segunda-feira, 16 de julho de 2012

Hitler e Owens; o fim dumha mentira


"Quando voltei ao meu país natal, despois de todas as histórias sobre Hitler, nom puidem viaxar na parte dianteira do autocarro. Voltei à porta de atrás e nom podia viver onde queria."

Sempre crerom que durante as Olimpíadas de Berlín, no ano 1936, Hitler enojou-se ao comprovar que Jesse Owens, um atleta negro ganhara tantas medalhas nos jogos que, a priori, iam demostrar a superioridade da raça ariana que Hitler pregoava. Aproveitando as Olimpiadas de London demostrare-mos que a história nom foi como a contarom e que o Führer deu os parabens a Jesse Owen pelas suas vitórias. Ademais, Germânia rematou os jogos como o país com mais medalhas, o que da a entender que o humor de Hitler nom deveu ser tam mau.

OLIMPÍADAS DE BERLIN 1936

A prensa "internacional" faze mais de 70 anos que vem repetindo que o excepcional atleta Jesse Owens, conquistador de 4 medalhas de ouro nas Olimpíadas de 1936 em Berlin; que forom organizadas para mostrar ao mundo a superioridade da raça ariana; que desmoralizou esta raça; Hitler nom o teria saudado por ser negro, e teria ficado tam irritado com as sus vitorias, que abandonou o Estádio..., mas vejamos alguns antecedentes históricos, como por exemplo os integrantes do Comité Olimpico Internacional (COI) desse entóm.

HOMENAGEADOS PUBLICAMENTE POR HITLER

O rotativo "Correio do Povo" de Porto Alegre, na sua reportagem do 5 de Agosto de 1936, conta-nos  o que sucedeu em Berlin o día 2 de Agosto de 1936,  primeiro día de competiçons:
"Hitler presenciou parte das provas no estádio, fixo-se apresentar aos vencedores das modalidades que presenciava dende a tribuna oficial. Deu os parabens pessoalmente à Srta. Fleischer da Germânia, pola sua vitoria no lançamento de jabalina. O director desportivo, Von Tschammer Osten, presentou-lhe também ás rapaças Kurgen, de Germânia, 2ª colocada, e Knasnievska de Polónia, a terceira colocada. Mais tarde, Hitler saudaria pessoalmente aos três fineses dos 10.000 metros; ao germano Woellke, vencedor de lançamento de peso, e os segundo e terceiro respectivamente; o finês Baerlunde e o germano Stoeck." "Depois disto, e antes de se retirar do estádio, dacordo com a informaçom do Sr. Duncan, secretario geral da Associaçom Olímpica Britânica, — os membros do Comité Olímpico Internacional solicitarom ao Führer que se abstivera de continuar saudando públicamente aos vencedores de cada prova, concretamente Henri Baillet-Latour, que dacordo com o protocolo olímpico, um convidado de honra do comité olímpico nom deveria saudar aos vencedores. Isto sucedeu antes de que CORNELIUS JOHNSON, (E NOM JESSE OWENS) atleta negro dos EUA, fosse laureado com a medalha de ouro em salto de altura." Ou seja que ao Führer solicitouse-lhe cumprir um "requerimento protocolar", certamente que despois do pedido do C. O. I. nom houvo mais saudos em público por parte do Führer durante todo o resto da Olimpíada, nem para os negros nem para os brancos, nem para nenhuma outra raça.



Manipulaçom neste mesmo verão na televisom, em referência ao caso que descreve-mos

A PRIMEIRA MEDALHA DE OURO DE JESSE OWENS

Na prova final dos 100 metros, venceu Jesse Owens, como ja era esperado pelo público que o tivera visto bater o record mundial nas eliminatórias. O tempo da prova final foi de 10.3 segundos, igualando o record olímpico. Ao respeito, o "Correio do Povo" do 4/VIII/1936, publicou:

"Despois de triunfar  nos 100 metros, Jesse Owens declarou aos reporteiros: “É difícil imaginar a minha ledícia. Quando corria , houvo um momento em que me pareceu mesmo poder voar. Todo o estadio  mostrava-se tam animado, que contagiou-me e corrim com mais ´ledícia; semelhando ter perdido o peso do meu corpo. O entusiasmo desportivo dos espectadores germanos impresionou-me fondamente, especialmente a cavaleiresca atitude  do público. Podem dizer a todos que agradecemos a hospitalidade germana." Era a sua primeira medalha de ouro.

SALTO LONGO

A sua segunda medalha de ouro foi conseguida no salto longo, em disputa com o atleta germano Lutz Long, que na série igualará ao atleta negro com 7,87 metros. Entom, Owens no seu derradeiro salto, alcançou os 8,06 metros, um record que se manteria mundialmente invicto por 24 anos. Long, ansioso por superar a marca de Jesse, saltou por derradeira vez, fracassando sem embargo. Há que ter em conta o espírito desportivo que existiu nesta olimpíada; pois despois da vitória, Jesse comentou que venceu graças aos conselhos recebidos do seu principal competidor, o "ariano" Long, do qual foi íntimo amigo por muitos anos.



TERCEIRA E QUARTA MEDALHAS: HOMENAGEM

Owens preparava-se para a sua terceira medalha de ouro, nos 200 metros chans. Pese ao mal tempo, o estádio para 110.000 pessoas estava cheio, como sempre, ninguém queria perder o espectáculo. Nas eliminatórias ele já  arrasara com o record mundial em 21,3 segundos. Dende a arrancada Jesse tomou a dianteira e cruzou a chegada em 20,7 segundos melhorando o seu record olímpico e mundial.

 Hitler também presenciou esta prova, para a qual os germanos nom puiderom classificar-se. Os germanos prepararom umha cerimónia especial para Jesse Owens, na previsom da sua vitória. Os três vencedores, 1º, 2º e 3º colocados  nesta prova alinharom-se numha tribuna especialmente construida, adornada com ramos verdes e áureos, fronte ao palco oficial, onde, ademais do Führer, estavam os convidados de honra. Jesse estava no médio, ligeiramente acima do detentor da medalha de prata, a su direita, e do terceiro colocado a sua esquerda. Quando os três atletas erguerom a vista à tribuna de honra, a banda dos organizadores da Olimpíada, dirigida polo conde Henri de Baillet Latour, e umha bateria de trompetas, na extremidade do estádio, começarom a tocar e toda a multitude  ergueu-se.

 Tres lindas jovens em uniforme branco, encaminharom-se até os campions e coroaro-nos com laureis. Jesse recebeu também um testo cum pequeno carvalho. Os alto-falantes anunciarom os nomes dos atletas e a banda executou o hino dos EUA mentres os atletas permaneciam en posiçom de firmes. A quarta e derradeira medalha de ouro, foi conquerida nos relevos de 4 X 100 mts. em 39,8 segundos pola equipa americana que Jesse integrava, também estabelecendo um novo record mundial.



AUTÓGRAFOS

O propio Jesse Owens desmentiu públicamente que o Führer lhe dera as costas: o atleta de cor dixo que Hitler rendera-lhe umha homenagem: "Quando passei fronte ao Chanceler (Hitler), incorporou-se, saudou-me com a mão e eu devolvim-lhe o saúdo na mesma forma. Creio que os periodistas mostrarom, o seu mal gosto ao criticar ao homem do momento na Germânia”

O "Negro" era tam querido e popular para a naçom germana, que nom tivo, depois da primeira vitória, práticamente mais descanso, porque onde fosse tinha que dar umha cheia de autógrafos. Depois da vitória nos relevos, viu-se obrigado a mudar de alojamento para fugir da multitude de caçadores de autógrafos. Milheiros esperavam em fileira do lado de afora, na Casa Bautzen na Vila Olímpica. Ao começo, Jesse sentia-se a gosto sendo tam popular, e de bom grado dava autógrafos a destra e sinistra. Mas já pola final das competiçons, os músculos do seu braço direito estavam a ficar com brecas. Larry Snyder, o seu companheiro de equipa tivo medo de que as brecas puideram prejudicar-lhe as pernas. Pediu a ajuda de Herb Fleming, outro negro com o qual era constantemente confundido. Jesse autoriçou ao outro atleta negro para assinar autógrafos no seu nome.

EXIBIÇOM EM KÖLN

Rematadas as Olimpíadas, o Governo Germano patrocinou a exhibiçom de Jesse e outros atletas americanos na cidade de Köln. O "Correio do Povo" de Porto Alegre do día 12/VIII/36 publicou: "Jesse Owens durante umha entrevista telefónica que mantivo com a United Press, declarou hoje em Köln que abandonará a sua viagem a través de Europa e que seguirá o mais cedo possivel para os EUA, para estudar diversas propostas que recebeu para ingressar no profissionalismo."

MISTÉRIO

Depois de Köln, a delegaçom dos EUA foi convidada a Bokmål (Noruega) e Sværjɛ (Suecia), sem embargo Jesse reusou participar. Nom se consiguirom ainda dados certeiros sobor o que ocurriu com ele neste período. A verdade é que ele foi suspendido pola Associaçom Atlética dos Estados Unidos, regressou à su pátria, onde nom foi recebido com banda de música, nem trompetas, nem homenagens; abandonou o seu curso universitário e assinou um contrato de— director de conjunto musical, e nunca mais competiu. É um bocado raro todo isso, que um dos maiores atletas de todos os tempos, heroi laureado polos germanos e ignorado pola sua pátria ao voltar. Nom teria sido justamente por isso que a prensa internacional o ignorou? Teria caido em desgraça? Nalgúm tipo de trampa? Por indisciplina, ao começo das Olimpíadas, os dirigentes americanos retirarom da sua delegaçom aos atletas Sam Stoller e Martín Glickman, os únicos judeus da equipa de pista e campo dos EUA, que foram substituidos polos negros Jesse Owens e Ralph Metcalfe nos relevos de 4 x 100. A partires de aí predominou a tendência de criticar ao Comité Americano na "Prensa Internacional", principalmente nos EUA.

MEDALHÁRIO DOS JOGOS OLÍMPICOS DE BERLIN

Finalmente. Porque escumaria de raiva um Governante que venceu umha olimpíada brilhantemente, com 88 medalhas, número idêntico ao conquerido EM CONJUNTO polos  EUA, França e a Grande Bretanha, as três maiores potências da época?  Jesse Owens, no hospital, enfermo de cancro, antes de falecer, deu a siguiente entrevista ao Tampa Tribune del 01/IV/80, páginas 1 y 3-6: "Hitler nom saudou a nenhúm atleta mais, mas foi depois do pedido do presidente do COI. Que chegando de volta aos EUA como grande campiom, nom recebeu nenhum apretóm de mãos do presidente Roosevelt”.

Ao contrario do que ocorrera na Germânia, na sua própia pátria nom lhe permitiam sentar nos assentos de adiante dos autocarros, tinha que ir para a parte traseira, destinada aos negros. Nas repartiçons públicas; devia entrar pola porta do fundo e nom podia viver onde quixera ou gosta-se. Joe Louis e ele, foram os primeiros atletas negros de fama mundial, mas nom podiam fazer propaganda de artigos desportivos nos EUA , pois os estados do sul boicoteariam esses produtos. "Nos viviamos em América baixo essa discriminaçom", assegurou ele.

