhado parece-me mais oportuno o voltar a umha nova conceptualizaçom do trifuncional para saber procurar em tudos os seus elementos sociais o que mais nos achegue à nossa consciência nacional e colectiva: o agrarismo romântico finou já há muito tempo.
Castelao nom via muito claro tudas estas apreciaçons que Otero avantalhara a Risco nestas consideraçons nada nímias. Pedrayo é dos únicos da geraçom “Nós” que defende a “capa e a espada” (nada melhor dito) ao fidalgo tenente de terras, diferenciando-o muito bem do cacique neo-fidalgo de extraçom (a burguesia, como muito bem sulinha O.Pedrayo é um erro saído da própria sociedade: nom cumpre o papel que lhe corresponde na sociedade, pois meiante o benefício material, ascende ao cúmio da hierarquia, sendo esse meio, “ilegal” à hora de estabelecer umha hierarquia natural na sociedade, agás poucas excepçons. Um fidalgo pode ser pobre, mas rico (os “ricos homens” medievais) contra o que a política e intelectualmente luitam (a acçom como elemento tangível da segunda caste, cavaleiresca) desde as Irmandades da Fala ou o Partido Galeguista.
Nos primeiros anos da década dos 20 deste século, Otero escreve umha das narraçons mais evocadoras e que ciquais botava em falha a literatura (e a história) galega, como reflexo dessa necessidade de reconstrucçom integral da sociedade galega. E por isso nada melhor que a criaçom de arquétipos esquecidos na memória dumha naçom, a construcçom de “mitos”, como diria Risco para que Ys volte à superfície dumha vez para sempre. Baixo estas categorias jungianas, Pedrayo tenta reviver em pleno século XX, o que já Valle-Inclán, como galego tentara defender como Marquês de Bradomim, como carlista, como monárquico tradicional, mas ciquais tudo fosse umha estética (que algo é algo), para o Vila-Garciano de brancas barbas ainda seriamos injustos se assim o julgáramos categoricamente.
Mas o nosso Ourensá, sabe estabelecer categorias, bases ideológicas, (a diferência de Valle-Inclan ), sobre as que defender o guerreiro dos paços, ao homem heideggeriano que tenta estar mais aló do bem e do mal, mais aló do pecado. Ir percorrendo detalhadamente esta obra mestra da narrativa (muito avançada para a sua época) galega será para mim um prazer infindo.
Em “O Fidalgo” , D. Ramóm da Galiza (como o definia Blanco Amor) a esegese nietzscheana tem cabida com um cristianismo heterodoxo respeitável com o passado pagano dos seus antergos (nom esquezamos a épica pagana, heróica é fundamentalmente guerreira e mística): a fortaleça de corpo (nom sabia o que era umha doença, p.8 ), (1), a sua falha de espírito religioso e passivo que iam contra a sua indiosincrássia: “demorou-se muito nos clássicos, turrava-lhe muito a caste. E por tudo isto nom quixo ordear” (p.8 ). Este espírito de luita nom verá tampouco no religioso umha contradiçom mas si umha contemplaçom; dumha banda, os seus estudos em Fonseca, as suas visitas a Santa Clara (sabida é admiraçom de D.Ramóm por Sam Francisco), o ambiente religioso (daquela) das ruas da Compostela choiventa, ou a Igreja das Freiras onde conheceu a dona Rosinda nom se contraponhem à caça heróica (que nada tem que ver com a de hoje, “deportiva e anti-ecológica, de “satisfacçom” lúdica), a força cavaleiresca contra dos tiranos e mal-perdedores, ao combate ideológico com a burguesia prestamista e comerciante, às histórias de lobos e genealogias das que fala ao longo desta breve e rica narraçom.
O pai de D. Joham é a tradiçom perpétua, o agarimo ousado e viril (verdadeiramente viril e nom de “macho ibérico”), o que transmite a força dos da sua caste, com a mirada, com a pipa centenária de carvalho (árvore: simbologia do genealógico, as árvore sagrada céltica, o inmorrente, a tradiçom unânime de novo), o brador dos dous rios (pai e filho) que se escuita fora do paço (p.9). Ali estam os dous, a criança olhando para as serpes de fume, o velho de longas barbas (sabiduria) com o seu “império da voz” quando fala aos criados, (p.10) num ambiente de silêncio e contemplaçom activa: o velho está-se a despedir (cronológicamente, o autor indica o débalo da fidalguia com anos, 1835, 1855, ... é dizer,tenta um sentido histórico que vai mais alô do anecdótico plasmando umha transformaçom temporal e real, vivencial, social) da frol da sua caste, o seu filho (p.10).
