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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Solstício de Inverno



O M.R.A. Galiza festejou no dia de ontem o Solstício de Inverno. O lar escolhido para dar começo ao acto foi
A Peneda na parróquia de Nembargantes no concelho de Redondela.



Sonhas cum sol hoje desaparecido
Símbolo da vida, de eterno retorno.
Encurtam os dias, o inverno chegou,
Mas no teu coraçom, sempre ficará a brilhar.

Na noite mais longa entraste na tua casa
A acender a coroa e preparar o fogo.
Vai começar umha longa velada
Com teus irmãos, irmãs, amigos, camaradas.

Sobre a mesa feita há já três velas
Para os que estám longe, mortos, crianças a chegar.
O rito solisticial vai renovar-se
Em memória do passado, por um grande porvir.

Celebraram-se os nossos antergos desde milénios
Esta noite consagrada à grande esperança
Dum sol que regressará a iluminar a nossa terra
Um mais cada dia, à medida que avançam as estaçons.

Temos de juntar-nos na noite dos nossos povos
Para mais nos fortalecermos neste mundo hostil.
Amanhã, já o sabemos, o sol brilhará
No fundo das nossas florestas, no coraçom das nossas cidades.

É na obscuridade, durante esta pausa,
Que podemos forjar as armas que necessitamos
Para o triunfo das nossas ideias, da nossa causa,
E oferecer à Europa desde Gallaecia um amanhã melhor.

À volta desta mesa, homens e mulheres livres,
Vêm recordar e reencontrar os seus Deuses.
Sente-se a alma que vibra através dos nossos cantos,
A alma da linhagem, a dos nossos avós.

Nesta noite portadora de grande promessa,
A nossa longa memória nos manterá firmes.
Porque, se Conventina nos trouxe ledícias,

Sabemos que o Bandua retornará
E com ele Lugh regressará.

Logo de dar leitura a vários textos e arengar umhas verbas, fumos visitar o fermoso Castelo de Soutomaior, no concelho com o mesmo nome.



Já acampados logo de cear, dimos começo a cerimónia e ritual do solstício de Inverno


A nai entrelaçou a coroa do Advento,
Entrelaçou-na com ramos bem verdes,
Que tirou do grande abeto sempre verde.
Umha vela arde na coroa. Todos meditam.
Certamente, tudo irá bem, porque assim o desejamos,
Como os pais o desejaram e como desejaram os de amanhã.
Sabem que, apesar de tudo, a vida é assim.
É o dia mais curto do ano.
O de amanhã será maior, o Sol regressará.
É a grande festa do Inverno, dia de ledícia,
Ledícia calma, penetrante, que cada um encontra no fundo de si
Diante da pequena chama que bruxuleia no candil.
Cada um refai o caminho percorrido.
A inquietaçom nasce no coraçom do homem se ele esquece
As leis da vida.
Um grande silêncio. Umha força enorme.
Como umha grande espera.
Diante da pequena chama que cintila agora no candil de pedra,
Cada um reencontra a confiança na sua força.
Ledícia triunfante de quem guarda a esperança.
O Sol triunfará.
O pai acende a fogueira de Nadal e, nos seus olhos,
Há também umha grande chama.
O fogo claro sobe na lareira.
A casa está cheia de calor e luz.
Todos meditam.
Todos prometem guardar fé em si mesmos
E na vida.
Em todos se eleva umha força nova.
A vida da nossa raça triunfará.



Já bem entrada a noite houvo tempo para mostrar novamente a nossa solidariedade com o camarada Pedro Varela, prendido a passada semana polo Estado Sionista Espanhol.





http://mragaliza.blogspot.com/2010/12/solsticio-de-inverno.html

domingo, 13 de dezembro de 2009

Solstício de inverno e o nosso Apalpador


É sabido que a igreja católica aproveitou toda umha série de festividades que marcavam o ritmo das sociedades existentes antes da cristianizaçom, tingindo com um novo verniz celebraçons e festas com milénios de história.


Assim sobre as celebraçons pagás do solstício do Verao colocou o Sam Joám, ligou o entuido em que celebramos a extinçom do Inverno com a quaresma e santificou as festividades dedicadas à morte que desde muito atrás coincidem na nossa cultura com os primeiros compassos do Outono. Mas guardou a celebraçom mais importante, a do nascimento do filho de deus, para a situar nas mesmas datas em que a maior parte das culturas europeias anteriores à era cristá celebravam o solstício do Inverno, como momento de renascimento do ano.


Dessa sobreposiçom do cristianismo sobre os restos culturais pré-existentes temos um bom conhecimento na Gallaecia, porque nom se trata só da adaptaçom ao calendário, mas da mesma ocupaçom dos espaços empregados de antano para cultos pré-cristaos sobre os quais, sem nengum complexo, levantarom-se ermidas e cruzeiros para os adaptar ao cristianismo.


Porém, e apesares do esforço que o cristianismo fijo para apagar qualquer pegada dos cultos e crenças populares, som muitos os vestígios que ficárom como testemunho. Nalguns casos com mais sucesso que noutros, mas em todos eles como prova das fundas raizes que o nosso povo mantém como a cultura emxebre que é.


Pode que o caso das tradiçons ligadas ao solstício de inverno sejam algumhas das mais perjudicadas por séculos de tergiversaçom, marginalizaçom e ocultamento. E neste caso o proceso de aculturizaçom tem-se agravado pola superposiçom a umha primeira deturpaçom de orige católica, com séculos de andadura, da poderosa maquinária ideológica do capitalismo que pretende homegeneizar a cultura popular a um nível global.


Mas por baixo do Pai Natal, o negócio da Coca-Cola e do Corte Inglés; mesmo por baixo dos Reis Magos e o nascimento de Cristo, na Gallaecia mantivérom-se pegadas de antigas tradiçons que é preciso recuperar.


Assim nalgumhas comarcas da alta montanha do leste da Gallaecia, no Courel, Lóuçara e o Cebreiro; mantinha-se até datas muito recentes a tradiçom do Apalpador, um gigante com ofício de carvoeiro, que, no Natal, baixava das devesas onde morava para as aldeias, com a intençom de apalpar nas barrigas das crianças e assim comprovar se estavam bem mantidos. O Apalpador vigilava que as crianças viviram com fartura, desejava-lhe que no vindouro ano continuaram a nom passar fame, e deixava-lhes umha presa de castanhas quentes como presente e lembrança da sua visita.


Possivelmente esta antiga tradiçom do Apalpador seja um dos mais antigos vestígios da nossa cultura. E como parte dum património ameaçado devemos pular por mante-lo e actualiza-lo.


Por que imos ter que asumir os dictados impostos por quem quere aculturizar-nos? Por que temos que ceder aos mandatos do consumismo capitalista e da tradiçom católica e mesticista?


Aproveitemos também as celebraçons do natal para manifestar a nossa vontade de rebeldia e a nossa afirmaçom como naçom, e escomezemos por recuperar a figura do Apalpador.

Que nom seja mais o barbudo publicista da Coca-Cola, nem os submisos monarcas semíticos os que traiam os presentes aos fogares da nossa naçom.

Deixemos que seja um galaico, um honesto e trabalhador carvoeiro, quem venha agora com os presentes para as nossas moradas, e que as castanhas de antano sejam acompanhadas por outros bens que a sua generosidade de seguro lhe permite doar.