O propio Jesse Owens afirma nas suas memórias que recebiu uns Parabens Oficiais por escrito do governo germano, e que sem embargo o presidente Franklin Delano Roosevelt nom o convidou às celebraçons na Casa Branca, posto que estava imerso nas elecçons e precisava o voto do sul dos EUA. Owens, na sua auto-biografía (The Jesse Owens Story, de 1970)

Owens foi aclamado por 110.000 pessoas no Estádio Olímpico de Berlin e mais tarde, muitos berlineses pediam-lhe autógrafos quando o viam pola rua. Durante a sua estância no III Reich, a Owens permitiuse-lhe viaxar e hospedar-se nos mesmos hoteis que os arianos, o qual nesse momento nom deixava de ser umha ironia, já que os negros nos EUA nom tinham esses mesmos direitos. Curiosidades da democracia anti-nazista dos EUA

quarta-feira, 4 de julho de 2012

O REIS JUDEU-CATÓLICOS



 O franquismo considerou-se e pode considerar-se herdeiro do legado dos chamados Reis Católicos, em cujo reinado, como poderemos olhar mandavam mais judeus que no império judeo-iankie com o que também podem-se fazer ricas analogias . Ajudaremo-nos do historiador sefardí Joseph Pérez e de Américo Castro principalmente.

Empregando sujas técnicas que hoje parecem-nos novas, os Reis Católicos animam aos vassalos a se sublevar contra o régime senhorial, dando-lhes a entender que se lhes incorporam novamente ao património real. 

Com as suas artes ocasionam umha guerra civil que dura polo menos até finais de 1476 e que, em ocasions, prolonga-se até 1486, o que supóm que o novo régime nom contava precisamente com o entusiasmo do reino, sobretudo todo tendo em conta que supostamente em Castilla de 1454 a 1464 tinham transcorrido dez anos de paz e de justiça.

Umha vez tomam o poder em 1480 aprovam as Cortes: formar parte delas é um privilégio reservado só às mais judaicas cidades de Castilla: Burgos, Soria, Segovia, Ávila, Valladolid, Salamanca, Zamora, Toro, Toledo, Cuenca, Guadalajara, Madrid, Sevilla, Córdoba, Jaén e Murcia, à que virá a engadir-se, Granada, depois de 1492. Olhamos como depois de 500 anos o judaico facheirio que domina o resto da “piel de toro” segue intacto. Para o judeu Franco nom havia mais Espanha que esta.

Assim como a Paquito deu-lhe por ser “generalísimo” e “caudillo”, o judeu Fernando faz-se-lhe eligir sucesivamente “gran maestre de las órdenes de Santiago, Calatrava y Alcántara”, situaçom de feito que o papa Adriano VI transformará em situaçom de direito quando em 1524 incorpora estas dignidades à coroa.
 
Longe de socavar o poder territorial da nobreza os Reis Católicos acrescenta-no. As leis de Toro em 1505, ao regramentar e favorecer a constituçom de primogênitos inalienáveis, conduzem a organizar e perpetuar o poder territorial destes parásitos.

Os judeus na Espanha dos Reis Católicos

Na luita contra o mouro nom bastava com ocupar o cham; tinha que povoá-lo; convidava-se, pois aos judeus a ficar no lugar e ofereciam-se-lhes garantias jurídicas e, umha espécie de autonomia administrativa e judicial. É assim como os almorávidas e almóadas mostram-se mais intransigentes que os anteriores; perseguem aos judeus que se refugiam em grande número nos territórios cristians.

Desta maneira acrescenta-se na Espanha cristiã umha importante comunidade judea muito, muito prospera graças aos seus sujos negócios de sempre: usureiros, cambistas que acaparam grãos para fazer subir os preços (como o judeu Marc Rich na actualidade), tesoureiros, negociantes, traficantes de escravos, arrecadadores de impostos ou qualquer posto achegado ao poder (como médicos de), é dizer, soberanos, grandes senhores e príncipes da Igreja. “Assim forma-se umha oligarquia judea que mostra muitas vezes um luxo ostentoso, um fausto, umha confiança em si mesma e um orgulho provocador” dize-nos Joseph Pérez, e segue contando-nos: “Os reis e os grandes adulam-na (à oligarquia judea), de tal forma que remata por disponher dumha influência social considerável”
Esta opulência e este luxo contrastam com as condiçons de existência da maioria do povo que olha como medra sem cessar a distância entre a sua pobreza e a riqueza dos judeus, instrumentos e beneficiários da opressom fiscal” É dizer, igualinho que agora.

A justa carragem popular perante tais injustiças mais outras como matar crianças em rituais, prática nada fantasiosa que tem como caso mais conhecido e documentado o do neno de La Guardía, faze que se convirtam para salvar o pescoço de muitos judeus. 

O batismo assimila aos cristians, dende o ponto de vista dos direitos civís, o que lhes da accesso a funçons proibidas noutros tempos: entram nos regimentos (conselhos municipais), aliam-se a famílias nobres, insinuam-se nas filas do clero onde a sua astúcia permite-lhes muito a miúdo elevar-se até os postos mais acima da hierarquia. Outros seguem a ocuparem-se de actividades financeiras e comerciais.

Por estos motivos, o anti-semitismo de antano ve-se reforçado; aponta tanto aos que ainda seguiam a ser judeus como aos falsos conversos recentes. Distúrbios em Toledo em 1449, em Segovia em 1474, noutros sítios em diversas épocas, testemunham que a hostilidade popular nom cede. Quando chegam ao trono os Reis Católicos, os problemas prantejados pola existência da minoria judea semelham inextricáveis.”

Para tentar resolve-los de cara à galeria, virom-se abocados a criar umha farsa de tribunal que acalmara o monumental enojo dos párias, a Inquisiçom:

A mesma ideia surgiu dos judeus. Isso é o que sostem Américo Castro e nom tem nada de absurdo. Franco também falava muito de perseguir à judeu-maçonaria, sendo ele judeu, financiado por um judeu (March) y de ter tentado entrar na maçonaria (o seu pai e o seu irmão era-no ao igual que os seus “colegas” fascistoides Pío Cabanillas, Mola e o psicópata Queipo de Llano). Pois bem, com este tribunal planejado polos próprios judeus tratava-se de castigar aos “pringados” (ao igual que no holoconto) e lavar aos outros, à maioria, segundo diziam da infâmia. É assim como tiverom a Torquemada, do célebre teólogo e dominicano (Ordem dos Pregadores) Dom Juan de Torquemada, cardeal de Sam Sixto, dize Hernando del Pulgar: «os seus avós forom de linhagem dos judeus convertidos à nossa sancta fe católica»

A Pré-História dos procedimentos inquisitoriais deve rastejar-se nas judiarias de Castilla e Aragoa. Segundo um erudito israelita, quenes a finais do século XIV delatavam aos judeus em Catalunya «nom eram polo comum os cristians, senom os novamente conversos ao cristianismo, desejosos de ostentar o seu zelo de neófitos ou de saciar antigos rancores»

Ao saber todo isto, é lícito e razonável suspeitar que os novos e estranos procedimentos da Inquisiçom espanhola sejam umha adaptaçom dos usuais nas alfamas, e que o veículo para tal mudança acha-se nos numerosos judeus que, no século XV, chegarom ser bispos, frades e ainda membros do Conselho Supremo da Inquisiçom. Alguns escreverom livros muito inumanos contra a gente da sua raça, segundo olhemos.

Ninguem melhor que o historiador e jesuita Juan de Mariana para confirmar a impressom de que o Santo Ofício, tal como começou a funcionar em 1480, com os seus segredos e as suas «malsines», era novidade nunca vista -e à vez um «remédio dado do céu», segundo Mariana

O que sobretudo estranavam era que os filhos pagassem os delitos dos pais; que nom se soubese nem manifesta-se o que acusava, nem lhe confrontassem com o réu, nem houvera publicaçom de testemunhas, todo o contrário ao que de antigo acostumava-se nos outros tribunais. Demais disso parecia-lhes cousa nova que semelhantes pecados castigaram-se com a pena de morte; e o mais grave, que por aquelas pesquisas segredas quitavam-lhes a liberdade de ouvir e falar entre si, por ter nas cidades, povos e aldeias pessoas adrede (aí aparecem os malsines) , para dar aviso do que acontecia, cousa que alguns tinham em figura dumha servidume gravíssima e a par de morte.


Ainda que Mariana lembra que houvo antes Inquisiçom noutros estado/reino, reconhece que o procedimento inquisitório na coroa de Castilla era umha inovaçom dentro da Igreja, porque «às vezes os costumes antigos da Igreja mudam conforme ao que os tempos demandam». O estabelecimento do Santo Ofício significou para Castilla a perda da sua liberdade secular e o ingresso num novo régime, em «umha servidume gravíssima e a par de morte». Os métodos do novo tribunal eram tam inauditos e novos para a justiça civil como para a eclesiástica, e daí o assombro que tam bem reflexa-se na tersa linguagem do jesuíta. O espírito da judiaria, novo e estrano, falava por meio dos frades judaizados que manejavam a Inquisiçom.

Aunarom-se naquela o ódio secular e sem estrutura da «gente de los menudos (plebe)» e a paixom velenosa e muito articulada de certos teólogos judeus, convertidos ao cristianismo para dano da espiritualidade cristiã e das naçons hispânicas. Da plebe sem nome e sem forma surgiu a violência cega que dende finais do século XIV começou a arrasar as judiarias; certas ordes religiosas com matiz popular e ampla base de vilanagem -e bastante povoadas de conversos resentidos-, suministrarom o programa para o ataque, com argumentos que vozeavam dende os seus púlpitos prestigiosos, e que ao longo teriam consequências incalculáveis. Nom bastou que os reis procurassem atalhar a fúria descarriada de quenes viviam privados de fecundas tarefas; e procuravam as suas vidas em desejar e em nom querer; o seu afám mais urgente era apoderarem-se do criado por quenes eles desamavam. Difícilmente, por outra banda, puideram os grandes senhores imponher mesura ao vilanagem, quando eles mesmos nom tinham outra missom que a de «viver-se» a si mesmos, exercitando o seu valor e recriando-se no espectáculo da própria distinçom. Antes de que o Rei Católico descubrira a maneira de utilizar a impaciência combativa dos seus cavaleiros, o fervor daqueles senhores levava-os a destroçar a sua própria terra. Mentras tanto, a gente de baixa e servil condiçom (assim chamava ao marquês de Santillana) cebava-se nos despojos das ricas judiarias, bem atiçados na sua fúria polas prédicas de ceirtos frades.

Se reis e nobres contiverom às vezes a violência material contra os hebreus, ninguem em cámbio puido reprimir a fúria teológica dalgunos ilustres conversos contra os seus ex-irmans de religióm. Semelha incrível, mas o certo é que os mais duros golpes contra Israel vinherom dos seus mesmos rabinos logo de se baptizar.


Tivo sonhado o judeu nos séculos XIII e XIV com a possibilidade de dominar a Castilla, a nova terra prometida. Estavam nas suas mãos o fomento e a administraçom da riqueza do reino, a técnica e os saberes entóm possíveis. Como quase todos os fenómenos da vida espanhola, o seu judaísmo careceu também de límite e discreçom.


Um grupo, ao fim, integrado por homens inteligentes e muito sábios, sacrificaria-o todo ao afám de ser preeminentes e de sentirem-se bem afirmados sobor os cúmios da sociedade. Nom vacilarom em atraiçoar aos judeus e em perseguir aos conversos com sanha esquisita. Eles forom, em realidade, os inspiradores do Santo Ofício da Inquisiçom e dos métodos que tanto estranavam ao pai Juan de Mariana. Mas tal afirmaçom precissa ser bem provada.