A família cobra pois umha nova dimensom na obra oteriana sublinhando-nos que é o sangue, a descendência o que faze que um “nom morra nunca” pois perpetua-se, pela herdança ao longo dos séculos, os séculos escuros que lhe tocaram viver aos seus descendentes. O bom nele que o fidalgo tem que cumprires na sociedade de súbditos e superiores dos que se arrodea está assegurado, pois na harmonia e equilíbrio social é no que se baseia qualquer estamento da sociedade: o abuso de qualqueira delas é suficiente para que essa sociedade entre num débalo ao melhor irreparável e assim os “Que grande cavaleiro!” que ao longo da obra aparescem em boca de campesinhos e cidadans som o leiv-motiv da existência da benfeitura dessa orde social, que cumpre bem no seu papel, o Fidalgo: Frase para epitáfio: “É precisso cruzar chairas temerosas de lobos; antes de se acougar ao lume dos paços” (p.13).
Assim, a vida cotiá de fidalgo é um “rito” (nom no sentido mais sagrado da verba, bem entendido) umha ceremónia, lembremos a chegada majestuosa do filho no quarto onde morre o seu pai (que se confessa como “um rei cristiã”) como “bom seguidor da caste” (p.12) e a mão no ombreiro do pai ao seu filho sucessor qual rito estabelecido por Raimundo Lluio. Ainda hoje estremecemo-nos quando um amigo de confiança deposita em nós umha forte responsabilidade e efectua umha ceremónia do ombreiro. A morte do pai (o pai como vencelho aos antergos, só um vencelho nom um “amor” familiar próprio da mentalidade reducionista burguesa da qual participamos hoje).
Se a estética pode ser o reflexo de algo que lateja no interior, mais importante é sem dúvida o seu comportamento com os que arrodeam: serenidade, o equilíbrio aristocrático, a aureola com que D. Joham se passeia pelas ruas compostelanas ou montando a cavalo, a sua superioridade que nom é essa “superioridade sem decatar-se delo” (p.14) como poucas vezes lim noutros sítios à hora de definir o estilo dum aristocrata, pois os prejuiços quando leio e falo com alguém destes temas nom som poucos, pois partem dum conceito, para mim, errôneo da hierarquia social, aspeito que ignoram ou negam pelo medo que lhe tenhem à palavra em questom.
Mentres, o fidalginho espigado, alto (a altura como signo de distinçom nobre ainda que nom única) rube as ascadas das Praterias de Compostela, falando de genealogias (p.15) ou namorando à que ia ser a sua mulher. É importante sobrancear que a conhece “ao entrar numha pequena igreja das freiras para fazer algumha barbaridade” (p.14) acaso o D. Joham de Tirso de Molina e o D. Joham oteriano nom nos leva a algumha afinidade quando ouvimos falar dum D. Joham e a verba freiras? O mito de D. Joham suevo e galaico revive umha vez mais, como diria Ramiro de Maeztu (2) Dom Joham estremecendo-se entre os quadros de homens ilustres, da sua linhagem, homens sérios em quadros que Rosinda irá comparando para saber de onde vem o seu filho, com quem tem semelhança dumha maneira natural que hoje causariam arrepio a mais dum, esses retratos que ainda ficam nas nossas velhas casas, esses rostros serenos e extranos que tenhem mais de nós do que cremos. A sensibilidade de Otero Pedrayo chega a cúmios que fazem tremer ao mais insensível: para comprender a Otero Pedrayo há que se espir.
Voltemos a inocência parsifaliana, ao “inocente puro”, ao nécio puro, a essa infância sem maldade do adulto D. Joham que tem filhos ilegítimos e que nom pode deixar que morra o seu bastardo ( o bastardo tem direito a Brasom mas com banda diagonal de identificaçom de bastardia, nom o obviemos) vendo neste episódio a franqueza e a compreensom de Rosinda e sem embargo: “Que grande Cavaleiro!” e já no 1875, enveja dos senhores da Vila, fome dos curas e prestamistas (p.18 ), esse enjiçar simples das cousas que faze que os cregos-paganos de Otero julgem com sensibilidade (p.19): “D. Joham peca com a singeleza dumha criança”, diziam os abades severos oterianos.
