segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Horst Wessel :: Gaita ::


Bandeira em alto,
companhia em formaçom fechada,
as SA marcham
com passo decidido e silencioso.
Os camaradas fuzilados
polos vermes e a reacçom
marcham em espírito
dentro da nossa formaçom.

A rua livre
aos batalhons pardos,
a rua livre
para as Secçons de Assalto
Milhons, cheios de esperança
olham a esvástica
o dia chega já
para o pam e a liberdade.

Por derradeira vez
fai-se a chamada,
para a briga
estamos todos prontos.
Cedo ondearám as bandeiras de Hitler em cada rua
a escravitude durará tam só um pouco máis.

Bandeira em alto,
companhia em formaçom fechada,
as SA marcham
com passo decidido e silencioso.
Os camaradas fuzilados
polos vermes e a reacçom
marcham em espírito
dentro da nossa formaçom.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Que é o Socialismo Suevo?



"É o povo dos suevos o mais populoso e guerreiro de toda a Germânia. Dize-se que tem cem divisons, cada umha das quais contribui cada ano com mil soldados para a guerra. Os demais ficam na casa a trabalhar para si e os ausentes. Ao ano seguinte alternam; vam estes à guerra, ficando os outros na casa. Desta sorte nom se interrompe a lavrança e está suprida a milícia. Mas nenhum deles posui aparte terreo próprio, nem pode morar mais dum ano no seu sítio; o seu sustento nom é tanto de pam como de leite e carne, e som muito levados à caça. (...) Admitem aos mercaderes, mais por ter a quem vender os despojos da guerra, que por desejo de comprar-lhes nada. Tampouco som servidos de bestas de carga trazidas de fora, ao revés dos galos, que estima-nas muitísimo e mercam muito caras, senom que as suas nascidas e criadas no país, ainda que da má traça e catadura, com o cansaço diário faze-nas de suma resistência. (...) Nom permitem a introduçom do vinho, por julgar que com ele fazem-se aos homens regalons, afeminados e inimigos do trabalho. Tem pola maior glória do Estado o que todos os seus arrabaldes por muitas botas-léguas estejam despovoados, como em prova de que grande número de cidades nom puiderom resistir a sua fúria. E ainda asseguram que por umha banda dos suevos nom se vem senom páramos no espaço de seis-centas milhas."

Do belo Gallico, Julius Caesar

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Mais do nosso Socialismo

Quais forom as conquistas do Nacional-Socialismo na área de política social, além da eliminaçom do desemprego?

Em primeiro lar ele eliminou a luita de classes, deu ao termo Socialismo um novo conteúdo e substituiu palavras e promessas por acçons.

E por isso que mesmo ele é combatido até hoje. Tentam confundir as pessoas em torno da questom racial demonizando-a, desviando as atençons deste evento único na história, onde um grande povo procurou eliminar duas parasitas: a luita de classes e a escravizaçom dos juros.

A 2 de maio de 1933, o NSBO (Nationalsozialistische Betriebszellenorganisation = Organizaçom Nacional-Socialista das câmaras trabalhistas) assume os sindicatos. A 3 de maio de 1933, a Fronte de Trabalho Germano ocupa o lugar dos sindicatos, umha grande fronte unida de todas as forças produtivas germanas, a primeira e maior organizaçom do mundo, onde empregador e empregado forom incorporados numha unidade trabalhista comunitária.


"Esta empresa está unida à Fronte de Trabalho Germana"

Após meses de intenso trabalho, é aprovado a 20 de janeiro de 1934 a Lei para regulamentaçom do trabalho nacional, a base para criaçom dumha política social Nacional-Socialista, sem contrapartida em qualquer lar do mundo. Pela primeira vez, os termos “honra social” e “utilidade pública” (soziale Ehre e Gemeinnutz) forom fixados por meio de lei. Ele baseava-se nos três pilares Nacional-Socialistas: princípio da liderança, uso comunitário e honra.

A lei tinha sete subdivisons, onde as cinco mais importantes som:

- Líder do Conselho da fábrica e da confiança mútua
- Representante trabalhista do Reich
- Regulamentaçom trabalhista e tarifária
- Justiça da honra social
- Proteçom contra demissom

Com a promulgaçom destas diretrizes, o trabalhador germano daquela época conquistou:

1. Justiça

Anteriormente, as relaçons trabalhistas estavam submetidas aos chamados “livres” contratos de trabalho e ao regateio do sindicato e associaçons do trabalho.