A primeira figura daquele grupo foi Salomóm Haleví, nascido em Burgos no 1350 e rabino maior da cidade. Ele, os seus filhos e os seus irmãos abraçarom no 1390 o cristianismo, e Salomóm foi desde entóm Dom Pablo de Santa María; dele procedem todos esses teólogos, juristas e historiadores Santa María, cujas obras enchem de distinçom as letras do século XV. Dom Pablo recebeu em Paris o título de doutor em teologia; no 1396 era já canónigo da catedral de Burgos, e dende entóm choverom sobor ele honras e preeminências: capelám maior de Enrique III, núncio do Papa Bento XIII na corte de Castilla, titor e chanceler de Juan II (cuja pragmática do 1412 contra os judeus deveu de redatar), e finalmente bispo de Burgos. Todo isso pom de manifesto a sua inteligência e o seu saber, graças aos quais puido passar de rabino maior a bispo dentro da mesma cidade, cousa que nom se conceberia fora de Espanha -um estado de historia singularísima-. Até aqui nada é reprovável na vida de Dom Pablo -um novo Saulo-, porque como tam amiúdo diziam os conversos do século XV , o cristianismo começou com Jesucristo, um divino converso, e judeus conversos forom os seus apóstolos. Mas se a conversom de Salomóm Haleví é, num princípio, respeitável, a postura que asumiu fronte aos judeus de Espanha foi umha pura bardalharia, por bem que se explique dentro do complexo movimento da história hispânica. No seu Scrutinium Scripturarum, escrito na ancianidade, dize o obispo de Burgos que os judeu “espanhois” «suadente anticuo hoste» (por persuasom diabólica), «tinham subido a grandes estados nos palácios reais e dos grandes», e impunham temor e sumissom aos cristians, com notório escândalo e perigo das almas; governavam ao seu arbítrio o reino de Castilla, que reputavam qual de si próprio. Alava Dom Pablo las matanzas de 1391, e pensa que as turbas forom excitadas por Deos para vingar o sangue de Cristo ( «Deo ultionem sanguinis Christi excitante» ); aquele Ferrán Martínez que incitou à plebe sevilhã era para o cristiã bispo de Burgos «um homem ignorante ainda que de loável vida -in litteratura simplex et laudabili vita»; etcétera.

A única escusa para tanta degradaçom é pensar que o rabino-bispo, mentras assim escrevia, estava a conjurar os espectros da sua própria vida, berrando para nom ouvir-se a consciência. Dom Pablo converteu-se para subir a grande estado o palácio do rey e para governar ao seu arbítrio o reino de Castilla. Os seus antergos tinham feito como rabinos e alfaquís, e ele ja nom puido ascender senom renegando da sua fé. No Dom Pablo debuxa-se a figura sinistra do inquisidor do seu próprio povo.
Se os ilustres conversos tiveram guardado para si as suas novas crenças, ou vivido como alguns que conheceu Pérez de Guzmán -«bons religiosos que passam nas religions áspera e forte vida da sua própria vontade»-, entóm nom tinham causado mã de nenhuma classe. O grave é que sentirom a urgência de justificarem-se apagando toda pegada e lembrança do judaísmo que levavam nas suas almas. Entre estes abjectos personagens merez ser destacado o rabino e depois pai mestre frei Alonso de Espina. Estando o rei Enrique IV em Madrid, descansando das suas tarefas, veu ali o mestre do Espina e frei Fernando de la Plaza, com outros religiosos da observância de San Francisco, a notificar ao rei como nos seus reinos avia grande heregia dalguns que judaizavam, guardando os ritos judaicos, e com nome de cristiãs, retalhavam ['circuncidavam'] aos seus filhos; suplicando-lhe que mandasse fazer inquisiçom sobor isso para que fossem castigados. Sobor o qual fizerom-se alguns sermons, e em especial frei Fernando de la Plaza, que ao predicar dixo que ele tinha prepúcios de filhos de cristians conversos…O rei mandou-lhes chamar e dixo-lhes que aquilo dos retalhados era um grave insulto contra a fé católica, e que a ele pretendia castigar, e que trouxera logo os prepúcios e os nomes daqueles que o tiveram feito…Frei Fernando respondeu-lhes que depuseram pessoas de autoridade; o rei mandou que dixe-se quenes eram as pessoas; denegou dizé-lo, de maneira que achou ser mentira. Entóm veu ali frei Alonso de Oropesa, prior general da orden de Sam Jerónimo, com alguns priores da sua orde, e opuxo-se contra eles, predicando diante do rei, por onde ficarom nalgumha forma os observantes confusos.

Frei Alonso de Espina é autor do Fortalitium fidei, que rematou em 1458, e foi muito editado no século XV e mais tarde (1485, 1494, 1511, 1525); há nas pasasgens como a seguinte: «Creio que se tivera feito neste o nosso tempo umha verdadeira inquisiçom, seriam inumeráveis os entregados ao lume de quantos realmente acharam que judaízam». Frei Alonso chegou ser reitor da Universidade de Salamanca, e empregou o mais do seu tempo em predicar e escrever contra o povo hebreu. O seu zelo triunfou, e puido gozar na sua ancianidade dum posto no Conselho Supremo da Inquisiçom, que ao fim conseguirom instaurar este e outros ex-judeus, a força de acender mais a fúria da vilanagem e de martelar nos ouvidos dos reis, junto aos quais actuavam de malsines como quando viviam nas suas judiarias.

Conhecemos muito imperfeitamente a actuaçom pre-inquisitorial dos trânsfugas de Israel, ainda que é doado representar o ambiente dos mosterios de franciscanos e pregadores da orde no século XV. Já analisa-mos noutra parte as luitas em pro e em contra dos conversos dentro da Orde de Sam Jerónimo. De todo isso desprende-se que a Inquisiçom estivo a gestar-se dende começos do século XV; o fermento de ódio foi bem cultivado, entre outros, por Dom Pablo de Santa María e também polo seu contemporâneo Josué Lurquí (de Lorca), outro sábio rabino, que ao converter-se tomou o nome de Jerónimo de Santa Fe. Era, como Dom Pablo, grande amigo do Papa Bento XIII, o anti-papa bento Luna, organizador da Conferência de Tortosa, em 1413, na que se enfrontarom teológicamente cristianismo e judaísmo. Assistirom a ela catorze rabinos, e ainda que semelhe cómico, certo é que a voz da Igreja levou-na Jerónimo de Santa Fe, quem, com o Talmud na mão, ia aniquilando todas as doutrinas dos hebreus. Dos catorze rabinos, só dos, Rabí Ferrer e Rabí Joseph Albo, resistirom a argumentaçom demolidora do seu ex-colega. Doze se fizerom cristians, e passarom assim a engrossar a grande hoste dos futuros inquisidores. As vítimas do terror aliviariam-se dele aterrorizando a outros. Jerónimo de Santa Fe completou a sua tarefa escrevendo o notório livro Hebraeomastix (o azote dos hebreus), do qual dize Amador de los Ríos: «só obedecendo a umha tentativa exterminadora puiderom imaginar-se e escrever-se as cousas nesse livro recolhidas»

A forma insensata da vida hispânica durante a Idade Média começava a render froitos de insensatez.

O judeu voltou como um polvo sobor o vilanagem -bravo na peleja e inepto para o demais-, e aliviando dos seus coidados aos grandes senhores. Bem poucos entre estes tinham consciência da sua responsabilidade, e pono de relevo um feito que, de ter tido imitadores, teria variado o curso da história. Merecido prestígio rodeava no século XV à família dos condes de Raro. Um deles, Dom Pedro Fernández de Velasco, como nalgumhas vilas suas tivera muitos judeus, e com os logros ['a usura'] parece-se-lhe aquilo empobrecer, mandou só graves penas nenhum fosse ousado de dar a logro. E como algúm tempo isto dura-se, os vassalos queixarom-se a ele, dizendo que muito maior dano recebiam em nom falhar dinheiros a logro nem noutra maneira, como já, nom os falhou, convinha-lhes vender aos seus gandos e lãs e pam ['milho'] e outras cousas adiantado; e por ende suplicavam-lhe que de-se liberdade a que o logro dera-se. O conde, querendo nisto remediar, mandou ponher tres arcas, em Medina de Fumar, e em Berrera, e em Villadiego, ponhendo em cada umha delas dous centos mil maravedís, e nos celeiros de cada umha destas vilas, dous mil fanegas de milho; mandando dar as chaves do já dito a quatro regidores …mandando-lhes que qualquer vassalo seu como menester tivera dinheiro ou pam, até em certo número, dando prendas o fianças, foise-lhe prestado por um ano. Com o qual conservou tanto os vizinhos de aquelas vilas, que todos viverom fora de necessidade. Cousa foi por certo esta de muito católico e prudente varóm, e muito digna de memória.

O conde de Haro fundou, sinxelamente, o primeiro banco de crédo agrícola em Hisânia, e fizo-se a usura dos judeus tam desnecessária para a vilanagem como para os senhores. Em instituçons assim radicava a possibilidade de normalizar a economia pública, e de fazer dos hebreus elementos úteis e nom indispensáveis -polvos que afogavam ao povo e era logo, à sua vez, espremidos polo rei e os seus nobres-. A soluçom inteligente do conde de Haro ( da que no sabemos mais pola nossa falha de fontes históricas) ficou ailhada, como umha testemunha da virtude nobiliária no século XV .

Eram privados, médicos e embaixadores dos reis; administradores de rendas e finanças, comerciantes e artesans; teólogos e escritores; bispos e cardeais como antes eram rabinos. Forom conversos no século XV dos bispos de Burgos, o de Coria e o cardeal de Sam Sixto, e muitos outros. Havia-os nos cabidos catedrais, o mesmo que nos conventos de frades e de freiras. Contudo, os cristians velhos e os novos vinham às mãos em Andaluzia e outras partes de Castilla. Um grande aristócrata como Dom Alonso de Aguilar tentou atalhar na sua cidade de Córdoba os desmãos contra os conversos, o mesmo que em 1391 o filho do rei de Aragoa tratou em vam de imponher respeito às turbas que assaltavan a judiaria de València. Mas em Córdoba, «sem vergonha e acatamento de Dom Alonso começou o roubo, e ali fizo-se muito grande peleja, e forom arrojadas polos do povo muitas pedras a Dom Alonso, de tal maneira que se houvo de retrair à fortaleza» Pouco depois, em 1473, foi assassinado em Jaén o condestável Miguel Lucas de Iranzo por favorecer aos conversos. “Tardou Hispânia muitos anos em se habituar a respirar o ar enrarecido que lhe tinha legado a tradiçom judaica” Américo Castro

Quando a cousa tornou a séria para os falsos conversos que nom convinha molestar aparecerom curiosamente como protetores Frai Hernando de Talavera (quem se encarrgara anteriormente da incautaçom de prata das igrejas para ajuda dos Reis Católicas na guerra civil) ou o cronista e secretário da Rainha, Hernando del Pulgar, ambo-los dous conversos, que denunciam o que eles consideram abusos do Santo Ofício.

De facto Talavera estivo a piques de ser o mesmo vítima destes procedimentos. Em 1505, em efeito, o inquisidor de Córdoba, Lucero, detem a amigos e achegados do arcebispo, em particular as suas irmãs e o seu sobrinho; dispom-se a atuar contra o próprio Talavera, quando o inquisidor geral, o descendente de marranos Cisneros. Alertado, destitue-o.