Sabida é capacidade das almas nobres para entender signos e simbologias que nos rodeiam dia a dia (“o mundo está cheio de símbolos esperando a que nós lhes deamos um sentido” dizia F.Nietzsche) e o fidalgo lê histórias de javarins, de outra gente e das suas próprias caças, as setenta e sete cabeças do lobo que atopam no Brasom dos Moscoso, o seu cam “Soult” ao qual nom pode fazer outra cousa que matar quando antes delo o iria percurar para falar entre eles dous. A natureza semelha umha aliada e nom umha inimiga ou umha fonte de riqueza para produzir benefícios. Daqui xurde a diferente mentalidade entre o homem da vila, comerciante e o fidalgo contemplador e luitador, aqueles ganham terreno (que Pedrayo sublinha cronológicamente) nom só no seu próprio eido de acçom (a vila), senom que iram transformando a vida do próprio aristocrata: um carro (no canto do cavalo), passa muito tempo em Compostela, nom tem dinheiro para renovar (palavra extrana para um fidalgo) a sua cavana gandeira, empresta dinheiro e o dá desinteresadamente a “uns amigos da vila” que semelham ser boas pessoas (e que logo o enganaram), acode com “amigos” da cidade e burgueses a casas que eles mesmos modernizam e nas quais “o amo nom sabia ler os escudos” (p.26), amores perdidos pero que D. Joham oculta ao nom ir pelas ruas (Rua Nova e Vilar de Compostela) de gente devota, (“nom se pode chamar a atençom da gente devota” p.25) num nobre detalhe à religiosidade, porém “o fidalgo sempre olha para o céu”, (p.25), e o pergameo e o mel agachados nos paços da burguesia pujante significam o oculto, o perenne, “O símbolo dos bons tempos, a honradeza da Tradiçom, o tesouro da casa,(contra do conceito burguês e actual “tesouro”), o mel suave das avoas e das abelhas que zugam nos jardins antigos e lozem como pintas azadas de ouro no fundo de gules dos escudos!”.
Um mundo derruba-se e é sustituido por outro péndulo do Eterno Retorno, nom há nada que fazer contra o Destino ainda que sejamos Prometeos so século XXI. D. Joham nom pode viver neste tempo, nom tem dor, nunca tivo a dor que agora lhe sacude o corpo e a alma, a nobreza nom conhece sofrimento físico, morre-se e já está: D. Joham suicida-se como fizera com o cam, sem vanidade (sic) sem pecado. A era do Kali-Yuga agacha o momento incluso na sepultura do insigne fidalgo: umha sombra de mármore dum protagonista vence para nom vencer, derrota para ser derrotado.
A “Geraçom Nós” tenta estabelecer umha nova elite, umha nova e antiga aristocracia que lateja ainda inmorrente na alma galega. Cequais “O Fidalgo” poida ser o revulsivo literário para encetar esta longa e secular andaina, cequais nom seja este modelo oteriano o que haja que seguir literalmente mas si pagou a pena que os luitadores intelectuais de primeiros de século XX combatiram nesse “Ocaso dos Deuses” chamado Guerra Civil para que logo dela rexurdira umha verdadeira Galiza que se resiste a ser só milheiros e milheiros de labregos e emigrantes dominados por capitais e gentes alheias a nós mesmos. Necessitamos esse espírito quixoteiro que nos falha, a tarefa é longa e titânica mas nom impossível. Obrigado pela sua mensagem, D. Ramóm, a história dá-nos essa oportunidade para demonstrar, para fechar esse círculo que nunca se fechou na consciência nacional galaica: SERMOS MAIS NÓS.
Notas:
(1) Para o comentário desta obra empregamos a ediçom, nom tudo o coidada que se quereria de Otero Pedrayo, Ramóm, o Fidalgo e outras narraçons. Biblioteca Básica da Cultura Galega. Galaxia, Vigo, 1982, e o especial de A NOSA TERRA. A sombra inmensa de Otero Pedrayo, Extra nº8, Vigo, 1988
(2) Maeztu,Ramiro, D.Juan, La Celestina y El Quijote. Espasa-Calpe, Colecçom Austral.
Sermos mais nós passa por umha profunda reflexom do ser galego na sua integridade como naçom e reflectando no indivíduo heterogêneo. A idade de Fidalguia em O.Pedrayo plasma-se na sua narraçom “O Fidalgo” mas vivem na sua pessoa até a sua morte. Se extraímos a essência da obra oteriana, veremos a trifuncionalidade como algo a reconstruir na sociedade galega, vista por fim desde o ponto aristocrático.
No século XIV, a nobreza galega debatia-se, faustica, numha guerra civil peninsular: Pedro O Cruel e Henrique de Trastamara atrairom a atençom da Hispania Baixo Medieval. E os galegos jogarom também, e perderom. Os partidários de D. Pedro I tiverom longas e duras persecuçons das quais sairiam beneficiados as casas castelans maioritáriamente, (além de tudo nacionalismo fácil e demagógico) que iriam sustituindo à já feble aristocracia galega medieval, ensombrecida pelo poder eclesiástico no recanto norocidental. Logo vinherom as revoltas dos Irmandinhos a meiados do século XV, que luitariam contra essa nova nobreza e parte da galega supervivente (já fidalguia). Por se fosse pouco, o bando que jogamos a finais do mesmo século por Joana a Beltraneja contra a Rainha Católica acabou por sepultar a elite social, que históricamente toca-lhe viver como facheira da harmonia dessa mesma sociedade: Igreja-Nobreza- -Campesinhado/Homem productor. Rachado o cordom umbilical desse entremeio social, Galiza houvo de agachar a cervical entre umha nobreza “alheia” e em franca decadência e umha Igreja que se ia isolando e desgaleguizando (unificaçom das Ordes desde Valladolid ao longo so século XV-XVI). Só o campesinhado mais ilhado ainda guardou o que a sua forte memória podia armacenar: essa é a Galiza na qual vivemos hoje. Cumpria, no século XIX, voltar às raigames espirituais e materiais que nos afirmam e diferenciam como naçom. Dentro dumha reconstrucçom total como povo, a trifuncionalidade social é um facto do qual os galeguistas ainda nom somos conscientes da sua verdadeira dimensom histórica e político-social.