Com a lei, acima das livres decisons do diretor da fábrica está o poder do Estado, que através do Representante trabalhista do Reich pode fiscalizar se justiça e uso público prevalecem ante despotismo e interesse pessoal.

2. Eliminaçom da exploraçom

Anteriormente, o abuso de poder por parte do empresário, exploraçom perversa da força produtiva e condiçons insalubres, eram combatidas através do longo caminho da acçom judicial particular, que nom estava ao alcance da maioria dos trabalhadores alemans.

Com a lei, os Representantes trabalhistas do Reich faziam como procuradores do Estado para dirimir problemas também relacionados quanto à honra social. Um diretor que abusa na empresa de sua posiçom sobor os empregados ou viola a honra destes, coloca-se sobor as penas do tribunal social da honra (Ehrengericht). Casos particularmente mais graves podem destituir o diretor de sua funçom na empresa. Umha vez imposta a lei, culminou em 1935 na absolviçom de somente 4 casos dentre os 156 processos de honra social.

3. fim da pressom sobre o salário

Obrigaçons e benefícios nom som mais negociados agora no contrato de trabalho entre associaçons de classe em luita e conformados segundo a relaçom de força entre as partes, mas sim de forma razoável, onde o Representante trabalhista do Reich promove como órgao estatal a remuneraçom justa dos trabalhadores. Caso seja exigida a proteçom do empregado, ele estipula condiçons mínimas trabalhistas para regulamentaçom das condiçons de trabalho, que nom podem ser ignoradas. Peritos juramentados som convocados. Um diretor que nom cumpre as condiçons mínimas fica sujeito às penalidades jurídicas. Os colaboradores podem exigir a qualquer momento o pagamento da diferença entre remuneraçom paga e o mínimo estipulado. Umha renúncia à remuneraçom mínima, por princípio, nom tem efeito.

4. Pagamento do salário em caso de incapacidade

Anteriormente, em casos de doença ou acidente de trabalho, o pagamento ao trabalhador era raramente feito além dos primeiros três dias.
Com a nova lei, a continuaçom do pagamento continuava na maioria dos casos. Perto de 25% dos casos, já existia em 1937 até o pagamento de auxílio aos dependentes em caso de morte do empregado.

5. Proteçom contra demissons

Grande esforço para manter o lugar de trabalho através de longos prazos de demissom. Até 1933, os trabalhadores tinham um prazo de 1 dia, em casos especiais, umha semana. Após 1933, em inúmero casos o prazo era de 2,3,4 e 6 semanas, até o fechamento do trimestre e no caso de longas relaçons trabalhistas, prazo de demissom de três meses.

6. Dentro do possível, supressom da demissom em massa

O Representante trabalhista do Reich tem poder procurador para alterar o prazo de demissom. Dentro deste prazo, as demissons só poderão ocorrer com a permissom do Representante trabalhista. Com isso o colaborador tem umha ampla proteçom diante de fechamentos.

7. Proteçons extras para os trabalhadores germanos

Anteriormente existia a exploraçom desmedida e o despotismo nas regras para remuneraçom. Após a lei, fixaçom da remuneraçom através do Representante trabalhista do Reich. Mais de 400 classes salariais. Os Representantes especialistas fixam umha justa remuneraçom do trabalhador nacional.

8. Regulamentaçom das férias

Anteriormente: as férias do trabalhador eram totalmente ignoradas. Em contrapartida, desde 1934, em toda relaçom trabalhista as férias som consideradas. O prazo de direito às férias foi do anterior um ano, ou mais, reduzido em seis meses.

9. Gratificaçons de Nadal, ajuda de férias e outros

Antes: o comum somente para funcionários mais graduados
Após a lei: em muitas empresas, introduzido também para todos os colaboradores da empresa.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

sábado, 24 de setembro de 2011

Porque chama-mos "guarras" às mulheres promíscuas?

O cocho é, em certa maneira, umha criaçom nossa. Durante milheiros de anos de selecçom artificial convertimos o que origináriamente devia ser algo muito semelhante a um javarim salvagem num produto de consumo do que se aproveita todo.

Tantos milénios convivendo com eles ,mentres lhes davamos jeito para adaptá-los às nossas apetências culinárias, permitiro-nos apreçar, ademais destas virtudes como fonte de alimento, às que os próprios porcos permanecem alheios, alguns “defeitos”.