A hierarquia conversa à sua vez trata de conter a ira contra os judeus nom convertidos legislando normas que limitam o pavoneio destes. Assim, em 1476, as Cortes de Madrigal proibem vestidos de luxo para aqueles; em 1480 recuperam-se textos de 1411 que apontam a fechar aos judeus em bairros reservados, as judiarias.

Apresares das reticências das mais altas autoridades do reino, começando polos próprios soberanos, a força dos acontecimentos impóm, nom obstante que se chegue até o final, até a lógica conclusom das medidas de 1476, 1478, 1480. É o decreto de expulsom do 31 de Março de 1942, assinado tra-la toma de Granada; convida-se aos judeus a escolher entre duas soluçons: ou bem convertem-se e podem permanecer na “sua pátria”; ou bem deixam o território quando expire um praço de quatro meses.
Muitos optan por ficar (como pouco um terço dos que eram), como aqueles Coronel de Segovia que terám como padrinhos, o dia do seu baptismo aos Reis Católicos em pessoa.

Nom era este o único converso achegado ao poder. O judaico clero contava com o já nomeado descendente de conversos Cisneros, arcebispo de Toledo que financiou parte da expediçom a Orán.
E aqui uns parágrafos escolhidos dum tal Andrés Bernáldez-quem viveu naquella época- sobor os judeus: 
 
E comummente pola maior parte era gente trapalheira e de muitas artes e enganos, porque todos viviam de ofícios folgados, e em comprar e vender nom tinham conciência para com os cristians. Nunca quixerom tomar ofícios de lavrar nem cavar, nem andar polas terras a criar gandos, nom lho ensinavam aos seus filhos; agás ofícios de povoado, e de estar assentados ganhando de comer com pouco trabalho”

Muitos deles, nestes reinos, em poucos tempos achegarom muitos grandes caudais e fazendas, porque do logro e usura nom faziam consciência, dizendo que o ganhavam com os seus inimigos, atando-se ao dito que Deus mandou na saida do povo de Israel roubar a Egipto por arte e engano, demandando-lhes prestado os seus copos e taças de ouro e prata. E assim tinham presunçom de soberbia, que no mundo nom havia melhor gente, nem mais discreta nem aguda, nem mais honrada que eles, por ser do linhagem das tribos e médio de Israel. Em quanto podiam adquirir honra, ofícios reais, favores de reis e senhores, eram muito diligentes.”

Alguns mesturarom-se com filhos e filhas de cavaleiros cristians velhos com a sobor de riquezas, e acharom-se bem-aventurados por isso, poque polos casamentos que assim fizerom ficarom na Inquisiçom por bons cristians e com muita honra.”

O início do imperialismo hispânico

Como com o império judeu-iankie, o vírus judeu instala-se nos postos mais altos do poder e dende ali, sedento de mais poder ainda, da-lhe por querer dominar mais territórios sementando o terror. Desse modo, expulsa-se definitivamente ao Islam, erige-se em Itália como rival de França e descobre-se um novo mundo que as geraçons seguintes conqueriram e estourarám.

Com a toma de Granada, os Reis Católicos situam ao frade coverso Hernando de Talavera com o novo título de arcebispo de Granada. A ele corresponde-lhe o que os muçulmanos abjurem da sua religiom. Segue-lhe outro converso, Cisneros, cum temperamento mais militante. Mostra-se mais enérgico com relaçom aos novos conversos muçulmanos que conservam costumes antigos, toma sançons e provoca umha revolta no bairro de Albaicín, rápidamente reprimida polo conde de Tendilla, mas que vai ter consequências dramáticas: se por umha banda precipita o movimento de conversom ( mais de tres mil baptizos celebrados numha semana…);por outra, em cámbio provoca o erguimento dos mouros das Alpujarras, onde há que enviar a toda pressa, umha tropa aguerrida.

Instalados em Granada os reis, em 1501 decidem rematar dumha vez por todas: conversom ou exílio, provocando umha segunda revolta, mais sanguinolenta. O seu epílogo dara-lhe a princípios do século XVII, quando Felipe III tome a decisom de expulsar em massa aos derradeiros descendentes dos muçulmanos em Hispânia.

O Novo Mundo

A conquista prologa históricamente a Reconquista. Acostumado o castelám em fazer fortuna saqueando aos infieis muçulmanos, que melhor que novas terras que conquerir, ilustra-o o poema do Cid: Los que fueron de pie, caballeros se hacen.

Assim é como graças à judaica empresa do descobrimento/saqueio de América ( financiado polo judeu Luis de Santangel e executada polo judeu Cristobo Colombo) pode-se continuar com esta criminal dinámica; é o berro de Pizarro que cita Unamuno: Por aqui vai-se a Perú a ser ricos; por aqui vai-se a Panamá a ser pobres; escolha todo bom castelám o que melhor estuvera-lhe. O “bom castelám” nom poderia duvidá-lo: sacaria a espada no canto de empurrar o arado.
Nos primeiros dias da colonizaçom europeia em México, criptojudeus conversos tanto de Castilla como de Portugal chegarom a porto mexicano de Veracruz e de aí à Ciudade de México (o revitalizado Tenochtitlán). Nas colónias espanholas existia um ambiente mais relaxado no concernente à Inquisiçom.

Muitos dos imigrantes de Portugal eram judeus que anteriormente tinham imigrado a Portugal por causa da expulsom judea de Castilla de 1492. Sem embargo, um decreto similar mais posterior em Portugal foi feito público em 1497, polo qual muitas crianças judeas forom ajeitadamente convertidos, tendo-os baixo a tutela do estado a menos que os pais também se convirtiram. Polo tanto, numerosos emigrantes criptojudeus nos primeiros dias da colonizaçom mexicana eram técnicamente portugueses de primeira a segunda geraçom com raízes castelãs. O número de tais emigrantes portugueses era suficientemente importante como para que a etiqueta de “Português” fosse sinónimo de “Judeu” em todas as colónias castelãs. A imigraçom a México ofereceu possibilidades comerciais lucrativas numha colónia já bem assentada com a cultura castelã nascente, contrapesada por umha povoaçom grande nom cristiã. Foi premeditada e planejada em grande parte que as actividades da Inquisiçom seriam mais relaxadas nas colónias, dado que os assentamentos humanos eram constituidos de maneira predominantemente por gente indígena nom cristiã.

Era tam grande o número de criptojudeus que chegavam a México durante o século XVI que funcionários castelans queixarom-se em documentos escritos enviados a Castilla, de que a sociedade castelã em México era em forma preponderante judea.

As primícias do século de Ouro

Secundados os soberanos polo apoio da Corte e dos mecenas-grandes senhores e prelados- conduze-se ao país a umha renovaçom em profundidade da vida cultural do país. Ao lado das facultades já antigas, como a de Salamanca, fundam-se outras animadas polo novo espírito, como a de Alcalá de Henares (da que sairám a maioria de conselheiros reais), criaçom do judaico arzebispo de Toledo, Cisneros. Este islamófobo chegou convidar a Erasmo, príncipe dos humanistas a colaborar na empresa, sendo rejeitada o convite devido a que segundo Erasmo esta terra estava cheinha de judeus.

Tampouco acarretava nada bom esta “culturizaçom”. Em 1492 aparece a gramática castelã de Nebrija: Arte de la lengua castellana. Ele mesmo aclarou o seu propósito ante a rainha Isabel: trata-se de fazer do castelám umha língua de cultura, como o latím, e umha língua de civilizaçom; é o que expóm à soberana ao apresentar-lhe a sua obra: umha naçom em expansom deve dispor dumha língua capaz de trasmitir ao mundo o seu ideal, a sua cultura, o seu estilo de vida; o latím contribuiu poderosamente a acrescentar o prestígio e a autoridade do império romano; de igual maneira, a Espanha nova necessita umha língua. Esta língua, será o castelám que, dende finais do século XV, tende-se a voltar espanhol, relegando a segundons as línguas como o galego e catalám. Como dizia Nebrija, a língua e a cultura seguem de perto ao poder: sempre a língua foi companheira do império.

Deixe-mos que volta a falar Américo Castro:

“Muitas ilustres famílias tinham-se ao longo da Idade Média com gente de raça judea, por mor do seu rango, a sua fortuna e a frequente beleza das suas mulheres. Antes do século XV ninguem se escandalizou por isso, deixando a um lado que a linguagem escrita nom soubera ainda expressar intimidades deesa índole. Mas na época na que estamos, já se escreve soltamente sobor o que acendia as paixons, é dizer, sobor o drama sem soluçom que desgarrava as duas raças inimigas, ou mais exactamente, duas castes de espanhois. Em poesias infamatórias como as Coplas do provincial e outras, alude-se à procedência judea de certas pessoas; a isso replicam alguns conversos, tam seguros da sua distinçom como da “plebeidade” dos seus impugnadores. Alguem remitiu a Dom Lope Barrientos, bispo de Cuenca e partidário dos conversos, um alegado contra um Pedro Sarmiento e um bacharelado Marcos García Mazarambrós
, incitadores dos saqueios e assassinatos toledans em 1449. Perante todo rejeita o autor o nome de conversos, «porque som filhos e netos de cristians, e nasceron na cristiandade, e nom sabem cousa algumha do judaísmo nem do rito dele». Os bons conversos nom devem pagar polos maus, como «nom matare-mos aos andaluzes, porque cada dia vam-se tornar mouros». Vem a continuaçom umha longa resenha de nomes ilustres aparentados com quenes tinham sido judeus, sem excluires a pessoas de sangue real: «Subindo mais alto, nom é necessário de recontar os filhos e netos e bisnetos de nobre cavaleiro e de grande autoridade, o almirante Dom Alonso Henríquez, que dumha parte descende do rei Dom Alonso [XI] e do Rei Dom Enrique [II] o Velho, e doutras partes vem desta linhagem». Engadi-mos que tendo casado Juan II de Aragoa, em segundas núpcias, com Dona Juana Henríquez, filha do almirante de Castilla, o seu filho Fernando o Católico, tivo ascendência judea por parte de nai.

Noutros dous bem conhecidos textos do século XVI mencionam-se às famílias com antecedentes judaicos. Um é o Livro verde de Aragoa, e outro El tizón da nobreza de Espanha, do cardeal Francisco Mendoza y Bobadilla, bispo de Burgos, onde demostra que nom só os seus parentes, os condes de Chinchón (acusados de pouco limpo sangue), tinham antergos hebreus, senom quase toda a aristocracia daquela época. Se a vida espanhola tivera sido desenrolado num ritmo de calma e harmonia, a mestura de cristians e hebreus nom tinha originado conflito algum, porque Espanha era dende o século VIII umha contextura de tres povos e de tres crenças. O hebreu tinha sido dignificado tanto como o cristiã, pese a todas as proibiçons, e os mesmos reis derom a alguns dos seus judeus o título de Dom, signo entom de alta hierarquia nobiliária. A mestura do sangue e o entrelaço das circunstâncias criarom formas internas de vida, e o judeu de qualidade sentiu-se nobre, às vezes pelejou na hoste real contra o mouro, e alçou templos como a sinagoga do Tránsito em Toledo, em cujos muros campeiam as armas de Gallaecia e Castilla. Lembre-mos que a maior preeminência que Rabí Arragel asignava aos judeus castelans (p. 476) era a do «linhagem», o ser mais nobres polo sangue que os judeus nom espanhois. O bispo de Burgos, Dom Pablo de Santa María ( que antes da sua conversom era Rabí Salomón Haleví), recompuxo um discurso sobor a Origem e nobreza da sua linhagem. O sentimento de fidalguia e distinçom nobiliária era comúm no século XV a cristians e judeus, e acompanhou a estes no seu desterro. Dize Max Grünbaum: «Quem assista ao ofício divino na espléndida sinagoga portuguesa de Amsterdam, nota a diferença entre os judeus germanos e os castelans. A solene e tranquila dignidade do culto, diferencia-o dele das sinagogas germano-holandesas. A mesma “grandeza” espanhola atopa-se nos livros hispânico-judeus impressos em Amsterdam». Ainda hoje persiste nos hebreus da diáspora hispânica esse sentimento de superioridade, o qual é inexplicável senom o referimos ao seu horizonte anterior a 1492 -a crença no senhorio da pessoa, alma da Castilla de antano. A través daquela forma íntima de existir segue o sefardi ligado vitalmente aos seus adversários e perseguidores de faze 450 anos.