O tempo de Otero Pedrayo, é em parte semelhante ao nosso: umha repressom da tarefa e protagonismo do agro como fonte de producçom e cultura tradicional, umha pujante revoluçom industrial que favoresce a criaçom dumha forte burguesia urbana que conleva irremisívelmente a umha sustituçom de valores sociais e espirituais entre o novo (o que já está) e a resistência do “Ancient Régime” com as suas próprias hierarquias de valores sustantivizadas no caso galego com a miragreira supervivência dumha caste fidalga nom completamente galega mas si galega- que serve de referência meta-histórica a umha funçom guerreira e heróica, cavaleiresca no seo dumha sociedade em franca crise integral.
Otero Pedrayo parte da corrente do seu intre histórico: O nacionalismo historicista do século XIX que vivia na terceira funçom e no Campesinhado, sobre-tudo, a arca onde se guardava a sabiduria dos nossos antergos, as tradiçons mais puras que ainda nom podiam restar. Penso que esta actitude está justificada perante a pirrica presença da nobreza “de segunda”, galega e diante da monstruosa “dictadura” do ambiente capitalista, social, cultural, econômico e político. A cidade vence à aldeia, é mais, vence ao paço. Hoje, derrotado o campesinhado parece-me mais oportuno o voltar a umha nova conceptualizaçom do trifuncional para saber procurar em tudos os seus elementos sociais o que mais nos achegue à nossa consciência nacional e colectiva: o agrarismo romântico finou já há muito tempo.
Castelao nom via muito claro tudas estas apreciaçons que Otero avantalhara a Risco nestas consideraçons nada nímias. Pedrayo é dos únicos da geraçom “Nós” que defende a “capa e a espada” (nada melhor dito) ao fidalgo tenente de terras, diferenciando-o muito bem do cacique neo-fidalgo de extraçom (a burguesia, como muito bem sulinha O.Pedrayo é um erro saído da própria sociedade: nom cumpre o papel que lhe corresponde na sociedade, pois meiante o benefício material, ascende ao cúmio da hierarquia, sendo esse meio, “ilegal” à hora de estabelecer umha hierarquia natural na sociedade, agás poucas excepçons. Um fidalgo pode ser pobre, mas rico (os “ricos homens” medievais) contra o que a política e intelectualmente luitam (a acçom como elemento tangível da segunda caste, cavaleiresca) desde as Irmandades da Fala ou o Partido Galeguista.
Nos primeiros anos da década dos 20 deste século, Otero escreve umha das narraçons mais evocadoras e que ciquais botava em falha a literatura (e a história) galega, como reflexo dessa necessidade de reconstrucçom integral da sociedade galega. E por isso nada melhor que a criaçom de arquétipos esquecidos na memória dumha naçom, a construcçom de “mitos”, como diria Risco para que Ys volte à superfície dumha vez para sempre. Baixo estas categorias jungianas, Pedrayo tenta reviver em pleno século XX, o que já Valle-Inclán, como galego tentara defender como Marquês de Bradomim, como carlista, como monárquico tradicional, mas ciquais tudo fosse umha estética (que algo é algo), para o Vila-Garciano de brancas barbas ainda seriamos injustos se assim o julgáramos categoricamente.
Mas o nosso Ourensá, sabe estabelecer categorias, bases ideológicas, (a diferência de Valle-Inclan ), sobre as que defender o guerreiro dos paços, ao homem heideggeriano que tenta estar mais aló do bem e do mal, mais aló do pecado. Ir percorrendo detalhadamente esta obra mestra da narrativa (muito avançada para a sua época) galega será para mim um prazer infindo.
Em “O Fidalgo” , D. Ramóm da Galiza (como o definia Blanco Amor) a esegese nietzscheana tem cabida com um cristianismo heterodoxo respeitável com o passado pagano dos seus antergos (nom esquezamos a épica pagana, heróica é fundamentalmente guerreira e mística): a fortaleça de corpo (nom sabia o que era umha doença, p.8 ), (1), a sua falha de espírito religioso e passivo que iam contra a sua indiosincrássia: “demorou-se muito nos clássicos, turrava-lhe muito a caste. E por tudo isto nom quixo ordear” (p.8 ). Este espírito de luita nom verá tampouco no religioso umha contradiçom mas si umha contemplaçom; dumha banda, os seus estudos em Fonseca, as suas visitas a Santa Clara (sabida é admiraçom de D.Ramóm por Sam Francisco), o ambiente religioso (daquela) das ruas da Compostela choiventa, ou a Igreja das Freiras onde conheceu a dona Rosinda nom se contraponhem à caça heróica (que nada tem que ver com a de hoje, “deportiva e anti-ecológica, de “satisfacçom” lúdica), a força cavaleiresca contra dos tiranos e mal-perdedores, ao combate ideológico com a burguesia prestamista e comerciante, às histórias de lobos e genealogias das que fala ao longo desta breve e rica narraçom.