Naturalmente o das virtudes e os defeitos é algo muito subjectivo, e ademais muito humano. Nenhum outro animal pom-se a apreçar estas abstracçons. E se a isto engadimos-lhes que o que para umha espécie é virtude para outra bem puidera ser um defeito, se é que estivesem em condiçons de valorar estas cousas, só fica considerar que a suciedade do cocho está na nossa cabeça, como tal suciedade.

Essa valoraçom do ser sujo como um defeito está estreitamente ligada à importáncia instintiva que atribui-mos à higiene. Que considere-mos ou ser sujo desta maneira deve-se a que a denominada suciedade é básicamente umha fonte de patógenos. A nossa moral, nisto como noutras tantas cousas, edifica-se sobor o cimento da necessidade. A falta de higiene é mau, sim, mas também aqueles que som pouco higiênicos, ao converter-se eles mesmos numha fonte de patógenos.

Chamar cocho a alguém pode significar duas cousas. Umha que a pessoa aludida tem pouca higiene corporal. A outra que tem pouca higiene moral. Pode em princípio semelhar que ambas cousas nada tenhem que ver, mas tenhem umha relaçom sútil, que da-se sobradamente em questons sexuais. Estas significaçons tenhem a sua causa comúm na necessidade. A suciedade é perigosa, assim como as pessoas sem escrúpulos morais.



O caso que provavelmente melhor seja exemplificado é o das mulheres promíscuas, e a universalidade do rejeite às mesmas, que em toda cultura expressa-se, verbalmente, a través de epítetos que fazem alusom à suciedade.

Umha mulher sempre sabe que ela é a nai dos seus filhos. O homem em cámbio tivo-se que guiar durante toda a história humana ,e a mais longa pre-história, durante a qual conformou-se a sua mente, por indícios para reforçar a sua certeza de paternidade.

As mulheres promíscuas som moralmente reprovadas, em toda sociedade, por nom oferecer garantias aos possíveis pais da criatura. A sua promiscuidade supom um jogo de lotaria genético intra-uterino ao que poucos homens mostram-se dispostos a jogar. Com certeza sim estám dispostos a ter umha relación ocasional, já que procuram o maior número de potenciais parelhas e de postas de semente, mas nom o estám em absoluto para ter umha relaçom estável, formal, que implique formar umha família, ter filhos e sacá-los adiante. Assim, as mulheres promíscuas vem-se como um produto, igual que o cocho, de usar e tirar.

Por outro banda está o aspeito higiênico puro e duro. Umha mulher promíscua intercambia fluxos corporais com multitude de pessoas. Estes fluxos som também umha importante fonte de patógenos. Assim, a pessoa promíscua resulta ser suja num sentido nada metafórico, ao portar potencialmente maior número de enfermidades ,nom exclusivamente venéreas.

Se a mulher é promíscua será ademais, polo geral, apaixonada nos seus encontros sexuais. Isto implica entregar-se de maneira muito mais arriscada. Nom imos entrar nos detalhes das práticas sexuais mais “sujas”, que todos conhecemos. Sim dire-mos, nom obstante, que muitas delas som escenazaçons dum jogo antergo de submissom ao macho dominante que implica umha entrega total (e da que deviam abstener-se todas as "feministas"). Dita entrega dura o que dura o encontro, mas é suficiente para rebaixar moralmente ,ademais de emporcar, a quem a realiza.

Por que chamar guarras às mulheres promíscuas e nom aos homens igualmente promíscuos? Alguns explicara-no pola pegada deixada por um machismo patriarcal na linguagem e nos costumes. Mas umha vez mais o cimento está na biologia e na necessidade. Som as mulheres as que traim a descendência e as que se ocupam principalmente dela (a pesares das igualdades de gênero sonhadas ou impostas). Som elas e as criaturas que levam no seu seio o centro mesmo de todo o complexo e emocionante jogo do sexo. Um homem promíscuo é como um satélite que se sai da sua órbita. Umha mulher promíscua é umha perigosa aposta evolutiva.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Galiza, como Europa



GALIZA, COMO EUROPA por Vintilă Horia Iucal
“Espanha e outros mundos”
Ed. Plaza&Janés, Barcelona 1970 Págs. 31-34


Escuitando cair a chúvia, cantando dende as goteiras antigas de Santa Maria a Real de Osseira, passando como cortinas fantasmais e como saias da aurora boreal por cima das fachadas ilustres da praça do Obradoiro, de Compostela; martelando as folhas das altas camélias do pátio do mosteiro dos mercedários de Poio, dim-me conta de que a chave de Europa esteja cecais nos dous pontos extremos e menos conconhecidos de Europa: Rumania e Galiza. Dizer que os dous foram unidos pola linha migratória dos visigodos, os quais passarom quase dous séculos na Dácia trajana; que Santo Vintila Solitório (soterrado em Punxim, perto de Ourense) é um santo galego de nome rumano, que os celtas deixarom pegadas na toponímia e na raça destes dous límites do nosso mundo e continente, resulta conhecidíssimo, mas há que voltar a dizer certas cousas para que a ideia da nossa unidade se torne realidade em marcha.