Mas agora vai interessarmo-nos mais a influência inversa, a acçom que os judeus exercerom sobor os cristians. Já se tinha visto que sem aqueles nom era possível entender o nascimento da prosa douta no século XIII. A literatura dos séculos XIV e XV também deve à raça judea, entre muitas mais, as obras de Dom Sem Tob(ao parecer, tivo tambén algúm cargo no reinado de Alfonso XI), Dom Alonso de Cartagena (nomeado decano de Santiago e de Segovia, núncio apostólico, canónigo de Burgos em 1421, actuando esse ano como Embaixador em Portugal, sucessor ao bispo de Burgos, polo papa Eugenio IV), Juan de Mena (iniciado no séquito do judaico Torquemada,depois será secretário de Juan II, cargo que compatibilizou com o seu ofício de 24 (regidor) da cidade de Córdoba. Um ano mais tarde o monarca nomeou-lhe cronista oficial do reino), Rodrigo de Cota (que escreveu uns versos contra o converso Diego Arias de Ávila, contador maior dos Reis Católicos, por nom ter-lhe convidado à boda do seu filho. Estes versos som de grande interesse histórico pola descripçom dos costumes dos judeus espanhois da época) e Fernando de Rojas (autor da Celestina. A sua condiçom de converso influi no argumento da sua obra, que a dizer da maioria dos críticos é obra dalguém desta condiçom: dixo-se que a ausência de fé firme justificaria o pesimismo de La Celestina e a falta de esperança patente no seu dramático começo) : logo, Luis Vives (Queque “pijo” sorboneiro chanceler do sanguinário rei Enrique VIII de England, quem racha com a Igreja Católica), frade Luis de León (biógrafo da tola judea Santa Teresa de Jesus, a dos éxtases) e Mateo Alemán (Exerceu como recaudador do subsídio de Sevilla e ao seu arcebispado; em Madrid, nomerarom-lhe contador de resultas na Contadoria Maior de Contas. Desde 1573 residiu em Sevilla, onde tinha diversos negócios segundo os documentos; num vende umha escrava mourisca, noutro, merca umha capela para a confraria dos Nazarenos. Encarcerarom-lhe por dévedas em 1580 e passou no cárcere de Sevilla dous anos e médio, onde aproveitou para assimilar os costumes da vida criminal que logo aparecerám na sua famosa novela Guzmán de Alfarache. Ainda que fixo informaçom para viaxar às Indias, nom chegou a fazé-lo nesse momento. Em 1593 viaxou a Almadén como juiz visitador para inspeccionar as famosas minas de mercúrio arrendadas polo monarca aos banqueiros alemans Fugger ou Fúcares) mostrarám a cicatriz da sua ascendência israelita. Mas mais bem que sooor os feitos tam notórios, desejariamos chamar a atençom cara certos aspeitos do caracter hispânico que se manifestam com suma viveza dende finais do século XV. Nom se atopa nos cristians medievais a inquietude polo que despois chamaria-se «limpeza de sangue». De ter existido, nom teria sido possível a forte mestura malignamente denunciada por El tizón da nobreza, nem tiveram ocupado os judeus as situaçons eminentes no que os atopa-mos no mesmo momento da sua expulsom.

Quenes realmente sentiam o escrúpulo da limpieza de sangue eram os judeus. Graças às traducçons de A. A. Neuman conhecemos as opinions legais ( «responsa» ) dos tribunais rabínicos, o qual permite descobrir a sua antes velada intimidade. Aparece aí umha inquietude pontilhosa pola pureza familiar e o que dirám, polos «coidados da honra» tam característicos da literatura do século XVll. O judeu minoritário viveu à defesiva fronte ao cristiam dominador, que o incitava ou forçava a conversons nas que se desvanecia a personalidade da sua caste. De aí o seu exclusivismo religioso, que o cristiam nom sentía antes de finais do século XV, se bem mais tarde chegou-se a converter numha obsessom coleitiva. Tinhamos visto quam tolerante foi a justiça real com os judeus que blasfemavam da religiom cristiã, lenidade que sería ineficazmente candoroso atribuir à «corrupçom dos tempos» -nunca incorruptos-. Para o cristiam medieval nom foi problema de primeira magnitude manter incontaminadas a sua fe e a sua raça, senom vencer ao mouro e empregar ao judeu. Em todo caso, nom poderiamos atopar a finais do século XIII ou começos do XIV um documento cristiam concebido nestes termos:

Saibam quantos virom esta carta autorizada com a minha assinatura, que certas testemunhas comparecerom perante o meu mestre Rabí Isaac, presidente da audiência, e fizerom chegar a ele o testemunho fiel e legal de pessoas anciãs e veneráveis. Segundo estes, a família dos irmans David e Azriel é de limpa descendência, sem tacha familiar; David e Azriel som dignos de enlaçar matrimonialmente com as mais honradas famílias de Israel, dado que nom houvo na sua ascendência mestura de sangue impura nos costados paterno, materno ou colateral. Jacobo Issachar.”

terça-feira, 5 de junho de 2012

Alguns esquecidos: Schmitt e Heidegger


CARL SCHMIDT

O destino da figura de Carl Schmidt, filósofo de Direito, é um dos tantos exemplos de extremos a que chegaram nas depuraços subseqüentes ao triunfo das “Democracias”, em 1945. Este homem, a quem os seus próprios inimigos tiverom que reconhecer "duradouros conhecimentos jurídicos e políticos, análises exatas e profundas da sociedade, grande visom histórica, clara distinçom entre sistemas políticos e simples formas de governo, erudiçom e conhecimento técnico", foi expulso da Universidade e da Associaçom dos Mestres Germanos e condenado à morte, como conseqüência da derrota da Europa durante a Segunda Guerra mundial. Atoparia segurança e exílio no estado espanhol. Foi considerado culpável, polo fato de denunciar a degradaçom do povo germano fronte à Republica de Weimar, e, posteriormente, polo fato de ter sido um partidário incondicional do Nacional-Socialismo.

  Já na sua primeira época, Carl Schmitt ataca violentamente a jurisprudência neokantiana e o seu conceito de normas, através dos quais, ao seu ver, constitui-se a farsa de Weimar. Partindo da idéia de que todas as representaçons essenciais da esfera espiritual do homem som existenciais e nom normativas, critica o conceito do "metajurídico" de Jellnek e Kelsen. Isto, noutras palavras, diz respeito à interpretaçom imanente das normas jurídicas vigentes, no momento dado, que convertem o Estado numha trama de relaçons valeiras e destrui o preconceito que faz do Direito um eido de vigência autônomo, regido polas suas próprias leis, sem ter em conta a sua gênese social e racial. Dende o primeiro momento, mostra-se irredutivelmente hostil ao sistema parlamentar de Weimar e combate implacavelmente o status quo diante do qual se atopa.

 Meiante umha grande laboura publicista, ao seu próprio modo, Schmitt desenrola umha crítica científica à ideologia liberal e expom a crise do sistema parlamentar. A “Democracia” burguesa e o “capitalismo liberal” revelam o seu caráter fortemente contraditório e oposto aos interesses do povo germano. Ela carece totalmente de conteúdo, sendo a "igualdade" só um nome formal. A essência do parlamentarismo consiste na independência dos deputados fronte a seus eleitores; esta é a causa da sua própria riqueza, ou da do seu partido, o que pode ser chamado de plutocracia. É a ela a que se conduz a idéia de "igualdade", sempre em benefício das democracias burguesas. A respeito dos países de cunho marxista – na sua época, somente a URSS –, Carl Schmitt prediz lucidamente que "é precisamente umha pseudo-religiom de igualdade absoluta que irá abrir o caminho para um terror humano". Os "eternos direitos do homem" som produtos da mentalidade burguesa e quando esta fosse superada pela Revoluçom Nacional de 1933, já nom haverá lugar para tais princípios. O pluralismo partidarista é um grave perigo para a formaçom da vontade estatal, ausentando opçons. Assim o filósofo expressou-se: "Aparecem cinco listas de partidos formados, dum modo extraordinariamente misterioso e oculto, ditadas por cinco organizaçons. As massas repartem-se em cinco células previamente preparadas e aos resultados estatísticos disso todo chama-se eleiçom". Toda a missom do parlamento reduze-se a conservar um absoluto status quo e representa, portanto, a dissoluçom do Estado.

 Igualmente a Nietzsche em "O nascimento da tragédia", Schmitt olha na trajetória parlamentarista a degradaçom da força da Germânia. O espírito germano apresenta a sua abdicaçom meiante transiçom à democratizaçom e às "idéias modernas". O "progresso" materialista, que parte do século XIX, aparece como umha tendência hostil contra a forte Germânia. Como representantes degenerados desse materialismo no seu interior, ele aponta nomes como o de Thomas Mann, Remarque, Freud; comunistas judeus como Paul Lévy, Ruth Fischer e Leo Johisches; além doutros espécimes de reacionários. Mas Carl Schmitt nom se limita a umha crítica no plano intelectual, pois é amplamente consciente: "Quando inimigos reais existem, há, também, umha razom em repudiá-los e, sendo necessário, fisicamente luitar contra eles (...). Pois é na guerra onde está a essência de todas as cousas, sendo a categoria de guerra total um meio que determina o tipo e a estrutura de totalidade do Estado – a guerra total é nada mais que a conseqüência dum inimigo também total”.

 Nesta luita contra Weimar, ele ataca toda veleidade restauracionista da volta reacionária ao passado e saúda o Movimento Nacional-Socialista como umha tentativa heróica de manter e fazer com que prevaleça a dignidade do Estado e a unidade nacional perdida fronte aos interesses econômicos, proclamando a impotência do socialismo marxista frente às idéias de base da Raça e Naçom. Tendo em vista que o parlamento representa a dissoluçom do Estado (em 1932 demonstrou brilhantemente a arbitrariedade das ordens de 13 de Abril e 5 de Maio, dissolvendo as organizaçons paramilitares: SA e SS do Partido Nacional-Socialista), faz-se necessária umha ditadura democrática, posto que o máximo grau de identidade dum povo produze-se quando este aclama pola sua vontade. Tal ditadura é verdadeira; representa a verdadeira democracia, pois é originada do Povo. Na sua obra "Der Führer schütz das Recht", Schmitt propugna para o Führer o direito e a força necessários, para instaurar um novo Estado numha ordem. “O Führer tomará a decisom que defende o direito contra os piores abusos, dissolvendo a multiplicidade de ordens da unidade de ordem, a prezar polos interesses do povo germano”. Depois da guerra, Carl Schmitt seguiu a luita, especialmente contra o reconhecimento infame da linha Oder-Neisse, diante da qual abatiu-se o governo títere de Willy Brandt, o qual validou a condenaçom do autor à morte, bem como a postergaçom da sua obra (inclusive queima de livros). Nos dias de hoje, poucos o conhecem, à excepçom dalguns círculos jurídicos.