O pai de D. Joham é a tradiçom perpétua, o agarimo ousado e viril (verdadeiramente viril e nom de “macho ibérico”), o que transmite a força dos da sua caste, com a mirada, com a pipa centenária de carvalho (árvore: simbologia do genealógico, as árvore sagrada céltica, o inmorrente, a tradiçom unânime de novo), o brador dos dous rios (pai e filho) que se escuita fora do paço (p.9). Ali estam os dous, a criança olhando para as serpes de fume, o velho de longas barbas (sabiduria) com o seu “império da voz” quando fala aos criados, (p.10) num ambiente de silêncio e contemplaçom activa: o velho está-se a despedir (cronológicamente, o autor indica o débalo da fidalguia com anos, 1835, 1855, ... é dizer,tenta um sentido histórico que vai mais alô do anecdótico plasmando umha transformaçom temporal e real, vivencial, social) da frol da sua caste, o seu filho (p.10).
A família cobra pois umha nova dimensom na obra oteriana sublinhando-nos que é o sangue, a descendência o que faze que um “nom morra nunca” pois perpetua-se, pela herdança ao longo dos séculos, os séculos escuros que lhe tocaram viver aos seus descendentes. O bom nele que o fidalgo tem que cumprires na sociedade de súbditos e superiores dos que se arrodea está assegurado, pois na harmonia e equilíbrio social é no que se baseia qualquer estamento da sociedade: o abuso de qualqueira delas é suficiente para que essa sociedade entre num débalo ao melhor irreparável e assim os “Que grande cavaleiro!” que ao longo da obra aparescem em boca de campesinhos e cidadans som o leiv-motiv da existência da benfeitura dessa orde social, que cumpre bem no seu papel, o Fidalgo: Frase para epitáfio: “É precisso cruzar chairas temerosas de lobos; antes de se acougar ao lume dos paços” (p.13).
Assim, a vida cotiá de fidalgo é um “rito” (nom no sentido mais sagrado da verba, bem entendido) umha ceremónia, lembremos a chegada majestuosa do filho no quarto onde morre o seu pai (que se confessa como “um rei cristiã”) como “bom seguidor da caste” (p.12) e a mão no ombreiro do pai ao seu filho sucessor qual rito estabelecido por Raimundo Lluio. Ainda hoje estremecemo-nos quando um amigo de confiança deposita em nós umha forte responsabilidade e efectua umha ceremónia do ombreiro. A morte do pai (o pai como vencelho aos antergos, só um vencelho nom um “amor” familiar próprio da mentalidade reducionista burguesa da qual participamos hoje).
Se a estética pode ser o reflexo de algo que lateja no interior, mais importante é sem dúvida o seu comportamento com os que arrodeam: serenidade, o equilíbrio aristocrático, a aureola com que D. Joham se passeia pelas ruas compostelanas ou montando a cavalo, a sua superioridade que nom é essa “superioridade sem decatar-se delo” (p.14) como poucas vezes lim noutros sítios à hora de definir o estilo dum aristocrata, pois os prejuiços quando leio e falo com alguém destes temas nom som poucos, pois partem dum conceito, para mim, errôneo da hierarquia social, aspeito que ignoram ou negam pelo medo que lhe tenhem à palavra em questom.
Mentres, o fidalginho espigado, alto (a altura como signo de distinçom nobre ainda que nom única) rube as ascadas das Praterias de Compostela, falando de genealogias (p.15) ou namorando à que ia ser a sua mulher. É importante sobrancear que a conhece “ao entrar numha pequena igreja das freiras para fazer algumha barbaridade” (p.14) acaso o D. Joham de Tirso de Molina e o D. Joham oteriano nom nos leva a algumha afinidade quando ouvimos falar dum D. Joham e a verba freiras? O mito de D. Joham suevo e galaico revive umha vez mais, como diria Ramiro de Maeztu (2) Dom Joham estremecendo-se entre os quadros de homens ilustres, da sua linhagem, homens sérios em quadros que Rosinda irá comparando para saber de onde vem o seu filho, com quem tem semelhança dumha maneira natural que hoje causariam arrepio a mais dum, esses retratos que ainda ficam nas nossas velhas casas, esses rostros serenos e extranos que tenhem mais de nós do que cremos. A sensibilidade de Otero Pedrayo chega a cúmios que fazem tremer ao mais insensível: para comprender a Otero Pedrayo há que se espir.