Cheguei dumha viagem à Galiza e de descobrir, como depois dumha pesca milagreira, os baixos fundos da nossa existência europeia, e parece-me que ninguém pode falar de Europa, tratar de sintetizá-la dalgum jeito e de fazá-la habitável para um só povo, sem estar em Compostela, em Ponte Vedra, na ria de Vigo (que deve de ter inspirado aos paisagistas flamencos, sedentos de mares azuis e de montanha espelhando-se no oceano), em Osseira e noutros sítios menos conhecidos, mas imbuidos de mágia étnica, de poesia ancestral e de rumbos futuristas. O nome mesmo da Galiza indica umha antiguidade que representa no fundo toda umha época pre-rromânica e pre-helênica, por cima da qual nom se pode conceber nem Europa nem o que somos todos; quero dizer, os povos da Europa de hoje e a maneira de ser de todos os povos do mundo em trance de voltar-se europeus.

No povo de Santo Salvador de Poio, nom longe do famoso mosteiro, vim umhas ruinas às que a gente chama ainda “a casa de Colombo”. Segundo umha tradiçom local, estourada logo por vários historiadores de Ponte Vedra, Cristobo Colombo nasceu ali e o seu apelido sobrevive ainda naquele lar. Feitos da epopeia colombina venhem a apoiar esta tradiçom. Em efeito, o descobridor de América deu o nome do seu povo (Santo Salvador) à primeira terra ocidental que vislumbrou mais aló das augas e foi a Galiza onde enviou à "Pinta" para anunciar aos seus o descobrimento da nova terra. Como é sabido, o primeiro povo do mundo a cujo porto chegou a nova de que o oceano nom rematava num abismo, senom num novo mundo terrenal, foi Baiona, perto de Vigo.

Mas esta justificaçom galega do descobrimento é menos importante que a sua hispanidade em geral; quero dizer que a sua posibilidade engendradora de europeidade. Hispânia fizo possível o descobrimento de América por cima da nacionalidade originária de Colombo. Este puido ser genovês, grego ou galego; a suas vinculaçons administrativas interessam hoje menos que a façanha em si. Importante é o facto de que Galiza, como terra de navegantes, esteja também, junto a Génova, em plena mitologia colombina.

Pola janela da biblioteca do convento viam-se as augas da ria e a chúvia caindo sobor os eucaliptos. Alguem, ao meu lado, dizo-me: “Ali vinham a invernar as naves dos vikingos”. Deseguido imaginei-me a aquela gente do Norte, durmindo e comendo nas suas casas itinerantes e fedorentos, cercado pelo ódio e o medo, como umhas alimárias perigosas. Abandonavam aos seus familiares na neve e frio do septentrióm, e vinham aqui a gozar o sol e a calor de Janeiro, mentres os pescadores das costas –celtas romanizados, mesturados com visigodos e com algúm dácio da minha terra- vigilavam dia e noite as embarcaçons ancoradas no médio da ria. Porque o dia no que rematavam a sua cerveja e a sua carne, os vikingos iam à terra na procura de comida e vinho, de lenha para os seus lumes, de mulheres para as suas noites solitárias. E entom acendiam-se nas praias e nos bosques o rumor da antiga sangria humana. “Era da alta noite- o som perpétuo”, como dize nos seus versos de paixom galega o poeta Ramón González Alegre. Cecais algum daqueles bárbaros emprendera um dia, vistindo-se de peregrino, o Caminho de Santiago, atraiçoando aos seus, beneficiando à Humanidade. Na realidade, os vikingos desaparecerom nos Evangelhos como umhas embarcaçons diminutas polos meandros de bosque e auga das rias baixas.