 MARTIN HEIDEGGER

 "Nom existe senom umha 'classe de vida' germana, que é a classe do trabalho. Ela está fixada nos fundamentos do nosso povo, o qual permanece livremente submetido à vontade do Estado. Seu caráter, do mesmo modo, é relacionado ao Movimento do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Germanos".

 "O saber e a posse deste, no sentido compreendido polo Nacional-Socialismo, nom se separa em classes. Polo contrário, une-as de modo que membros da pátria e dos estados (corporaçons) representem a única e grande vontade do Estado”.

"É assim que as palavras 'Saber' e 'Ciência', 'Trabalhador' e 'Trabalho', receberam outro sentido, dotada de nova sonoridade. O 'Trabalhador' nom é mais como o quer o marxismo, que dele faz uso como um simples objeto de exploraçom. O Estado de trabalho nom consiste numha classe de deserdados que devem tomar a responsabilidade completa na luita geral de classes”.

 Martin Heidegger nasceu em Messkirch, sendo filho dum modesto sacristam e mestre torneiro, em 26 de Setembro de 1889. A casa paterna gerou-lhe um ambiente de espiritualidade que, pola sua vez, terá ligaçom com praticamente todas as obras suas. A Floresta Negra, a sua terra natal, formará parte de seu caráter. "Sein und Zeit" será escrita em boa parte na sua pequena cabana, localizada em Todtnauberg. O próprio Heidegger, mais tarde, afirmará que o facto de pertencer ao seu país, e à gente da Floresta Negra, brindava-lhe cum enraizar com a terra, ao solo e inclusive ao sangue. Tivo, através destes preceitos, umha ligaçom com o também nacional-socialista Walther Darré.

 Heidegger cursou os seus estudos normais, através dos quais chegou à sua formaçom na Faculdade de Letras de Freiburg, onde se doutorou em 1914. A partires de 1923, passa a trabalhar como mestre em Marburg. Sendo um neoescolástico, Heidegger é considerado o derradeiro grande filósofo romântico, bem como o derradeiro dos metafísicos clássicos. Confessa-se ele ser um discípulo de Nietzsche. Também estuda com profundidade ao poeta Hölderlin, assim como a Mörike, Hebbel, Rilke, entre outros. Ele acostumava dizer que a “Filosofia e a Poesia mantem-se em caras opostas. No entanto, a sua mensagem é a mesma”. De Hölderlin recorda um verso: "Onde há o maior risco, há sempre a maior esperança".

 Figura polêmica e sugestiva, os seus muitos inimigos nom poderam esquecer a sua obra, apesares do silêncio que fora provocado sobre a sua pessoa. Na raiz da sua morte, ficara um novo renascer. Sartre, na sua covardia habitual, incapaz de silenciar as valiosas contribuiçons filosóficas de Heidegger, limitava-se a dizer: “O caso de Heidegger é demasiado complexo para expô-lo”. Constam entre as suas primeiras obras "Die Lehre vom Urteil im Psychologismus" (1915), "Zur Zeitbegriff in der Geschichtswissenschaft" (1916), "Die Kategorien und Bedeutungslehre des Duns Scotus" (1916). Do seu trabalho destaca-se "Sein und Zeit", que publica em 1927, sendo considerada a sua obra máxima e, nos dias de hoje, é bastante familiar em centros filosóficos e teológicos. Umha segunda parte desta obra está ainda por aparecer. Em 1928 publica "Vorbemerkungen der Herausgebers" e um ano depois "Kant und das Problem der Metaphysik". Em 1936, "Hölderlin und das Wesen der Dichtung". Em 1942, "Platons Lehre von der Wahrheit"; em 1943, "Vom Wesen der Wahrheit" e em 1944 "Erlanterungen zu Hölderlins Dichtung". Nos anos do pós-guerra publica a sua famosa "Carta sobre o humanismo", e entre 1953 e 1957, umha série de obras curtas, embora fondamente importantes. Em 1961, aparecem os seus dous volumosos tomos sobre Nietzsche, de onde Heidegger recorre à obra que difundiu através de seminários, trabalhos e conferências entre 1936 e 1956. Como ele mesmo afirma, "Para a extensa Filosofia, nom pode avançar sem que se deixe de lado sua própria óptica, que é a Metafísica”. A sua preocupaçom por umha Metafísica será constante na sua obra. O super-homem de Nietzsche será influído por Ernst Jünger (e a sua obra "Der Arbeiter"), identificando-o em boa parte com o trabalhador da nova Germânia – um laço notável com as concepçons do Nacional-Socialismo. "Esta Europa que, em incurável cegueira, atopa-se sempre a ponto de apunhalar-se a si mesma, está cercada por Rússia e América. Ambas, do ponto de vista metafísico, som o mesmo: o mesmo delírio sinistro da técnica desencadeada e da espectral organizaçom do homem normalizado".

 Quando Hitler ganha as eleiçons que lhe dam o poder, o 30 de Janeiro de 1933, ele fala de trabalho, ética, arte e futuro. A sua linguagem corresponde significativamente às concepçons de Heidegger. Neste sentido, é interessante lembrar a Cassier que, em 1950, retratou a incontestável inclinaçom do filósofo polo anti-semitismo. Möllndorf, membro do Partido Social-Democrata, até entom reitor da Universidade de Freiburg, é destituído, sendo proposto a Heidegger a assumir tal posto. A suas idéias antiliberais e antiburguesas correspondem à corrente puramente antidemocrática das universidades germanas, segundo as palavras de J.P. Cotten, em 1974. O novo reitor é eleito por unanimidade para o cargo, em 21 de Abril de 1933, o que o faze demonstrar publicamente seu apoio ao Nacional-Socialismo. Dez dias depois, ingressa no NSDAP. A imprensa difundiu a nova comentando: "Sabemos que Heidegger está com seu coraçom junto com o nosso movimento". O mesmo Heidegger, na ocasiom do aniversário dum estudante morto, pronunciou umha alocuçom que terminaria com estas palavras: "Honremos o herói e como homenagem, levantemos os nossos braços em silêncio”, referindo-se à saudaçom solar Nacional-Socialista. Durante alguns poucos meses, ocupou o cargo de reitor, mas logo retirou-se de toda vida pública. Durante toda aquela época, Heidegger foi considerado o “pensador mais importante do nosso tempo”.

Heidegger demonstrou apoiar a Hitler. Por três vezes, nos dias 03, 10 e 11 de Novembro de 1933, mostra publicamente-se a favor da retirada da Alemanha da Sociedade das Naçons, tendo dito: "A Revoluçom Nacional-Socialista nom é simplesmente a tomada do poder por outro partido que teria crescido para tal finalidade. Polo contrário, esta Revoluçom significa a mudança total de nossa existência germana". E também: "Nom procuredes as regras do vosso ser nos dogmas e idéias, pois o Führer por si só constitui, de modo único, a realidade germana de hoje e amanhã; ele é a vossa lei”. Sem mudar em absoluto o seu modo de pensar, Heidegger pronunciou-se analogamente, dez anos depois, em plena guerra, no ano de 1943: "Nem os dogmas ou verdades racionais devem transformar-se nas normas da nossa conduta. Hoje e sempre, o Führer é o único capacitado para decidir o que é bom ou mal – ele é a nossa única lei”.

 Para Heidegger, a Revoluçom Nacional-Socialista seria o caminho para um autêntico "Dasein", umha vez próximo do Povo, e este seria unificado pelo Führer. Entre 1933 e 1945 pronunciaria numerosas conferências, entre as quais destacam aquelas reunidas em torno das “Sendas perdidas”. No entanto, isto tudo nom representaria valor ou benefício algum aos vencedores de 1945. Com o remate da guerra, os inimigos da Germânia suspenderom as suas funçons de mestre. A Heidegger proibese-lhe lecionar na Universidade de Freiburg, Isto durou até 1951.

 Um ano depois, voltou viver na sua terra natal. Em entrevistas, mantivo o seu silêncio a respeito da colaboraçom exercida com o Nacional-Socialismo. Até 1969, nenhuma emissora de televisom da Alemanha ocidental tinha-o procurado. A respeito dalgumhas das suas declaraçons, selecionamos um trecho dumha entrevista publicada no jornal Der Spiegel, em 1966:

Heidegger: Polo que sei, segundo a nossa experiência humana e histórica, todo o que há de grande e essencial surgiu quando o homem tinha um Lugar e estava enraizado numha Tradiçom. A literatura actual na sua maioria é, ao meu ver, destrutiva.

Der Spiegel: Se a arte nom conhece lugar, nom é ela destrutiva por si só?

Heidegger: Bem, deixemos isso de lado. Quero somento esclarecer que nom vejo horizontes na arte moderna – o seu olhar, assim como sua procura, é abismal.

Na Germânia, ao final de 1974, iniciarom-se os preparativos para disponibilidade das suas obras completas, das quais constam 70 tomos. Sem dúvidas, a mais completa e profunda obra filosófica do século XX, estando muito acima dos auto-intitulados “grandes filósofos” de nossa era.

Heidegger morreu longe da vida pública, no silêncio que somente as “democracias” sabem impor sutilmente, em Maio de 1976, aos 86 anos de idade, na sua terra natal da Floresta Negra. Em nenhum momento arrependera-se dum passado que já formava parte da sua própria vida.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Insónia com Risco

A polémica que os políticamente correctos criam sobor a filiaçom ideológica do nosso intelectual reaparece periodicamente. Nos seus debates xordem problemas irresoltos na política do país.

Passou médio século da sua morte e quase cem anos da sua obra mais influínte, Teoria do nacionalismo galego. Sobor Dom Vicente Risco publicarom-se livros apologéticos, estudos críticos e ataques furibundos. Também adicouse-lhe o Día das Letras, em 1981, e a sua nouvelle satírica O porco de pé é leitura obrigatória em secundária. Mas a figura do intelectual ourensam, coraçom da Geración Nós nom descansa. O debate arredor das implicaçons ideológicas do seu pensamento rexorde periodicamente e adoito faze agromar problemas nom resoltos da cultura e a política do país. O derradeiro round começou a pé feito dum artigo do palhaço palheiro-judeu* Suso de Toro no jornal estatal “El País”.

"Na série Xente de aquí intento oferecer um imaginário para o nosso país cum sentido ideologicamente criativo", argui De Toro, "e a tese da mesma é a minha interpretaçom do país. Dentro desse propósito, considero que Risco ocupa demasiado espaço no discurso nacional galego e, dende logo, no discurso nacionalista". No texto “Vicente Risco, tráxico bufón, intruso perturbador” o judeu De Toro traçou um aberrante retrato do ourensam e criminalizou-no pola sua simpatia polos Nacional-Socialistas Germânicos logo de viaxar ao grandioso Berlin dos anos trinta.

Para surpresa nossa, o historiador Beramendi explica com certa indignaçom que "Isto está ja contado muitas vezes, o que passa é que neste país niguém le a ninguém". O historiador, prémio estatal por “De provincia a nación”, lembra que Risco "foi o teórico mais importante do nacionalismo de pre-guerra e todos bebem dele, começando por Castelao". Um dos pontos de fricçom nos mal chamados nacionalistas, justamente é decidir se há ou nom vários Riscos.