Voltemos a inocência parsifaliana, ao “inocente puro”, ao nécio puro, a essa infância sem maldade do adulto D. Joham que tem filhos ilegítimos e que nom pode deixar que morra o seu bastardo ( o bastardo tem direito a Brasom mas com banda diagonal de identificaçom de bastardia, nom o obviemos) vendo neste episódio a franqueza e a compreensom de Rosinda e sem embargo: “Que grande Cavaleiro!” e já no 1875, enveja dos senhores da Vila, fome dos curas e prestamistas (p.18 ), esse enjiçar simples das cousas que faze que os cregos-paganos de Otero julgem com sensibilidade (p.19): “D. Joham peca com a singeleza dumha criança”, diziam os abades severos oterianos.
Sabida é capacidade das almas nobres para entender signos e simbologias que nos rodeiam dia a dia (“o mundo está cheio de símbolos esperando a que nós lhes deamos um sentido” dizia F.Nietzsche) e o fidalgo lê histórias de javarins, de outra gente e das suas próprias caças, as setenta e sete cabeças do lobo que atopam no Brasom dos Moscoso, o seu cam “Soult” ao qual nom pode fazer outra cousa que matar quando antes delo o iria percurar para falar entre eles dous. A natureza semelha umha aliada e nom umha inimiga ou umha fonte de riqueza para produzir benefícios. Daqui xurde a diferente mentalidade entre o homem da vila, comerciante e o fidalgo contemplador e luitador, aqueles ganham terreno (que Pedrayo sublinha cronológicamente) nom só no seu próprio eido de acçom (a vila), senom que iram transformando a vida do próprio aristocrata: um carro (no canto do cavalo), passa muito tempo em Compostela, nom tem dinheiro para renovar (palavra extrana para um fidalgo) a sua cavana gandeira, empresta dinheiro e o dá desinteresadamente a “uns amigos da vila” que semelham ser boas pessoas (e que logo o enganaram), acode com “amigos” da cidade e burgueses a casas que eles mesmos modernizam e nas quais “o amo nom sabia ler os escudos” (p.26), amores perdidos pero que D. Joham oculta ao nom ir pelas ruas (Rua Nova e Vilar de Compostela) de gente devota, (“nom se pode chamar a atençom da gente devota” p.25) num nobre detalhe à religiosidade, porém “o fidalgo sempre olha para o céu”, (p.25), e o pergameo e o mel agachados nos paços da burguesia pujante significam o oculto, o perenne, “O símbolo dos bons tempos, a honradeza da Tradiçom, o tesouro da casa,(contra do conceito burguês e actual “tesouro”), o mel suave das avoas e das abelhas que zugam nos jardins antigos e lozem como pintas azadas de ouro no fundo de gules dos escudos!”.
Um mundo derruba-se e é sustituido por outro péndulo do Eterno Retorno, nom há nada que fazer contra o Destino ainda que sejamos Prometeos so século XXI. D. Joham nom pode viver neste tempo, nom tem dor, nunca tivo a dor que agora lhe sacude o corpo e a alma, a nobreza nom conhece sofrimento físico, morre-se e já está: D. Joham suicida-se como fizera com o cam, sem vanidade (sic) sem pecado. A era do Kali-Yuga agacha o momento incluso na sepultura do insigne fidalgo: umha sombra de mármore dum protagonista vence para nom vencer, derrota para ser derrotado.
A “Geraçom Nós” tenta estabelecer umha nova elite, umha nova e antiga aristocracia que lateja ainda inmorrente na alma galega. Cequais “O Fidalgo” poida ser o revulsivo literário para encetar esta longa e secular andaina, cequais nom seja este modelo oteriano o que haja que seguir literalmente mas si pagou a pena que os luitadores intelectuais de primeiros de século XX combatiram nesse “Ocaso dos Deuses” chamado Guerra Civil para que logo dela rexurdira umha verdadeira Galiza que se resiste a ser só milheiros e milheiros de labregos e emigrantes dominados por capitais e gentes alheias a nós mesmos. Necessitamos esse espírito quixoteiro que nos falha, a tarefa é longa e titânica mas nom impossível. Obrigado pela sua mensagem, D. Ramóm, a história dá-nos essa oportunidade para demonstrar, para fechar esse círculo que nunca se fechou na consciência nacional galaica: SERMOS MAIS NÓS.
Notas:
(1) Para o comentário desta obra empregamos a ediçom, nom tudo o coidada que se quereria de Otero Pedrayo, Ramóm, o Fidalgo e outras narraçons. Biblioteca Básica da Cultura Galega. Galaxia, Vigo, 1982, e o especial de A NOSA TERRA. A sombra inmensa de Otero Pedrayo, Extra nº8, Vigo, 1988
(2) Maeztu,Ramiro, D.Juan, La Celestina y El Quijote. Espasa-Calpe, Colecçom Austral.