Na minha vida vim um conjunto mais impresionante, mais evocador de mistérios e de tempo carcomido por si mesmo, como em Osseira. O mosteiro está situado no fundo dum val, ao lado dum povo pequeno, como colgado entre pedras e nubes. O conjunto arquitectônico é majestoso, talhada a nave da igreja em românico puro, a fachada da mesma e a do convento em plateresco vegetal, prefiguraçom do barroco. Aquele grande conjunto semelhava abandonado. Os vidros das janelas estavam rotos, caidos os balcons, molhadas as torres verdes de musgo. Mas entrei, e desde o gris escuro e acuático da pedra exterior atopei-me de súpeto no calor apaixonado da misa, cantada em latím por um coro de monges invisíveis e oficiada por dous sacerdotes vestidos de branco e que semelhavam dous anjos movemdo-se no médio dumha luz sobrenatural que envolvia o altar. Era como se nom tocaram terra. Quando diziam: Dominus vobiscum, e no coro respostava: et com espiritu tuo, sentia atopar-me em Asis, mais longe cecais no tempo, como desprendido do espaço, liberado por aquela misa maravilhosa dita no seu idioma originário, deixando ao fiel a liberdade de orar, de arrepender-se, de adorar, que a misa perfeitamente entendida, dita no idioma dum, permite menos, porque impom umha participaçom permanente e coletiva. Dende fora chegaba o ruido sem cesar da chúvia e a igreja semelhava como envolta numha capa de auga, como umha campã de exploraçom submarina. Um só instante, um raio de sol venceu as nubes e posou-se numha parede, logo fora tragado pola masa marinha prendida nos aires. Trás minha soarom as botas com solas de cravos dalgúm pastor dos arredores, e naquel recuncho da Galiza, na sombra daquela igreja atormentada por umha chúvia que se me antojava eterna, nom havia mais que aquele desconhecido, a minha mulher e eu, de geonlhos perante o mistério maior, mentres o coro susurrava em latín o seu cántico de graça e de glória, como contradizendo docemente a melodia exterior da Natureza, com o só repetir das palavras sagradas.

Eu nom sei o que passou em Osseira, nem quem edificou aquele templo gigantesco, nem que reis o visitarom, nem por que jace quase abandonado no meio das castinheiras e dos prados. Nom sei nada acerca desta maestria criada e afogada pela História, porque quando saim e toquei a campã da entrada era ja hora proibida e ninguem saiu para contar-mo. E foi melhor assim, porque nunca vim tanta imensidade de pedra labrada no meio de tanta soidade e chúvia, e porque nunca atopei numha igreja tam soa e tam havitada polo sopro do espírito como na desconhecida profundidade de Osseira.

Na rústica taberna campesinha onde comeramos, melhor que no melhor restaurante de Paris, decatei-me de que Europa é antes que todo misterio de igrejas e conventos e que detrás deles –como em Chartres, Asis, Compostela, Osseira e tantos outros- está como soterrada desde séculos, lista para resurgir, o alma antiga da nossa nova Pátria, esta Europa esculpida em antiguidades que formam como un laço de uniom vivente entre o que desgarradamente somos e o que fumos em som de unidade sem sabé-lo.

Sala capitular de Osseira, sala das Palmeiras…”Obra alquímica”

Nota: este texto foi “rescatado” no Mosteiro de Oseira el 24.04.10

É evidente que o autor desconhece que o Reino da Gallaecia de Dinastia Visigoda, foi antes disso por quase 200 anos, de Dinastia Sueva.

sábado, 17 de setembro de 2011

Paulo Bragança - Sou galego


Das terras da Rosalia às terras de Miguel Torga
percorre o ar a cantiga que todo o povo recorda
das Beiras a Trás-os-Montes, dos rios Mondego ao Minho
o perfume da Galiza, de giesta e flor de pinho

Mil anos do mesmo sangue num passado sem fronteiras
o fumo das chaminés nas memórias das aldeias
gaita de foles Galega, Adufeiras da Idanha.
cantamos em Mirandês, lingua que nom nos é estranha

sou Galego, ai, sou Galego
sou Galego até ao Mondego
moiro escuro t'arrenego
da Galiza até ao Mondego

vindimamos o suor por tradiçom e castigo
som irmas no seu destino, rias de Aveiro e de Vigo
e ha tanto calor humano ao redor de uma fogueira
à lareira vinho tinto, requeijom, broa caseira

e a guitarra de Coimbra, gaita de foles Galega
som os sons da nossa alma aos quais o Norte se apega
caminhos de Santiago, trilhos, veredas, clareiras
cantamos ao desafio ao fim da tarde nas eiras

sou Galego, ai, sou Galego
sou Galego até ao Mondego
moiro escuro t'arrenego
da Galiza até ao Mondego

sou Galego, ai, sou Galego
sou Galego até ao Mondego
moiro escuro t'arrenego
da Galiza até ao Mondego