"Derivou cara à extrema direita, ainda dentro do nacionalismo galego, mas longe da Teoria do nacionalismo do ano 20", afirma com palavras suas o senhor Beramendi, "mas no fundo existe um só Risco com diferentes modulaçons". O ensaista progre Antón Baamonde situa a um dos cerebros indiscutíveis do primeiro galeguismo político no contexto cultural europeu no que se forma intelectualmente. "A começos do século XX, o nacionalismo em toda Europa é fondamente conservador", sinala como desculpando-o, "esse é o mar de fundo".

Nom só Vicente Risco mira-se no espelho dos movimentos genuinamente nacionalistas como de Maurras e Acçom Francesa ou de Nietzsche; assim como do movimento Nacional-Socialista Germânico. Também os seus companheiros de geraçom como Pedrayo e Cuevillas, faze-no justo no minuto antergo a se integrar nas Irmandades da Fala. "Mas quando Risco faze a conversom ao nacionalismo galego, segue a manejar esses mesmos códigos; há umha continuidade de fundo em todas as suas etapas" engade Baamonde.

Som as viagens pola Europa e a conmoçom do genocídio bolchevique o que atrapa a Risco no vendaval da história e faze-no reafirmar no nacionalismo genuino. "Decata-se do que sucede em Europa e oferece umha resposta ideológica a umha mutaçom radical do mundo", considera o filósofo Francisco Sampedro, outro, quanda a profesora Olivia Rodríguez, dos que entrarom em discusom a partires de “Tráxico bufón, intruso perturbador”. E essa reacçom consiste numha “Galiza idílica dominada pola Igrexa”, opina, “no que os labregos som o grupo social dominante, pero sempre supeditado a umha elite". Neste sentido de classe, a Olívia opina igual que o Beramendi e Sampedro, como a esquerdalha clássica, “O homem culto, erudito, ao tanto das vangaurdas artísticas, treme o combate obreiro e o que se deriva da Revoluçom francesa. Igual que todos os reaccionários", sinala Sampedro, "porque é a morte do rei, a morte de Deus feito carne". "A luita de classes agudísima que ve no continente asusta-o e vira à direita", dize Beramendi e continua “ao escolher essa banda da barricada que derregava Europa, Risco afasta-se dum partido, o galeguista, e o seu movimento, inequivocamente republicano e escorado cara ao centro esquerda”.

Beramendi auto-censura-se, pois Risco nunca foi de esquerdas para virar logo à direita, pois ao igual que o PG inicial era de pensamento de direita clássica tradicionalista e conservadora. Beramendi omite dizer isto na entrevista, pois conhecemos a sua interessante obra “De provincia a nación”, que pese a ter o seu toque tendencioso esquerdalho, é umha boa obra para qualquer interessado na política do páis e onde sinala ,sem outro remédio, as origens do PG e como vai virando à esquerda meiante as lógias marxistas, da mesma maneira que fixo Castelao.

É curioso como alguns persoeiros como o judeu Mendez Ferrín aproveitam para dizer que Risco, da mesma maneira que admirou o Nacional-Socialismo e optou polo bando Franquista na guerra , ao mesmo tempo também voltou-se um nacional-espanholista, e que abandonou o galeguismo para sempre, empregando argumentos tam ridículos como o de escrever alguns dos seus livros em castelám. Para eles a esquerda que apoiou a Fronte Popular (também espanholista), a genocida URSS, e em definitiva a ideologia mais centralista da história como é o comunismo também no estado espanhol, nom era para nada sínómo de traiçom ao galeguismo; algo com o que nós nom tragamos nem aceitamos, por nom falar dos livros escritos em castelam por esses mesmos esquerdalhos do PG incluido o Castelao, mas seria ridículo empregar o mesmos argumentos ridículos e sem sentido da esquerda. Mas os que lemos a história real e temos um pouco de objectividade sabemos bem o que é a manipulaçom.

É nesessário explicar porque um galeguista conservador da época apoia ao Franquismo na guerra? É necesário explicar porque no caso de ser traidores, seriam tanto os que apoiam ao Franquismo como à Fronte Popular? Risco apoia o Franquismo confiando na rama tradicionalista/foralista, católica e conservadora do Carlismo, pois era umha das ramas do bando Franquista, que de ser escolhido em matéria etno-cultural, conservaria as tradiçons galaicas sem entromisom do marxismo, que era: internacionalista, anti-nacionalista, apátrida, classista, anti-cristiam, urbanista, mesticista e no estado espanhol naquela altura significava “centralismo nacional-espanholista”.

Se a esquerda para-se um pouco a ler, mas como bem sinala Beramendi “ninguem le a ninguem”, comprenderiam melhor à figura e pensamento Risquiam, e conheceriam também que o intelectual apoia também num primeiro momento a Ditadura de Primo de Rivera, pois considera-a umha oportunidade para desmontar o sistema caciquil e aceita um posto de deputado provincial em Ourense, todo isto naquela altura pensando numha possível instauraçom dumha mancomunidade como na Catalunya.

Mas gente como Ferrín nom nos engana, e sabemos que logo de louvar ao Nacional-Socialismo na sua viagem polo centro de Europa, tam pronto chega a Galiza ,ainda dentro do PG, aceita certos pactúos com a esquerda para evitar o esgaçamento do próprio partido, algo que se faze insostenível mais adiante e remata junto com outros camaradas formando a Direita Galeguista em 1935.

Um dos melhores e censurados livros de Risco é “Historia de los judíos” onde descreve perfeitamente ao povo judeu e mostra o seu conhecido anti-semitismo, que já se entornava no Mitteleuropa, e que logicamente nom significou que tornara a espanholista polo mero feito de estar escrito em castelám. "É significativo que depois da guerra Risco nom se aproveita-se do franquismo, ao contrário que algúm colega seu da dereita galeguista como Filgueira Valverde", explica sem pelos na língua Beramendi, "ele recolhe-se em Ourense e adíca-se à literatura".

É entretido para nós, olhar como o escritor ourensano morto en 1963, e a sua trajectoria político-intelectual seguem a provocar certo confronto entre os galeguistas actuais. Para o judeu Suso de Toro, "toca o nervo da memória galeguista instituida".
Beramendi, mostra-se máis contundente, e lança um Zas! em toda a boca: "O caso Risco está perfeitamente estudado do ponto de vista historiográfico", expóm, "mas existe um problema cultural. Paco Rodríguez foi o primeiro em tentar negar a sua importáncia, porque a questom é como se usam as figuras do passado bem para ganhar uns dinheirinhos, bem como metáfora das liortas do presente".

Nesse ponto, Risco como síntoma, coincide Antón Baamonde. "Ao ser o nacionalismo contemporâneo unanimemente de esquerdas", aponta, "tratar con ele trai polémica porque lembra a possibilidade de que exista um nacionalismo de direitas" nós mais bem diriamos um nacionalismo genuino de sangue e terra., que era o que ele defendia na prática. Continua Baamonde contra a ignoráncia "tampouco muitos nacionalistas conhecem o primeiro Castelao, por exemplo"; certo! pois é Castelao o que passa de convervador a marxista, sendo ele quem vira realmente a camisola, e nom Risco. Conclui tendenciosamente dizendo que "mitologizar um país leva ao fascismo; esse foi o seu labor, ao cabo". É normal que a esquerda tome como mitologia a Risco, e mais quando a mitologia galaica foi confirmada pola genética e a historiografia recente; realmente eles vivem num conto de fadas permamente, o seu conto de fadas mesticista e igualitarista, por isso tomam a brincadeira a nossa mitologia.

*O apelido De Toro é de descendência judea; Touro. Para evitar mais perseguiçons foi cambiado a Toro. Estabelererom-se em Zamora e transformou-se em Del Toro e De Toro.

Escolma dalguns textos que criam insónia

- "Mística disertación na que se decrara o simbolismo y-espiritual significado que ten a vida groriosa do Santo apóstol San Yago, assí como a festa que hoxe principia a celebrare a nación galega". (A Nosa Terra, Julho de 1920)

- "Eu bendigo a endogamia, que se sole dar nos galegos que viven alén mar. Alédome cand'un galego casa c'unh'alemá, c'unha inglesa ou c'unha irlandesa. Dame tristura velo casar c'unha italiana ou c'unha turca. Creio na seleución e na euxenesia, e sei as propiedades dexencrativas do mestizaxe". (A Nosa Terra, Novembro de 1921)

- "É un feito que non se pode discutir seriamente, que no pobo galego hai un predominio marcado do elemento loiro centro europeo, como non sucede en ningún outro pobo da Península. Na poboación rural, nótese que tódolos rapaciños son brancos como a neve co cabelo loiro, case que albino. Logo, o sol, o aire, no traballo constante da terra vólvelles o coiro tostado e o cabelo escuro.
Non falo dos caracteres craneanos, porque non se teñen estudado ben". (Teoría do nacionalismo galego, 1920)

- "Outro desviamento do nacionalismo é o que chaman fascismo. Tampouco a idea fascista é ruín en si. [...] Coma movemento político é un movemento nacional contra das causas da descomposición interna dunha nación, e tende á concentración das forzas nacionais contra da dispersión e quebrantamnento delas, orixinados polos partidos políticos, loita de clases, manexos da alta finanza, relaxamento dos costumes, etc. etc. E neste senso non é cousa ruín". (Nacionalismo galego. Na revista Alento, 1934)

- "Temos, por tanto, esas dúas coincidencias coa doutrina do fascismo: 1. O pretendermos unha concentración das forzas galegas, contra das loitas políticas, de clase ou de intereses particulares, pondo por riba diso todo o ben comun. 2 O pretendermos que a organización e a lexislación que rixan en Galicia se acomoden ao modo de ser da nosa Terra". (Ibid.)

- "[A obra de Marx é] la de un enfermo con trastornos fisiológicos, con un rencor bilioso de psicópata y de temperamento hepático propio de la raza judía". (revista Misión)

- "[o marxismo como fe baseada no resentimento non é máis que] a envexa dos d'embaixo os d'enriba, do que non ten ao que ten, do que non pode ao que pode, do que non sabe ao que sabe". (Mitteleuropa, 1934)

- "[os obreiros] minados por las propagandas democráticos, que les predicaban la igualdad, la libertad, [las ciudades] destruían sus convicciones religiosas y su acatamiento a las instituciones". (Ensayos sobre el marxismo)

- "El híbrido envuelve siempre un equívoco, cuya expresión es a veces, el hermafrodita. El instinto(guía infalible para la vida) lo repugna. Incluso el híbrido humano, el mestizo es justamente sospechoso; se dice 'Dios hizo a los negros y a los blancos, y el diablo a los mulatos' [...] la limpieza de sangre es un bien, el mestizaje un regreso hacia el Caos". (Orden y caos, 1968)

- "...o nacionalismo moderno galego deriva máis de Faraldo que de Brañas. En troques hoxe, en doutriña política, resulta Brañas moito máis moderno que Faraldo, que Murguía, que Vicetto, que todol-os galeguistas do século XIX, un percursor de moitos antiparlamentarios do noso tempo. Posto a carón de Duguit, de Sorel, de Sardinha, de Maurras, dos mesmos comunistas, non somella Brañas tan anacrónico coma somellaría o propio Pi y Margall, de quen proceden, eiquí mesmo, moitos dos nosos nacionalistas de esquerdas". (A Nosa Terra, Julho de 1925)

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Coreia do Norte dende a óptica NS



E bem sabido que na 2GM houvo gente doutras raças que apoiarom à Germânia NS. Concretamente o Batalhom 43 da Wehrmacht que estava formado por orientais de diferentes etnias. E já que falamos de Coreia do Norte, temos que sinalar que os coreanos junto com os japoneses forom os mais fieis e leais do batalhom, devido ao código bushido e a sua religiom.