A mitologia em Pondal
A MITOLOGIA EM PONDAL

O melhor da poesia pondaliana há que procurâ-lo sem dúvida no breve volume de “Queixumes dos pinos” . Os ritmos sinxelos, as estrofas sonoras e quentes, os intensos latexos do texto, reflexam a baruda voz do poeta. A mítica raizame da tradiçom celta mostra-se expresada nessa voz. Forom os poemas gaélicos os que lhe emprestarom a Pondal o amor à natureza salvagem, o ar de senhardade e afastamento, a reverência pólos feitos gloriosos anteriores à história.
Quando o dolmem de Dombate fala-lhe de tempos recuados, umha tensa ledícia alampa-lhe o peito. O Val de Brantoa, amado dos celtas, desperta-lhe o som de muitas lonjanas lembranças. No mundo da sua paisagem rejurdem velhos ecos das castinheiras de Dormeá, da Campá de Brandomil, ou do garrido castro Nemenço. As musas vistem, no verso pondaliano, tragens ancestrais, e dançam ao acougo das acinheiras sagras a cançon inmorrente ouverá. Noutros momentos tremem os marmúrios do pinheiral de Telha, ou os sons evocadores das campa de Anlhons.
Eduardo Pondal, bardo senlheiro, soubo da existência dumha céltia antiga, traduzindo a cifra estelar dos mistérios. Andivo a ler as nom labradas inscripçons nos penedos das terra solar de Bergantinhos para formular a sua profecia. Fixo vibrar nos seus poemas o nosso passado mais escuro e primigênio, entre o soar dos pinheiros e o balbordo do mar. Trouxo assim os acentos do ignorado preteito; cousas que os livros nom conhecerom e que a tradiçom esquecera. Na sua arpa bárdica puxo à nossa terra a cantar. A travês da arpada música revive a naçom esquecida, e os mitos antingem umha seguridade precisa de verdade.
O poeta bergantinham criou umha mitologia peculiar, a sua, a da Galiza. Resucitando a alma do passado, troucou-na em símbolo dumha pátria velha e eterna. Traduciu o espírito integral da terra própria, birlhando como um luzeiro sobre o mar épico dos destinos. Afundiu os olhos e as mãos na memória do pretérito, e arrincou dela um magnífico botim. Para Pondal, o sentido do mundo era geológico e racial. A paisagem mete-se no cerne da sua poesia. Em ocasons, mesmo semelha que a heroicidade desta é obra do vento. O vento e o mar dam-lhe o seu tom. Só uns pulmons tam rexos puiderom oferecer, sem alentar, tam lonja e aoesa proclama. Trata-se do berro mais expresivo e verdadeiro da natureza galega. A sua voz era a voz dos penedos e dos cons, namorada dos horizontes mareiros. E misturado com ela, o fundo amor ao segredo das gândaras e as branhas.
Os topônimos que reverdez o verso pondaliano guindam-se desde as penedias ao paronama do mar presentido, ou presente, em sinfonia de farallons. Mas emparelham-se também pela ribeira das labranças, pelo terreio preto e calmoso, ourizado pelo rio e animado pólo borborinho dos pinheirais. Som os caminhos e as vertentes de Neminha, Muxia, Morpeguite, Corcubiom, Camarinhas, Coucieiro, Bergantinhos, Suxo. Som os baixios de Camelhe, Corme, Lagem, Ponte-Ceso. Os povos, os lares, os cabos, os cons, prestam-lhes os seus eufônicos nomes à mitologia do poeta. E este re-descobre a velha linhagem que na paisagem asentou as suas expresivas amosas.
O autor de Queixumes dos Pinos sentiu a fonda arela de se ceivar da lama, e ser espírito. Anceiava misturar-se com a natureza, com a do mar bravo na que se guarda a consciência cósmica. Na terra de Xalhas, cenário desta soidade guindou o seu berro baril. Despertou-no um bater de ás salvagens; envejava aos corvos, e queria, esquecido dos homens e do tempo, vagar pela gândara para se atopar mais perto da própria alma. Nos seus poemas, por outra banda, sobranceia o acento profético que o conmoveu. Deu a conhecer a essência primordial, no que tem de baruda, de magnificamente criadora. Esculcou no passado, mas com aceio posto nas energias da vida. Preferiu sempre a soberba intranquilidade do espírito à inquietude apagada da matéria.

Antes que nada, Dom Eduardo Pondal foi intensidade. Encheu a sua obra de tam rexa actitude de viver, que o seu aceno eterniza-se numha encarnaçom de lenda. Foi um sentidor do mundo celta, um poeta de rexo cerne, umha voz funda acugulada de saudade cósmica. Poderia equipar-se a Galiza, com cuia extrana mesturou-se. Por isso, como dixo alguém, os trenos pondalianos fizerom época na história galega; derom a pauta para pescudar as razons históricas que insuflarom vida à realidade geográfica da nossa naçom.
O melhor da poesia pondaliana há que procurâ-lo sem dúvida no breve volume de “Queixumes dos pinos” . Os ritmos sinxelos, as estrofas sonoras e quentes, os intensos latexos do texto, reflexam a baruda voz do poeta. A mítica raizame da tradiçom celta mostra-se expresada nessa voz. Forom os poemas gaélicos os que lhe emprestarom a Pondal o amor à natureza salvagem, o ar de senhardade e afastamento, a reverência pólos feitos gloriosos anteriores à história.
Quando o dolmem de Dombate fala-lhe de tempos recuados, umha tensa ledícia alampa-lhe o peito. O Val de Brantoa, amado dos celtas, desperta-lhe o som de muitas lonjanas lembranças. No mundo da sua paisagem rejurdem velhos ecos das castinheiras de Dormeá, da Campá de Brandomil, ou do garrido castro Nemenço. As musas vistem, no verso pondaliano, tragens ancestrais, e dançam ao acougo das acinheiras sagras a cançon inmorrente ouverá. Noutros momentos tremem os marmúrios do pinheiral de Telha, ou os sons evocadores das campa de Anlhons.
Eduardo Pondal, bardo senlheiro, soubo da existência dumha céltia antiga, traduzindo a cifra estelar dos mistérios. Andivo a ler as nom labradas inscripçons nos penedos das terra solar de Bergantinhos para formular a sua profecia. Fixo vibrar nos seus poemas o nosso passado mais escuro e primigênio, entre o soar dos pinheiros e o balbordo do mar. Trouxo assim os acentos do ignorado preteito; cousas que os livros nom conhecerom e que a tradiçom esquecera. Na sua arpa bárdica puxo à nossa terra a cantar. A travês da arpada música revive a naçom esquecida, e os mitos antingem umha seguridade precisa de verdade.
O poeta bergantinham criou umha mitologia peculiar, a sua, a da Galiza. Resucitando a alma do passado, troucou-na em símbolo dumha pátria velha e eterna. Traduciu o espírito integral da terra própria, birlhando como um luzeiro sobre o mar épico dos destinos. Afundiu os olhos e as mãos na memória do pretérito, e arrincou dela um magnífico botim. Para Pondal, o sentido do mundo era geológico e racial. A paisagem mete-se no cerne da sua poesia. Em ocasons, mesmo semelha que a heroicidade desta é obra do vento. O vento e o mar dam-lhe o seu tom. Só uns pulmons tam rexos puiderom oferecer, sem alentar, tam lonja e aoesa proclama. Trata-se do berro mais expresivo e verdadeiro da natureza galega. A sua voz era a voz dos penedos e dos cons, namorada dos horizontes mareiros. E misturado com ela, o fundo amor ao segredo das gândaras e as branhas.
Os topônimos que reverdez o verso pondaliano guindam-se desde as penedias ao paronama do mar presentido, ou presente, em sinfonia de farallons. Mas emparelham-se também pela ribeira das labranças, pelo terreio preto e calmoso, ourizado pelo rio e animado pólo borborinho dos pinheirais. Som os caminhos e as vertentes de Neminha, Muxia, Morpeguite, Corcubiom, Camarinhas, Coucieiro, Bergantinhos, Suxo. Som os baixios de Camelhe, Corme, Lagem, Ponte-Ceso. Os povos, os lares, os cabos, os cons, prestam-lhes os seus eufônicos nomes à mitologia do poeta. E este re-descobre a velha linhagem que na paisagem asentou as suas expresivas amosas.
O autor de Queixumes dos Pinos sentiu a fonda arela de se ceivar da lama, e ser espírito. Anceiava misturar-se com a natureza, com a do mar bravo na que se guarda a consciência cósmica. Na terra de Xalhas, cenário desta soidade guindou o seu berro baril. Despertou-no um bater de ás salvagens; envejava aos corvos, e queria, esquecido dos homens e do tempo, vagar pela gândara para se atopar mais perto da própria alma. Nos seus poemas, por outra banda, sobranceia o acento profético que o conmoveu. Deu a conhecer a essência primordial, no que tem de baruda, de magnificamente criadora. Esculcou no passado, mas com aceio posto nas energias da vida. Preferiu sempre a soberba intranquilidade do espírito à inquietude apagada da matéria.
Antes que nada, Dom Eduardo Pondal foi intensidade. Encheu a sua obra de tam rexa actitude de viver, que o seu aceno eterniza-se numha encarnaçom de lenda. Foi um sentidor do mundo celta, um poeta de rexo cerne, umha voz funda acugulada de saudade cósmica. Poderia equipar-se a Galiza, com cuia extrana mesturou-se. Por isso, como dixo alguém, os trenos pondalianos fizerom época na história galega; derom a pauta para pescudar as razons históricas que insuflarom vida à realidade geográfica da nossa naçom.
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