Tropas de origem asiático estudando o terreo baixo supervisom de oficiais germanos

"O curioso do caso, é a hipocresía dos comunistas europeus, que jamais aceitariam nada semelhante em Europa ao que é a RDPC"

Imos-vos pedir que imaginem umha Europa ou Gallaecia à imagem e semelhança da Coreia: soberana e autárquica, fondamente tradicionalista e de raigame religioso confucianista-chamanista (no nosso pagano-cristiam), uso e fomento da energia nuclear (limpa), poder herditário (nom nepotista), militarizaçom social e forte hierarquia de poder, mantimento de grandes áreas des-industrializadas, culto á raça ("danil minjok" - "um único sangue"), orgulho racial e pureza ("a raça mais limpa" um dos seus lemas), umha bio-política ativa (banco genético, fomento da natalidade) , proibiçom de fluxos migratórios, valores arcaicos orientais mongólido-japo-jōmom de: disciplina, austeridade, marcialidade, patriotismo, ritualidade (no nosso caso ariano-medievais: culto ao sol, patriarcado, eugenismo, aristocrácia), proibiçom das drogas, e um longo etcétera.

Alguém está pola laboura? Aquí os comunistas por normal geral, prefirem os contrários, respectivamente: internacionalismo, multiculturalidade e diversidade, ateísmo e gili-progressismo, pacifismo e des-nuclearizaçom, anti-militarizaçom e igualdade, urbanizaçom e modernizaçom, xenofilia, masoquismo racial, vergonha do passado europeu e galaico, despreço da identidade étnica e racial própria, aussência de vontade de poder e de destino, amor polo estrangeiro e a mestiçagem, abortismo, pro legalizaçom de drogas e valores pos-modernos ( nihilismo, egotismo, etc).

A hipócrita escusa é que os norte-coreanos tenhem "umha cultura diferente da nossa e é inaplicável em Europa" ou que "estám noutra situaçom". O caralho! Nós também tivemos sempre umha cultura muito similar nos pontos que expusemos, e regímenes assim, mas é bem sabido que Europa perdeu a sua identidade muito antes do que Oriente. De facto, um dos factores que ajudou nesta auto-destrucçom europeia foi o comunismo. Pois como vimos demostrando o comunismo em Europa nom tem nada a ver com o "comunismo" coreano. O comunismo norte-coreano é um revestimento de símbolos, umha máscara tra-la que se manifesta o ser antergo coreano. Pola contra, em Europa, o comunismo foi mais bem um jugo asiático, dirigido por elites nom-europeias, fondamente alheio ao ser antergo indo-europeu.

Por isso fracassou em Europa, mentres que polo carácter coleitivista, trabalhista e impersonal dos orientais, um sistema pseudo-comunista adaptado é compatível com o ser essencial mongoloide.

Tambén é de destacar que Coreia do Norte carece de Banco Central da rede Rothschild (os poucos estados que também careciam deel, forom destruidos nos derradeiros anos: Afganistám, Iraque, Líbia; algo muito raro de ver no comunismo judeo-europeu, que sempre protegiu a banca central dependente da finança internacional, caso por exemplo da URSS. Pola contra, a retirada do Banco Central Rothschild por Germânia nos anos 30 foi o motivo da 2GM, na que os bloques integrados em dita rede mundial, o capitalista e o comunista, alianarom-se na sua defesa. Em verbas de W. Churchill, a guerra liberou-se porque "Alemanha convertira-se numha ameaça à economia mundial", e que mesmas verbas dixo Sarkozy respeito a Líbia.


O homossexualismo é un rasgo típico da degeneraçom ocidental, já na sua vertente liberal-capitalista como denunciou o próprio Stalinismo ou o Castrismo, assim como na vertente troskt-comunista.

Este fenómeno nom existe na Coreia do Norte, nem em geral na Península da Coreia, ainda que, como denunciou a RDPC, na Coreia do Sul esta-se a começar a promover a homossexualidade, junto com o protestantismo e a imigraçom. Coreia do Norte NOM reconhece como válidos matrimónios entre pessoas do mesmo sexo. Nom há lar para mostras públicas de homossexualidade, nem para locais gais nem movimentos activistas gais.

Mas a homossexualidade nom só está alá socialmente condeada em base a princípios morais-religiosos, senom também a princípios SOCIALISTAS, pois a possessom dumha pessoa por outra do seu mesmo sexo, ao ser umha relaçom que nom produzirá filhos para a comunidade, está considerada como "propriedade privada dum médio de producçom" que é a definiçom do capitalismo.

Os comunistas europeus fazem pressom para que Coreia do Norte cámbie a percepçom da homossexalidade, mas o certo é que, mais aló da urbanizada capital (Pyongyang), obrigada a ter contato com o mundo exterior, no rural norte-coreano nom há lar para estes temas burgueses, pois um comunicado do seu governo definiu como "rejeitado pola RDPC polo seu consumismo, classismo e promiscuidade, que definem a cultura homossexualista ocidental". Em Pyongyang a RDPC afirmou que considerava à homossexualidade como "um rasgo genético que ia na contra da armonia social".

E o mesmo opinam doutras "desviaçons burguesas", Coreia do Norte é outro desses sítios nos que rapam aos punkies e travestis.  Como dize um capitam norte-coreano da Marinha na sua obra "Tormenta de neve em Pyongyang": "Este é o território da nossa república, onde a gente disfruta de vidas acordes ao ser humano. Neste cham, nenhuma actividade dessa classe será tolerada."

Coreia do Norte luita contra o narcotráfico com duras sançons como a pena de morte a aqueles que possuam ou trafiquem com qualquer tipo de droga. Nas ciudades principais da Coreia do Norte, estám colgados a pé da rua, decretos para que todos os habitantes poidam ler. Entre eles, atopam-se as medidas contra o narcotráfico. Neste decreto especificam-se obrigas de como: "avisar aos guardas oficiais no caso de descobrir um movimiento suspeitoso que tenha a ver com o narcotráfico". Penas a todos aqueles e ao seu entorno que possuam droga,

Também a aussência do accesso ao Internete é justificado polo RDPC como umha maneira de proteger ao povo de conteúdos inadequados para o próprio consumo de drogas. Na RDPC proibem as drogas porque: som contra-revolucionárias, destruem o proletariado convertendo-os em vagos, hedonistas e individualistas.

Coreanos aliados da Germânia NS, caturados polo bando aliado

Há que sinalar também, que as relaçons que tinha Coreia do Norte com a URSS e o seu falso socialismo, esse comunismo que protegia a banca central dependente da finança internacional, tivo consequências catastróficas para os norte-coreanos. Entre os anos 1995 e 1996 logo do colapso do Império Soviético desatou-se umha grande carestia que matou de fame ao 10% da povoaçom do estado, uns 2 milhons de habitantes, na sua maioria crianças e ancians.

sábado, 12 de maio de 2012

Deixe-mos os queixumes!


Nom sejamos choromicas!
Que é isso de queixar-se polas repressons e injustiças ou de solicitar liberdade. Fazendo-o o que provoca é a anulaçom da nossa luita. Nom podemos queixar-nos de que o sistema, que se sinte ferido quando certas pessoas que encarnam umha ideia de aparência funesta som capazes de chegar ao povo como gentes humildes e bondadosas que resultam ser Nacional-Socialistas. Esse é o seu ponto feble. Quando todo um sistema como o plutócrata exerce umha pressom descomunal criando umha corrente expressiva de rejeitamento a umha ideia que aparece perante o grande público como demoníaca, espera resultados.

Ao sistema nom lhe molestam as gentes que luzem Suásticas e som detidas protagonizando acçons violentas ou dirigidas num enfoque que afiança a imagem do NS que pretendem mostrar. O Sistema debilita-se realmente quando os cidadans dos que se nutre chupando-lhes o sangue vem como a iguais a um coletivo que se opom ao sistema. Quando este coletivo fala com o povo e o povo escuita sem temor a ser atacado ou ao desprezo é quando a ideia cala fundo; e é aí onde fazemos dano. Eles sabe-no e por isso condeam tam enérgicamente aos seus “agressores”. Nom devemos protestar por algo que resulta de recibo e lógico, pois está fundado dende o ponto de vista de sentirem-se agredido, na mais justa legítima defesa.

O sistema ve-se tremelicar fronte a postulados como os nossos e, ao atopar a gente capaz de fazer que estes cheguem a ouvidos populares, defende-se com todas as suas armas. Bem, pois resulta que o Sistema imperante possui todas as armas políticas, judiciais, económicas e mediáticas e aproveita-se da sua vantagem para calar as vozes dos insurretos. As nossas.

Pensade com seriedade, acaso Hitler e o NSDAP nom fizerom ajustiçar aos que tentarom atentar contra ele como golpistas? O nosso caso é pior pois o golpismo nom serve de nada sem um apoio popular. Umha toma de governo polas armas sem estar secundada pola massa, por justa que esta seja, carecerá de todo sentido num governo racial e artístico como propo-mos. Em troques, quando é sustituido o golpe de força com a força da razom e debate-se e profundiza em postulados revolucionários que fazem que o personaginho de “a pé” planeje-se o seu “eu existencial” e os seus “porquês vitais” , aí si fazemos dano. Dano social, dano intelectual, nom é pois a nossa via correcta a de dar expressom violenta das idéias, senom a de fazer chegar estas ao ouvido alheio.

Um anarquista nom é um inimigo, senom um branco confuso. Temos que ter aprendido a corrigir os nossos erros assi como temos que assimilar que toda revoluçom que se geste terá que estar assentada ideológicamente antes, e deve possuir um núcleo consistente de idealistas que preparem a revoluçom social por meio da revoluçom intelectual, precursora de todas as revoluçons.

Só fica engadir umha cousa: Formaçom integral! Um homem formado é capaz de bater-se no combate dialéctico com toda umha massa carragenta de adversários e re-conduzí-los em favor da justa luita que o orador professa. Carácter, Espírito e Formaçom som as tres pautas base dende as que poderemos sonhar com passar a testemunha, umha e outra vez até que, chegado o momento revolucionário que chegará (pois a vida é cíclica graças ao eterno retorno) tenha-mos umha elite preparada para guiar essa revoluçom polos eidos da vitória. Há edíficios que nom se podem restaurar e convem derrubá-los para edificar sobor os seus solares. Por isso é polo que somos revolucionários, nom reformistas. Mas o que de nenhum modo se pode fazer é dinamitar os cimentos dumha estrutura sem ter os planos doutra listos para serem interpretados e os peons e arquitetos preparados que levem o projecto a bom porto. Fazé-lo desembocaria somente numha postura que fazeria pensar à “plebe” que se bem a edificaçom existente (chame-se sistema) é mau, bem certo é que nada melhor há depois que oferecer polo que reforçariamos os laços de uniom entre os povos indo-europeus e o sistema capitalista estabelecido.

Obrigado a todos polo vosso apoio e indignacçom mas nom som necessários. A revoluçom necessita guias, nom mártires...

Camaradas, onde há vontade há um caminho! Saúde e Vitória!